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Confira dez exposições que ficam abertas neste fim de ano

Aproveite a cidade mais tranquila para conferir mostras concorridas, como a de Ron Muek, na Pinacoteca, e a de Salvador Dalí, no Instituto Tomie Ohtake

Por: Laura Ming - Atualizado em

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Algumas das melhores exposições em cartaz na cidade continuam abertas ao público durante as festas de final de ano. É uma ótima chance para ir conhecer as esculturas hiper-realistas de Ron Mueck, o trabalho surrealista de Salvador Dalí ou as telas abstratas de Hans Hartung.

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Confira dez mostras que podem ser visitadas:

  • A habilidade em reproduzir seres humanos à perfeição deu fama ao australiano Ron Mueck, que tem nove de suas esculturas expostas na Pinacoteca do Estado. As obras produzidas com resina, fibra de vidro, silicone e acrílico atraem, sobretudo, pelo alto nível técnico. A unha mal cortada, as rugas na pele e até o peso do corpo sobre o chão impressionam. Mas, passado o primeiro impacto, a sensação é de falta de profundidade, mesmo que cada personagem carregue certa expressão de tristeza. Exceção, o casal de idosos que ocupa o octógono do museu, de 4 metros de altura, mantém o efeito hipnótico. Muita gente chega a enfrentar filas de três horas para ver as criações de Mueck. Para organizar o fluxo de visitantes, foram liberadas duas entradas: uma para a badalada mostra e a outra para conferir o acervo permanente e os demais artistas em cartaz. Um ponto negativo da montagem é o percurso obrigatório em sentido único para apreciar as esculturas hiper-realistas. Ou seja, depois que se troca de sala, não se pode mais retornar à anterior para rever alguma coisa. Por isso, faça todas as selfies que quiser antes de ver a próxima obra. No fim do circuito, um vídeo de 45 minutos registra Mueck em ação no seu ateliê em Londres. De 20/11/2014. Até 22/2/2015. + 10 curiosidades sobre Ron Mueck, o criador de esculturas hiper-realistas + O que está acontecendo com as exposições na era das selfies + Começa montagem da mostra de Ron Mueck na Pinacoteca
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  • Uma das artistas contemporâneas mais importantes do Líbano, Mona Hatoum apresenta trinta trabalhos na Estação Pinacoteca que compõem um panorama de sua carreira desde os anos 80 até os dias de hoje. Cinco obras desse conjunto foram feitas especialmente para a exposição, fruto de uma temporada de cinco semanas em São Paulo. O resultado é que a cidade está presente em diversas peças, a exemplo de Janela. Na projeção, imagens captadas ao vivo por uma câmera no Largo General Osório são exibidas em uma parede. Entre os destaques de seu início de trajetória está Roadworks (1985), vídeo em que ela caminha pelas ruas, descalça, arrastando botas militares. Extremamente simples e comovente. Em outra sala, uma luminária giratória joga luz ao seu redor. Lembraria uma mera discoteca, não fossem as projeções em forma de soldados. Paravent, de 2008, segue a mesma lógica: um objeto de decoração, o biombo, é feito com as lâminas cortantes de um ralador. “Apesar dos temas espinhosos de que trata, Mona não deixa a estética visual de lado”, diz a coordenadora de curadoria Natasha Barzaghi Geenen. Talvez este seja o maior mérito da artista: produzir trabalhos que discutem guerra, opressão e morte sem ser panfletária e enchê-los de poesia.  De 6/12/2014. Até 1º/3/2015. 
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  • Vista de cima, a estrutura cheia de galhos parece um resto de floresta que tomou a sala projetada por Oscar Niemeyer. Mas quem percorre a impressionante instalação Transarquitetônica, de Henrique Oliveira, por dentro — a obra se compõe de vários túneis — descobre um resumo dos tipos de construção feitos pelo Brasil. A entrada, com jeito de shopping center, é de um branco reluzente iluminado por lâmpadas frias. Logo na primeira curva se avistam tijolos sem reboco e, a cada passo, a precariedade aumenta. Paredes de pau a pique dão lugar a tapumes em passagens circulares cada vez mais estreitas com lâmpadas penduradas e fiação aparente. Um típico puxadinho brasileiro. “Queria fazer uma obra para ser vivida, que tivesse cheiro e som”, conta o artista, que recebeu o espaço de quase 1.600 metros quadrados vazio para realizar o que bem entendesse. Ele precisou de dois meses, mais de 200.000 parafusos, alvará de construção e permissão dos bombeiros para transformá-lo nessa curiosa experiência. Até 25/1/2015. 
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  • A retrospectiva do artista espanhol tem tudo para se tornar a nova mostra mais badalada da cidade. No fim de semana de estreia, muita gente que chegou por volta do meio-dia ao Instituto Tomie Ohtake só conseguiu entrar às 17h. Mas sem grandes dramas. A organização do evento criou um sistema de senhas para evitar que as pessoas fiquem amargando de pé na fila, como aconteceu na exposição da japonesa Yayoi Kusama. Elas são distribuídas a partir das 10 da manhã para três horários: 11h, 14h e 17h. Vale, sim, a pena se organizar para ver as 218 peças exibidas. Elas apresentam um Dalí minucioso (chegou a pintar com pincéis de duas cerdas e auxílio de uma lupa) e sóbrio, que passou pelo cubismo e pelo impressionismo antes de se encontrar no surrealismo. Entre as 24 telas há preciosidades como A Memória da Mulher-Menina, uma das primeiras no estilo, na qual se nota o árido e aflitivo mundo dos sonhos do artista. A abrangência dos trabalhos surge em belas gravuras pouco conhecidas que ilustram livros como Alice no País das Maravilhas ou fazem releituras impossíveis de desenhos botânicos do século XVIII. Infelizmente, pouco espaço foi dedicado ao seu lado marqueteiro, tão criticado quanto divertido. A Sala Mae West reproduz uma instalação inspirada na atriz americana e rende boas selfies, porque cria a ilusão de “entrar” na obra. Para ela, há uma fila à parte de, pelo menos, quarenta minutos. De 19/10/2014. Até 11/1/2015.  + Exposição Salvador Dalí irá distribuir senhas para evitar filas + Veja como será a exposição Salvador Dalí no Tomie Ohtake
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  • É a primeira vez que os traços dramáticos do franco-alemão Hans Hartung (1904-1989) são exibidos de forma tão abrangente no país. A retrospectiva Oficina do Gesto, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, apresenta telas e gravuras desse expoente do abstracionismo europeu que, entre outros objetos inusitados, usava galhos de árvore, pulverizadores e ancinhos de jardinagem para pintar. Assim como na gravura (o subsolo do CCBB reúne a produção com essa técnica), os “equipamentos” utilizados deixaram marcas nos quadros. São riscos, gotas e manchas que formam composições abstratas potentes, cuja espontaneidade e lirismo se diferenciam do geometrismo calculado de Wassily Kandinsky, o precursor do estilo. Em um vídeo pode-se ver como Hartung trabalhava no fim da vida. Debilitado após perder uma perna na II Guerra Mundial e sofrer um AVC, ele joga a tinta sobre a tela, como ao acaso, sentado numa cadeira de rodas. Mas é só aparência: as 162 obras da mostra evidenciam criações  sofisticadas e bem calculadas, impactantes até hoje. Até 12/1/2015. 
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  • Após fotografar a fachada de prédios de diversas regiões de São Paulo, a carioca Claudia Jaguaribe resolveu explorar o interior dos lares paulistanos. Por dois anos, entrou na casa de chineses, bolivianos, descendentes de italianos e outros moradores da capital. Os registros, individualmente, já renderiam uma bela exposição, mas a montagem de EntreVistas feita no Itaú Cultural, organizada como uma instalação, vai além disso. Dispostas lado a lado em sequência numa sala escura, o que dilui a divisão entre cada residência, as imagens têm suas cores realçadas por um painel luminoso. Totens espalhados pelo ambiente recebem projeções de ruas e detalhes arquitetônicos. Nas fotos ao fundo, helicópteros cruzam os céus no fim de tarde. Essa combinação de elementos reproduz a energia de São Paulo. A história de cada personagem retratado pode ser conhecida em pequenos e bem produzidos documentários, disponíveis na entrada do local em tablets.  Até 11/1/2015.
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  • Em 2013, o professor de física Manoel Robilotta doou ao Masp 55 belas peças africanas amealhadas ao longo de anos em casas de leilão. O museu exibe agora 49 itens desse conjunto em Do Coração da África. Todas as obras são exemplos da cultura iorubá, presente na Nigéria, Benin e Costa do Marfim. São adornos, objetos religiosos e esculturas produzidos na primeira metade do século XX para fins utilitários, ou seja, não idealizados como arte. Os orixás — divindades ligadas à natureza — aparecem decorados com miçangas e conchas. Suas formas serviram de inspiração para a produção de arte moderna, como o cubismo de Picasso. Algumas das entidades esculpidas encontraram representações na religião católica no Brasil. Os ibejis, por exemplo, são divindades gêmeas, que no sincretismo brasileiro equivalem a Cosme e Damião. A mostra, diferente das que o Masp costuma apresentar, dialoga com muitas peças de seu acervo. Estreou em 11/7/2014.
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  • Em uma pequena sala escondida no andar reservado ao acervo da Pinacoteca do Estado, estão reunidas as primeiras fotografias a integrar a coleção do museu. Feitas por Cristiano Mascaro na década de 70 a pedido da então diretora da instituição, Aracy Amaral, elas compõem a mostra Cristiano Mascaro e a Série Bom Retiro e Luz. São 48 ampliações em branco e preto que trazem o entorno do museu para dentro do espaço expositivo. Trata-se de um dos primeiros ensaios produzidos pelo arquiteto de formação, que iniciou a carreira como fotojornalista e tornou-se conhecido por clicar cenas cotidianas e paisagens urbanas, muitas delas paulistanas. Personagens e estabelecimentos que ainda fazem parte da região, como as comunidades judaicas, as lojas de noivas e a estação de trem, aparecem nas imagens. A espontaneidade com que o artista capta os retratados é um dos pontos altos do conjunto, assim como as evidentes composições geométricas de alguns ambientes. Uma seleção que vale tanto  pela beleza das obras quanto pelo registro histórico. Até 22/2/2015. 
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  • Foram os projetos paisagísticos modernos que consagraram Roberto Burle Marx (1909-1994). Mas o artista paulistano também tinha o desejo de ser reconhecido como pintor. Assistente de Candido Portinari na década de 30, ele nunca deixou de trabalhar com as tintas. Chegou a representar o Brasil em uma Bienal de Veneza, em 1970. Agora, a Pinacoteca do Estado revela essa vertente menos notória de Burle Marx na exposição Uma Vontade de Beleza, composta de oitenta obras, entre telas, desenhos e peças de cerâmica e vidro. Observa-se na seleção de quadros como o artista dominava a técnica da pintura e como explorou diferentes estilos até alcançar as formas orgânicas e sinuosas que caracterizam sua produção, também marcada por um colorido impactante. “Ele tinha desejo por beleza e liberdade, e horror a formas preestabelecidas”, diz Giancarlo Hannud, curador da mostra. Além dessas peças, o visitante pode conferir as joias feitas em parceria com Haroldo, irmão do artista, que eram oferecidas pelo governo brasileiro como presente em visitas oficiais. Até 22/3/2015. 
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Fonte: VEJA SÃO PAULO