Tecnologia

Polícia Civil começa a usar simuladores como os da Swat

Agora, os disparos são feitos no curso de combate virtual

Por: Nathalia Zaccaro

Um investigador chega perto de uma caminhonete velha estacionada no acostamento de uma estrada e prepara uma abordagem. O motorista, que está ao lado do veículo, parece exaltado e não colabora. Em vez de levantar as mãos, vira-se repentinamente e tenta pegar alguma coisa no interior do carro. Para evitar uma reação, o policial dispara seu revólver. Depois, ao fazer uma busca no local, descobre que o suspeito não estava armado. De forma imprudente, ele havia feito o movimento brusco na tentativa de buscar um celular esquecido dentro do automóvel.  Seria outro caso lamentável de violência na cidade não fosse por um detalhe: a cena faz parte do treinamento high-tech implantado recentemente na Academia de Polícia, na Cidade Uni versitária.

Situações de perigo são simuladas numa estrutura formada por cinco telões gigantes. Ali são projetados episódios de roubo de supermercado, resgate de reféns, briga de bar e invasão de favela, entre outros. Os alunos participam da ação armados com pistolas que disparam feixes de raio laser na direção da tela. Numa central de monitoramento, os responsáveis pelo curso interagem na história, manipulando a ação dos personagens virtuais.

Ao término do exercício, registram os erros e acertos do grupo. O equipamento em questão, fabricado pela empresa VirTra e batizado de 300, foi importado recentemente dos Estados Unidos, onde é utilizado em treinamento das tropas da Swat e de agentes do FBI.

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O professor Caique Navas: economia de munição (Foto: Rodrigo Paiva / RCPI)

Há dois anos, a polícia fluminense comprou máquinas semelhantes, mas com menos efeitos extras e variedade menor de cenários. Por aqui, a novidade entrou em operação em setembro. Inicialmente, será utilizada para a reciclagem de profissionais mais experientes. Vinte deles já passaram pela máquina nas últimas semanas. “Ajuda muito a aprimorar os reflexos”, aprovou José Roberto Abreu, investigador- chefe do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos da Polícia Civil (Garra). “Se pudesse, teria uma dessas em casa.” Em breve, outros 130 integrantes dessa equipe vão passarpelo mesmo processo de aprimoramento com a ajuda tecnológica. “Queremos estar prontos para grandes eventos como a Copa do Mundo de 2014”, explica Abreu.

A engenhoca americana custou 2 milhões de reais e veio junto com outros três simuladores voltados exclusivamente para a prática de tiro. Os usuários podem mirar em 44 alvos distintos. “A única diferença para um estande real é o barulho, bem menor no equipamento”, compara o aluno Thomas Oliveira, que está em fase final de preparação para se tornar delegado. No total, o conjunto teve um investimento de 4 milhões de reais da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. “Estávamos estudando a possibilidade de adquiri-lo desde 2010, mas só agora o projeto foi viabilizado”, diz Paulo Bicudo, diretor da academia.

Segundo os especialistas, a novidade representará ganhos relevantes para a preparação de policiais na cidade, sob vários aspectos. “A maioria dos nossos calouros nunca segurou uma arma na vida e, por isso, desperdiça muita munição nas aulas até ganhar alguma noção de como atirar”, conta Caique Navas, um dos professores da academia. “Hoje, graças aos simuladores, eles podem fazer toda a iniciação sem gastar uma única bala.”

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Thomas Oliveira, calouro do curso para delegado: “A máquina faz menos barulho que um estande real de tiro” (Foto: Rodrigo Paiva / RCPI)

Não é apenas a precisão na mira que é aprimorada com a ajuda desse sistema moderno. Para aumentar o grau de realismo e submeter os aprendizes a situações de stress semelhantes às que enfrentarão no dia a dia do trabalho, o programa do 300 emite sons que intensificam a sensação de terror, como bombas explodindo e vidros se quebrando. O aluno que comete alguma falha em sua missão diante dos telões corre um risco bem menor que o de seus colegas na realidade das ruas. Quando é alvejado pelos tiros dos bandidos virtuais, recebe apenas um choque de advertência, emitido pelo aparelho americano.

 

TREINO DIGITAL

As principais característicase a utilidade do equipamentorecém-adquirido no exterior

Nome: 300

Fabricante: VirTra

Origem: Estados Unidos

Preço: 2 milhões de reais

Estrutura: cinco telões e cinco câmeras com sensores de raio laser

Vantagem: é o mais eficiente modode treinamento na área, pois simulaambientes de assalto, resgate dereféns e briga de bar, entre outros

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO