Trânsito

Em um ano, os congestionamentos aos sábados cresceram 21% na capital

Não bastassem os engarrafamentos de segunda a sexta, os paulistanos agora têm de se acostumar com a lentidão durante os fins de semana

Por: Cristiane Bomfim

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Avenida Henrique Schaumann no sábado (15): engarramento no começo da tarde (Foto: Ivan Dias)

Por volta das 14 horas do último sábado (15), a velocidade média dos carros na Avenida Rebouças não ultrapassava os 30 quilômetros por hora. Em muitos trechos, os semáforos abriam, fechavam e os motoristas não saíam do lugar.

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Não muito longe dali, a Avenida Henrique Schaumann parecia um enorme estacionamento a céu aberto, testando ao limite a paciência de quem estava preso na via. Esse tipo de problema se repetia em outros pontos da cidade, como na Avenida do Estado. No início da tarde, os automóveis demoraram quase meia hora para vencer o trecho de 800 metros nas proximidades do Brás, na Zona Leste.

Nesse dia não havia evento especial, acidente grave nem um conjunto de obras que pudesse justificar os congestionamentos. Era apenas o retrato de um fenômeno que vem se tornando comum na cidade. Não bastasse encararem os engarrafamentos de segunda a sexta, os paulistanos agora estão tendo de se acostumar com a lentidão do tráfego durante os fins de semana. “Fica cada vez mais difícil enfrentar as ruas nesses dias”, afirma o taxista Arcebílio José de Souza, que trabalha num ponto no bairro de Pinheiros. “Só saio quando não tenho como recusar a corrida.”

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Um levantamento realizado pela MapLink, companhia que monitora diariamente 2.500 quilômetros de ruas e avenidas na metrópole, ajudou a dimensionar o tamanho do transtorno. De um ano para cá, tomando-se como base o movimento registrado no mês de agosto, ocorreu uma piora de 21% na fluidez de veículos aos sábados (veja o quadro abaixo).

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Bombeiros de moto: plantões também nos fins de semana (Foto: Leo Feltran)

O trabalho mostrou também que o comportamento dos motoristas nesse dia é bem diferente do que se vê no restante da semana. Enquanto de segunda a sexta o problema se concentra no início da manhã e no fim da tarde, aos sábados os horários de pico ocorrem entre 10 e 15 horas, quando o anda e para chega a tomar conta de até 270 quilômetros de vias.

Nos últimos doze meses, o horário das 10 foi o que apresentou o maior aumento de lentidão. Ela passou de 180 para 260 quilômetros, uma alta de 45%. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) detectou um fenômeno parecido sobretudo nas redondezas de áreas comerciais como a Rua 25 de Março. Desde então, vem fazendo ações nesses locais, como a reprogramação de semáforos, para aumentar a fluidez do trânsito.

Ao lado do crescimento da frota da metrópole (chegamos em julho ao número recorde de 7,3 milhões de veículos cadastrados), a mudança de rotina dos paulistanos está entre os principais fatores que ajudam a tumultuar o trânsito.

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O auxiliar administrativo Souza: 'Tranquilidade, apenas durante a madrugada' (Foto: Ivan Dias)

“Ficou muito mais fácil comprar um carro hoje, e várias pessoas, assustadas com o movimento durante a semana, passaram a deixar para o sábado atividades que antes eram feitas de segunda a sexta, como ir ao médico e fazer o supermercado”, diz o engenheiro de tráfego Alexandre Zum Winkel.

É o caso do auxiliar administrativo Irwing Souza, que usa o ônibus para se deslocar de sua casa, na Vila Formosa, até o trabalho, na Mooca. Dirige seu carro somente aos sábados e domingos. “Antigamente, era um sossego”, conta. “Hoje, só dá para andar tranquilo na madrugada.”

Não são apenas os motoristas que precisam se adaptar à nova realidade. No ano passado, o Corpo de Bombeiros iniciou o atendimento com motocicleta aos sábados. Até então, o serviço funcionava apenas de segunda a sexta.

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Trânsito 2288 (Foto: Arte)

A Radial Leste faz parte da lista dos piores endereços para dirigir nos fins de semana, segundo as reclamações dos ouvintes da Rádio SulAmérica Trânsito (92.1 MHz). Essa relação inclui também locais como as avenidas 23 de Maio, Rebouças e Bandeirantes.

Devido ao aumento dos congestionamentos, a emissora iniciou no mês passado a cobertura de helicóptero por uma hora e meia aos sábados. “Está nitidamente mais complicado e precisamos reforçar o monitoramento”, justifica Felipe Bueno, diretor de conteúdo da SulAmérica.

Fonte: VEJA SÃO PAULO