Polêmica

Padaria provoca revolta na internet com texto sobre assédio sexual

"Quando a mulher usa vestido curto, a comunicação entre funcionários e clientes é afetada", diz postagem do estabelecimento Estrela do Butantã no Facebook

Por: Redação VEJASÃOPAULO.com - Atualizado em

Estrela do Butantã
Estrela do Butantã, na Av. Dr. Vital Brasil (Foto: Reprodução/Google)

Uma acusação de assédio e uma resposta machista nas redes sociais estão causando dor de cabeça aos proprietários de uma padaria da Zona Oeste de São Paulo. No dia 11 de fevereiro, a página Cantada de Rua, que compila denúncias anônimas de mulheres que sofrem abuso sexual em locais públicos, divulgou o relato de uma cliente da Estrela do Butantã, tradicional padaria instalada há 50 anos naquele bairro.

"Estava sentada conversando quando vi os homens que trabalham lá atrás do balcão olhando para baixo da minha mesa. Fechei mais as pernas e tentei me esconder. Eles disfarçaram, mas ficaram revezando, passando e olhando", diz o texto. Como a página conta com mais de 10 mil fãs, a postagem repercutiu na web e uma hashtag propondo um boicote à padaria começou a circular. 

Estrela do Butantã
Denúncia de assédio na Estrela do Butantã (Foto: Reprodução/Facebook)

Na quinta (10), quase dois meses após a denúncia, a página da Estrela do Butantã no Facebook publicou uma resposta. "Quanto mais se expõe, mais inadequado fica. Quando a mulher usa um vestido muito justo ou curto, a comunicação entre funcionários e clientes é afetada, uma vez que atenção do interlocutor é desviada". 

Estrela do Butantã
Resposta da padaria (Foto: Reprodução/Facebook)

O perfil da padaria na rede social foi tirado do ar, mas a polêmica permaneceu. "Não é nossa opinião. Um funcionário que cuidava das nossas redes sociais tomou as dores e resolveu escrever isso por conta própria. Virou baixaria, começaram a nos xingar. Hoje ligam aqui e perguntam se é a padaria do estupro", disse Paulo Tavares, um dos gerentes da Estrela do Butantã. O administrador da página foi demitido. 

Apesar de reconhecer o comentário, considerado "inapropriado", o estabelecimento nega que o assédio relatado pela cliente tenha ocorrido. "Essa senhora foi atendida por uma mulher e, na área que ela sentou, só temos funcionárias mulheres. Mais de 75% da nossa equipe é feminina", conta o gerente.

A denúncia, porém, acusa funcionários que ficam atrás do balcão. Tavares admite que atendentes homens ficam nessa posição: um ajudante da copa, um chapeiro e um cortador de frios. Além disso, um dos funcionários foi demitido no dia da denúncia, mas o gerente nega que a demissão tenha relação com o caso. "Foi por outro motivo. O que ela falou não aconteceu e temos convicção disso". 

O administrador das redes sociais da padaria também foi afastado. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO