Paulistano Nota Dez

Conheça o criador do atendimento on-line do CVV

O advogado Arthur Mondim implementou o atendimento virtual do Centro de Valorização da Vida

Por: Ricky Hiraoka - Atualizado em

Paulistano Nota Dez Arthur Mondim
"É ótimo quando uma pessoa desesperada termina a ligação rindo" (Foto: Fernando Moraes)

Foi por influência da mulher, Marilu, que o advogado Arthur Mondim se tornou membro do Centro de Valorização da Vida (CVV), em 1978. Funcionário do setor de assistência jurídica da Volkswagen, ele a acompanhou a um curso de treinamento e também aderiu ao trabalho de ajudar pessoas com problemas emocionais em conversas por telefone.

Com 34 anos de experiência no serviço, é um dos voluntários mais antigos da organização. Nesse período, alguns episódios marcaram sua memó-ria, como o de um homem que ligou regularmente durante meses. “Um dia ele confessou que tinha tendências pedófilas e temia pelos sobrinhos”, conta. Também teve de lidar com casos de gente que pensava em se matar. “É ótimo quando uma pessoa desesperada termina a ligação rindo.” Em 2008, quando completou três décadas atendendo telefonemas durante quatro horas semanais, resolveu ampliar sua atuação.

Ao ler sobre o crescimento da taxa de suicídios entre adolescentes, concebeu o CVV Web, para auxiliar o público via chat. “Sabia que a maneira de atingir os jovens seria pela internet; as pessoas são mais diretas pelo bate-papo”, diz. No início, com oito plantonistas, o negócio estava disponível só às quartas e aos sábados.

Atualmente, o braço digital reúne 109 voluntários no Brasil — 23 na cidade de São Paulo — e funciona diariamente. Em 2013, o serviço on-line realizou 6 000 atendimentos na capital, 6% do total. Dois em cada três usuários têm menos de 30 anos. O treinamento da equipe é idêntico ao de quem trabalha por telefone: por meio de simula-ções, os voluntários aprendem a “ouvir adequadamente”, o que significa conversar sem disparar conselhos.

Os problemas mais recorrentes são perdas familiares e desilusões amorosas. Pai de três filhos, avô de cinco netos e morador do Parque Jabaquara, na Zona Sul, Mondim tornou-se “membro honorário” do CVV no ano passado e passou a treinar novos voluntários. “Meu sonho é criar um serviço em inglês para que pessoas de diferentes regiões do mundo se ajudem.”

Nome: Arthur Mondim

Profissão: advogado

Realidade que transformou: criou e implementou o atendimento on-line do Centro de Valorização da Vida (CVV).

Fonte: VEJA SÃO PAULO