Educação

Comportamento dos estudantes paulistanos

Já são frequentes casos de estudantes flagrados em estado de embriaguez nas escolas

Por: Maurício Xavier (colaboraram Flora Monteiro e Nathalia Zaccaro) - Atualizado em

Capa 2255 - Bebida - Jovens na região da Avenida Paulista
Jovens na região da Avenida Paulista: pesquisas mostram que o consumo de álcool começa cada vez mais cedo (Foto: Zanone Fraissat/FolhaPress)

O álcool vem sendo consumido cada vez mais cedo pelos jovens. Pesquisa do Ibope para o governo do estado indicou que o primeiro contato ocorre aos 13 anos, em média. “Nada menos que 6% de toda a bebida consumida no Brasil está nas mãos de menores”, afirma o diretor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas, Ronaldo Laranjeira. Cerca de 45% dos paulistas entre 12 e 17 anos já beberam — 18% o fazem ao menos uma vez por semana. “A inclusão feminina nessa área é espantosa”, diz a ginecologista Albertina Duarte, coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente, da Secretaria de Estado da Saúde. Um estudo conduzido por ela com pacientes do Hospital das Clínicas na década de 90 mostrava que 15% das garotas assumiam o consumo. Dados coletados na Casa do Adolescente em 2011 revelam que cerca de 80% dos menores de 18 anos já usaram álcool.

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Nesse quadro, são frequentes os casos de estudantes flagrados em estado de embriaguez nas escolas da capital. “Causa preocupação, porque nossos portões ficam abertos para os alunos do ensino médio, e existem muitos bares próximos. Às vezes, eles voltam trazendo o amigo que ficou bêbado e está passando mal, para a gente resolver o problema”, afirma a coordenadora do programa de prevenção às drogas e orientação sexual do Colégio Bandeirantes, Maria Estela Zanini. “É uma geração que bebe muito, principalmente cerveja e uísque”, comenta a coordenadora pedagógica educacional do ensino médio da unidade Perdizes do Colégio Pentágono, Patrícia Bauer. No caso das drogas, o fato novo é a perda da aura de rebeldia do passado. “A maconha não é mais vista como ícone de transgressão, virou comum”, acrescenta Maria Estela. “Os estudantes têm acesso até quando não querem, tornou-se uma relação banal”, confirma a diretora-geral do Colégio Rio Branco, Esther Carvalho. O que não significa que o consumo tenha diminuído. “Entre 7% e 10% dos adolescentes utilizam a erva”, afirma Laranjeira. Após detectarem usuários entre seus alunos, muitas escolas criaram projetos para lidar com o tema, como o Uso de Substâncias Psicoativas, do Colégio Equipe, e o Uso e Abuso de Bebida Alcoólica, do Colégio Pentágono.

O sexo também está mais precoce no universo escolar. Segundo o Estudo da Vida Sexual do Brasileiro, lançado em 2004 pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, na década de 60 os homens perdiam a virgindade aos 16 anos, e as mulheres, aos 22. Em 2001, essa idade havia baixado para 15 anos no caso das meninas e 14 no dos meninos, de acordo com um levantamento da Unesco e do Ministério da Saúde. “Os estímulos da televisão e da internet estão antecipando a primeira experiência”, diz a coordenadora técnica e psicóloga do Instituto Kaplan (Centro de Estudos da Sexualidade Humana), Sandra Lima Vasques. “Hoje em dia, os colégios precisam disponibilizar aulas de educação sexual a partir do sexto ano.”

 

O que eles dizem

“Droga em escola estadual é livre para todos os públicos.”9º ano do ensino fundamental, escola pública

“Tem gente que dá amasso no meio da sala, e a professora tem de parar a aula para dar bronca.”3º ano do ensino médio, escola pública

“Todo mundo acha estranho quem não bebe, aliás só vão achar estranho mesmo se alguém fumar crack. O resto está tranquilo.”3º ano do ensino médio, escola pública

“Uma vez fui a uma festa na casa de um colega. Os pais estavam viajando, e tinha bebida, cocaína e maconha para quem quisesse.”9º ano do ensino fundamental, escola particular

“Já saí na quinta à noite e fui direto para a aula de sexta, de maquiagem, na maior ressaca. Eu me troquei no banheiro do colégio.”3º ano do ensino médio, escola particular

“Tem um cantinho de amassos na minha escola. Os inspetores sabem o que rola, mas nem passam lá perto.”9º ano do ensino fundamental, escola particular

Fonte: VEJA SÃO PAULO