Educação

Colégio Bandeirantes diz prezar formação ética dos professores

Informações sigilosas e comentários de docentes sobre o comportamento de alunos vazaram na internet

Por: Redação Veja São Paulo - Atualizado em

Colégio Bandeirantes
Colégio Bandeirantes: comentários sobre alunos circulam nas redes sociais (Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press/Folhapress)

O Colégio Bandeirantes, um dos mais tradicionais de São Paulo, divulgou nota oficial nesta sexta-feira (20) na qual afirma prezar a formação ética e moral de seus professores. Dados sigilosos sobre o desempenho dos alunos vazaram em redes sociais. Os relatórios, revelados pelo jornal Folha de S.Paulo na quinta-feira (19), continham informações sobre o desenvolvimento acadêmico, perfil emocional e momento de vida dos estudantes. "Ele tem um comportamento estranho, cara amarrada", diz uma anotação sobre um aluno. "Decaiu muito. Disse que só quer saber dos meninos e se apaixonou", aparece em outro relato.

Na nota oficial, a direção do colégio afirma lamentar o episódio e também a forma como as informações foram divulgadas, "totalmente contrária aos princípios que tanto defendemos dentro da nossa instituição", diz o trecho. A escola disse ainda que "há sete anos o Bandeirantes oferece a seus alunos, nas salas de aula, um curso de Ética e Cidadania Digital", além de trabalhar em conjunto com psicólogas.

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Um estudante do último ano do ensino médio teria sido o responsável pelos vazamentos. Inicialmente, ele havia sido suspenso por oito dias, mas a punição foi reduzida para apenas quatro dias. O Bandeirantes afirmou ainda que tomou providências jurídicas para sustar o compartilhamento de vídeos que esse aluno teria produzido, para proteger os estudantes e familiares.

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Há ainda casos mais graves, com dados íntimos dos estudantes. "Ele é inadequado em relação ao comportamento sexual. Fala coisas inadequadas para as meninas". "Entrou em depressão no início de 2007", diz outro texto.

Confira o comunicado oficial completo:

Em relação ao vazamento de informações das reuniões de série realizadas entre 2007 e 2012, o Colégio Bandeirantes vem a público prestar esclarecimentos. Sentimos muito, em primeiro lugar, o ocorrido, pois consideramos que um episódio como esse compromete a imagem de todos os envolvidos: atuais e antigos alunos, famílias e a própria escola. Em segundo lugar, lamentamos a maneira como as informações foram divulgadas, totalmente contrária aos princípios que tanto defendemos dentro da nossa instituição.

Como toda nossa comunidade sabe, o Bandeirantes sempre se preocupou muito com a formação ética e moral de seu corpo docente e discente. Prova disso é que há 7 anos o Bandeirantes oferece a seus alunos, nas salas de aula, um curso de Ética e Cidadania Digital, ministrado pela Dra. Cristina Sleiman, advogada e pedagoga. De 2006 a 2013, o Colégio trabalhou com a psicóloga Stela Fava junto aos funcionários e corpo docente, e a partir do início de 2014, conta com a consultoria de Telma Vinha, professora de Psicologia da Unicamp e especialista em comportamento juvenil, a qual tem muito contribuído para o aprimoramento de nossas reuniões pedagógicas, espaço em que professores e Orientação Educacional identificam e avaliam pontos de atenção que devem ser trabalhados para o melhor desempenho dos nossos alunos.

Também sempre foi um princípio defendido pelo Colégio a democracia. Em nome desse princípio e em face desse momento crítico, no dia 19/03, a pedido dos alunos, houve uma assembleia em que representantes da Direção, do corpo docente e discente e da Orientação Educacional discutiram a situação e deliberaram, em comum acordo, algumas ações necessárias para minimizar os impactos negativos desse episódio.

Mais uma vez, lamentamos tudo o que aconteceu e declaramos que estamos à disposição para esclarecer qualquer dúvida e ouvir sugestões.

Colégio Bandeirantes

Fonte: VEJA SÃO PAULO