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Clínica abre as portas na antiga Daslu, na Vila Nova Conceição

No lugar em que funcionava o templo do luxo, abre as portas uma clínica odontológica já chamada de "a Daslu dos dentes”

Por: Milene Saddi Chaves - Atualizado em

Até dois anos atrás, o número 564 da Rua João Lourenço, na Vila Nova Conceição, era point das endinheiradas clientes da Daslu Home. E deve voltar a ser a partir desta semana. Não que a loja esteja de mudança para seu antigo endereço. Ali abre as portas um consultório em que os dentistas dificilmente precisarão pedir aos pacientes que abram a boca. Todo mundo já fica de queixo caído ao deparar com o luxo que impera num ambiente que, na maioria dos casos, costuma ser dominado por móveis sem graça e revistas velhas. Trata-se do Ateliê Oral, clínica odontológica instalada há dez anos no Brooklin que chega ao bairro em versão revista e ampliada, com 1 000 metros quadrados de tratamentos de ponta combinados a decoração e equipamentos idem.

Para começo de conversa, esqueça esse papo de recepção. Na-na-ni-na-não. Lá existe um lounge, está bem? Decorado com poltronas e sofás de 4.000 reais, lembra um refinado lobby de hotel. Sobre as mesas, quatro laptops permitem que o cliente acesse a internet para esquecer qualquer dor de dente. Uma moderna televisão de 63 polegadas contrasta, no projeto assinado pelo arquiteto Mauricio Queiroz, com uma ameixeira que há 41 anos ocupa o terreno. Tem até uma mini-unidade do Suplicy Cafés Especiais, que servirá suas xícaras sem ônus para a clientela. A cereja no bolo é uma salinha de massagem facial. Se alguém arranca um siso, por exemplo, pode submeter-se aos cuidados de uma esteticista para diminuir o inchaço. "Já está tudo incluso no preço do tratamento", diz o dentista Marcelo Kyrillos, que afirma ter investido 2 milhões de reais no novo ponto com os sócios, seu colega de faculdade Marcelo Moreira e o especialista em implantes Adauto de Freitas.

Nos doze consultórios, o paciente dispõe de monitores colocados acima da cadeira do dentista. Com um teclado sem fio, pode checar o Orkut enquanto passa por um clareamento, por exemplo. Se preferir, há a opção de sintonizar canais de televisão a cabo. Os catorze dentistas da equipe circulam vestidos como se estivessem numa semana de moda. Em vez do onipresente jalequinho, ganharam uniformes assinados pelo estilista Ricardo Almeida, que criou uma espécie de paletó chamado caban. Mas isso é para usar durante o atendimento, que fique claro. Na recepção, ou melhor, no lounge, circularão com calças de alfaiataria de lã fria xadrez príncipe-de-gales e camisetas feitas com fibras de bambu, tudo em tons que combinem com a decoração. "Quis criar um look contemporâneo", explica Almeida.

Além de todos esses frufrus, que já renderam à clínica a alcunha de "Dasdente" (ou seja, a Daslu dos dentes), o lugar dispõe de um solário dedicado aos fumantes e de três salinhas supervip, equipadas com televisão, computador e banheiro com ducha. Por todo canto há toalhas de algodão egípcio da Trousseau. "Se uma celebridade quebra um dente, pode entrar escondida pela garagem e esperar enquanto sua prótese é confeccionada", explica Moreira. Não faltarão candidatos ao espaço, já que a clientela declarada pelo trio inclui nomes estrelados da televisão como as atrizes Flávia Alessandra e Daniele Suzuki, modelos da agência Mega, empresários como Nelson Kaufman, da Vivara, e Tania Bulhões, expert em decoração. "Nunca atendemos ninguém de graça", garante Kyrillos, que admite conceder descontos de 50% para um ou outro famoso. "Mas jamais divulgamos fotos feitas antes do tratamento."

O consultório foi inteiramente pensado para o mercado AAA. "Eles vendem sorrisos e o ambiente da clínica deve evocar isso", explica o consultor Carlos Ferreirinha, contratado para ajudar a bolar o projeto. Como tudo no mundo do luxo, os preços são para poucos. Cobram-se 450 reais pela primeira consulta, para o diagnóstico dos problemas bucais. Reformar um sorriso por completo – odontologia estética é a especialidade dos Marcelos – custa de 18.000 a 102.000 reais, valor que não inclui tratamentos de canal, obturações nem implantes. Se alguém sentir o bolso doer, terá um consolo: terminado o trabalho, o brinde é uma sessão de fotos num estúdio montado por lá, com supervisão do fotógrafo André Schiliró. Xis!

Fonte: VEJA SÃO PAULO