Teatro

Claudia Raia vive dançarina de cabaré em busca do príncipe

Atriz sonha em montar o musical Sweet Charity desde os 17 anos

Por: Katia Calsavara - Atualizado em

Charity Hope Valentine é uma prostituta ingênua, por mais que as duas coisas pareçam não combinar muito bem. Mesmo depois de ser roubada e empurrada em um lago pelo namorado, a protagonista do musical Sweet Charity insiste em buscar o amor verdadeiro. Essa história, baseada no filme Noites de Cabíria (1957), de Federico Fellini, sempre encantou a atriz Claudia Raia. Tanto que há três anos ela comprou os direitos do espetáculo, que finalmente estréia no sábado (16), no Citibank Hall, em Moema. A versão original para a Broadway foi dirigida em 1966 por um dos mais importantes coreógrafos da história dos musicais, Bob Fosse (1927-1987), responsável também por Chicago, Cabaret e All That Jazz. "Sempre dancei as criações de Fosse, que são minimalistas e ao mesmo tempo muito sensuais", conta Claudia, que desde julho vinha ensaiando cerca de oito horas por dia. Claudia Raia sonhava em interpretar Charity havia dezessete anos. O projeto foi adiado várias vezes. "Hoje sei que não tinha nem idade nem o know-how necessários para o papel", diz ela, que está com 39 anos. "Minha Charity é clownesca, trágica, brincalhona e moleca." A produção brasileira tem o apoio da CIE Brasil, subsidiária do grupo mexicano Corporación Interamericana de Entretenimiento, e custou cerca de 900.000 reais. É bem menos que os custos de Cats (2,1 milhões de reais), A Bela e a Fera (8 milhões de reais) e O Fantasma da Ópera (21 milhões de reais), este último em cartaz no Teatro Abril até dezembro. Ao contrário da maioria dos musicais da Broadway encenados ultimamente na cidade, que seguiram à risca o texto e a montagem original, os diretores Claudio Botelho e Charles Möeller tiveram liberdade para adaptar a obra. "Em Sweet, pudemos até incluir um sambinha", afirma Botelho. Outra mudança foi a troca de um número, que nos Estados Unidos era interpretado com figurino de baliza (típica dançarina de paradas americanas), por outro em que a protagonista baila com garotões. "Ia ficar parecendo uma paquita", acredita Claudia. Para remontar as coreografias, ela convidou Alonso Barros, paulista radicado em Viena há dezessete anos e profundo conhecedor da obra de Bob Fosse. Os arranjos musicais de Cy Coleman foram preservados, bem como a dramaturgia de Neil Simon. As cenas clássicas da montagem – que virou filme dirigido pelo próprio Fosse em 1969, estrelado por Shirley MacLaine e com o título no Brasil de Charity, Meu Amor – também estão todas na recriação brasileira. Uma das mais famosas é quando Charity fica presa em um elevador com o terceiro rapaz por quem se apaixona na peça, o corretor Oscar Lindquist, interpretado pelo ator Marcelo Médici. Antes dele, Charity se decepciona com o charlatão Charlie e com o galã de cinema Vittorio Vidal. "Apesar de tudo, ela sempre acha que o grande amor de sua vida vai chegar a qualquer momento", diz Claudia. Sweet Charity (160min, com dois intervalos). Citibank Hall (1.170 lugares). Avenida dos Jamaris, 213, Moema, tel: 6846-6040. Quinta e sexta, 21h; sábado, 17h e 21h; domingo, 18h. R$ 60,00 a R$ 120,00. Bilheteria: 12h/20h (seg. a qua.); a partir das 12h (sex.) e das 14h (sáb. e dom.). Cc.: todos. Cd.: R e V. Estac. c/manobr. (R$ 20,00). Até 17 de dezembro. Estréia prometida para sábado (16). Curiosidades da peça: participam da produção 200 pessoas, entre atores, equipe de criação e técnicos de montagem, som e iluminação; cerca de 350 artistas fizeram testes para integrar o elenco, que tem 27 atores-bailarinos; foram confeccionados 120 figurinos especialmente para o espetáculo; um piso especial para dança, com camadas de borracha que amortecem os movimentos, será montado sobre o palco do Citibank Hall; dois pequenos palcos ficam ao lado do principal. À direita do público estará a ambientação do Central Park. À esquerda, a orquestra, com treze músicos; três camadas de prédios cenográficos são sobrepostas para compor o skyline de Nova York; um elevador cênico sobe do fosso ao palco; na montagem do cenário foram usadas 11 toneladas de ferro e 5 de madeira.

Fonte: VEJA SÃO PAULO