Transporte

Terminal Pirituba/Metrô Vila Mariana é a pior linha de ônibus de SP

O trajeto feito pela 917H/10 tem 96 reclamações, desde atrasos até direção perigosa, segundo dados da SPtrans

Por: Adriana Farias - Atualizado em

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A linha 917H/10 - Terminal Pirituba/Metrô Vila Mariana: a campeã de reclamações na capital (Foto: Adriana Farias)

Motorista que não atende embarque e desembarque, dirige de forma perigosa e ainda descumpre as partidas programadas. Essas são algumas das 96 reclamações da 917H/10 - Terminal Pirituba/Metrô Vila Mariana, a pior linha de ônibus em São Paulo.

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Ela lidera um ranking da SPtrans com as dez linhas que apresentaram mais queixas na capital no primeiro semestre deste ano, obtido com exclusividade por VEJA SÃO PAULO.  

Na tarde de quinta (13), a reportagem embarcou no ônibus campeão de lamentações. Os problemas já começam na própria estrutura do Terminal Pirituba, antes do início da viagem. Além de sujos, os banheiros femininos não possuem papel higiênico nem toalha descartável para enxugar as mãos. Há bancos na plataforma de embarque, mas quem usa não são os passageiros e sim os próprios funcionários, motoristas e cobradores à espera da troca de turno.

Linha 917H10 - TERMINAL PIRITUBAMETRÔ VILA MARIANA ônibus 1
Momento em que motorista fechou o cruzamento próximo ao Metrô Vila Mariana na tarde de quinta (13): apenas um dos vários problemas (Foto: Adriana Farias)

O ônibus deveria ter saído pontualmente às 14h56, mas nesse dia, o motorista teve dificuldades para regular o espelho direito e partiu com cinco minutos de atraso. “Isso não é nada. Pior é quando eles ficam de bate-papo e atrasam o dobro”, diz a aposentada Aparecida Conceição, de 58 anos, uma das passageiras.

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Durante o trajeto de duas horas até o Metrô Vila Mariana, o motorista dirigiu quase que o tempo todo apenas com uma mão. Em meio ao trânsito intenso, ou diante de um sinal vermelho, ele também costumava se entreter lendo um jornal e logo recebia uma buzinada por não perceber a luz verde e permanecer parado, atrapalhando o tráfego.

Outro problema foi ao chegar ao ponto final, no cruzamento na Avenida Lins de Vasconcelos, próximo ao Metrô Vila Mariana. O semáforo estava prestes a fechar e o motorista acelerou para passar a tempo, mas acabou fechando o cruzamento, impedindo a passagem de outros veículos e provocando transtornos. “No começo do ano eu também flagrei umas duas vezes outros motoristas dessa linha dirigindo rápido”, conta o vendedor Amaro Dionísio, de 42 anos. “Fui reclamar, mas me trataram mal. Por isso, agora fico na minha”.

Veja abaixo as reclamações envolvendo a 917H/10 e o ranking com as dez piores linhas da cidade:

ônibus campeão reclamações 1
(Foto: Veja São Paulo)
linhas de ônibuas vejasp 2
(Foto: Veja São Paulo)

Procurada, a SPtrans diz que o número de reclamações dos usuários teve queda de 25,10% no primeiro semestre de 2016. "Isso é fruto de um conjunto de ações que a atual gestão implantou com o objetivo de melhorar o sistema municipal de transportes", afirma a companhia em nota enviada a VEJA SÃO PAULO. Confira a íntegra abaixo:

Diariamente equipes de fiscalização são deslocadas aos pontos iniciais e finais das linhas para registro e verificação das partidas realizadas. Os dados são confrontados com as partidas estabelecidas nas Ordens de Serviços. Em caso de divergência são aplicadas penalidades com base no Regulamento de Sanções e Multas (Resam) do sistema. Para linhas em que defasagens de partidas são recorrentes, a ação da fiscalização é contínua até que sejam identificadas soluções. As ações geram ainda dados que são apresentados em reuniões mensais com os representantes das empresas e em fóruns de diálogo permanente com os concessionários no sentido de qualificar os trabalhadores, reduzir acidentes e diminuir a incidência de reclamações.

Também nessa administração foi implantado o modelo de Gestão Operacional pela Qualidade (GOpQ), um programa que utiliza as reclamações como ferramenta que possibilita ouvir os usuários sobre suas necessidades, que são convertidas em acompanhamento e melhoria contínua do sistema. Utilizam-se os conceitos e ferramentas simples da Gestão da Qualidade Total para avaliar os resultados alcançados e o desdobramento das reclamações, com o objetivo de identificação de falhas e busca de redução de erros.

Além disso, o sistema agora é discutido no Conselho Municipal de Transporte e Trânsito (CMTT), criado na atual gestão como um fórum de debates permanente reunindo integrantes de diferentes segmentos da mobilidade urbana, da sociedade civil e do poder público. A atual administração continua trabalhando por meio dessas ações para reduzir ainda mais os índices de queixa no sistema e oferecer um serviço com qualidade cada dia melhor aos usuários.

Fonte: VEJA SÃO PAULO