Cultura

Mostra no Sesc Pompeia recupera a história da alimentação no Brasil

O ponto alto do projeto Como Penso Como é uma degustação de nove pratos inspirados em passagens como a deglutição do bispo Sardinha ou as oferendas no candomblé

Por: Sophia Braun - Atualizado em

Como Penso Como
Como Penso Como: aspecto mais interessante da mostra é a degustação (Foto: André Portiolli)

Coma, logo pense. Assim termina o manifesto da mostra Como Penso Como, idealizada pela artista Simone Mattar. Em cartaz no galpão do Sesc Pompeia de sexta (9) até o dia 8 de setembro, o projeto recupera a história da culinária brasileira por meio do food design, disciplina que usa o alimento como argumento de pesquisa. A entrada é gratuíta.

Os visitantes são recebidos em uma antessala repleta de estímulos visuais, sonoros e olfativos que rementem à cultura do país à mesa. Há, por exemplo, aroma de café fresco e barulho de talheres.

No centro do espaço fica a sala em formato espiral apelidada de bolo de rolo, uma referência ao rocambole pernambucano que leva este nome. Ali, dois projetores exibem imagens e frases que retomam a história da humanidade sob o viés da alimentação. Para organizar tal linha do tempo, com início no período paleolítico, Simone contou com a ajuda de quatro historiadoras. Apesar da proposta interessante, é difícil acompanhar as informações apresentadas no pouco tempo em que ficam visíveis.

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Como Penso Como: prato servido na degustação (Foto: André Portiolli)

O ápice da exposição é a degustação de nove pratos criados a partir de passagens históricas relacionadas ao ato de comer. Trinta comensais se acomodam ao redor de uma grande mesa, semelhante àquelas usadas nos banquetes medievais, para provar criações como a luminária feita de filigrana de mandioca em reverencia à lenda indígena de Mani.     

A segunda receita servida é inspirada no Movimento Antropófago de Oswald de Andrade e na deglutição do bispo Pero Fernandes Sardinha pela tribo dos Caetés. Sobre uma espécie de pão crocante com desenhos de correntes são servidas três cabeças prateadas feitas de musse de sardinha.

Outra sugestão relaciona o alimento às práticas religiosas do candomblé. Em volta de uma esfera transparente preenchida por fumaça, são dispostas três oferendas a Iemanjá, Ogum e Exú. Há ainda a presença do acaçá, feito de milho branco e limão, e de farofa de acarajé e molho de vatapá.

As degustações ocorrem de quarta a sábado, sempre às 18h e às 21h, e aos domingos e feriados, às 13h e às 21h, mediante compra de ingressos (R$ 50,00, para frequentadores; R$ 20,00, para usuários; e R$10,00, para comerciários). A experiência é conduzida por um grupo de atores que interage com o público e faz a contextualização dos pratos. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO