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"Cinquenta Tons de Cinza" aquece o mercado das butiques eróticas

O sucesso do livro provoca aumento do movimento de mulheres nas butiques eróticas

Por: Carolina Romanini - Atualizado em

Ana Paula e Ana Maria, donas da da Revelateurs. Cinquenta Tons de Cinza
Ana Paula e Ana Maria, da Revelateurs: a procura triplicou em setembro (Foto: Mario Rodrigues)

Desde o lançamento no Brasil dos dois primeiros volumes da série Cinquenta Tons de Cinza, da inglesa Erika Leonard James, as empresárias Ana Maria Delarcina Faro e Ana Paula Nogueira Delarcina, irmãs e sócias da butique erótica Revelateurs, em Moema, estão rindo à toa. Motivadas pela ficção classificada como “pornô para mamães”, novas clientes não param de surgir: as vendas triplicaram em setembro. “Outubro vai fechar com os mesmos números e, para novembro, quando será lançado o último volume da trilogia, a expectativa é de um crescimento ainda maior”, afirma Ana Maria. Outro endereço do ramo em Moema, a Constantine registrou o dobro do movimento nos últimos dois meses. A Loja do Prazer, uma das maiores do comércio virtual, e a Adão e Eva, importante fabricante de acessórios eróticos, registraram aumento de 15% nas encomendas durante o mesmo período.

O best-seller Cinquenta Tons de Cinza, da inglesa Erika Leonard James
O best-seller "Cinquenta Tons de Cinza": escrito pela inglesa Erika Leonard James (Foto: Divulgação)

Para atender a essa demanda, os empresários precisaram rebolar. Na Revelateurs, por exemplo, produtos citados no livro — como algemas, máscaras e chicotinhos — sumiram das prateleiras. “Fizemos pedidos adicionais às pressas aos fornecedores, pois ficamos sem estoque”, conta Ana Paula. Na Loja do Prazer, algumas regras de marketing foram quebradas. “Temos uma política de não repetir uma campanha em um período de três meses, mas abrimos uma exceção para o livro, que já teve três ações comerciais desde o seu lançamento”, diz Daniel Passos, fundador e dono do site.

A butique erótica Constantine, em Moema
A loja Constantine, em Moema: cursos com lotação máxima (Foto: Fernando Moraes)

A Constantine é a casa que mais vem pegando carona no sucesso. Logo na entrada, a psicóloga Luciana Keller montou um estande com os produtos citados na trama e criou um curso inspirado na história do casal Anastasia e Christian Grey. A especialista lembra que, na obra, o dominador personagem masculino apresenta uma patologia, o sadismo — obtém prazer com o sofrimento do parceiro. As aulas não chegam tão longe. Nos encontros, a técnica ensinada é a do fetiche, uma mera encenação. “A mulher que nos procura quer apimentar a relação, não apanhar”, entende Luciana. No último mês, a Constantine também passou a realizar ensaios inspirados no livro. A loja vende o pacote de produção e fotografia, além de servir de cenário para o trabalho. Em outubro, três sessões já foram organizadas ali ao custo de R$ 1.700,00 cada uma.

Constantine - Luciana Keller, dona da butique erótica Constantine em MOEMA
Luciana Keller, da Constantine: acessórios, cursos e ensaios fotográficos inspirados no livro (Foto: Fernando Moraes)

Espécie de guru paulistana das técnicas de sedução, com experiência de mais de dezoito anos no ramo, a sensual coach Fátima Moura também viu seu negócio progredir. Até agosto, ministrava mensalmente de três a quatro palestras. Agora são seis. “As aulas são para um público AAA”, diz. “Esse enredo, diferentemente de outros fenômenos que envolvem o negócio do sexo, atingiu as classes mais altas”, completa. Segundo uma pesquisa feita neste ano pela Sophia Mind, empresa especializada no mercado feminino, mulheres da classe B entre 25 e 30 anos com formação superior são as que mais compram hoje em sex shops.

O casal Fábio Potter Marchi e Adriana Acevedo Marchi compraram 1 000 reais na Constantine (boutique erótica). Cinquenta Tons de Cinza
Marchi e Adriana: cerca de 1.000 reais em compras (Foto: Mario Rodrigues)

Essa não é a primeira vez que a ficção inspira a realidade dos casais. O mesmo fenômeno ocorreu após o lançamento do filme Striptease (1996) e, mais recentemente, com a repercussão da personagem Alzira, dançarina de pole dance interpretada por Flávia Alessandra na novela Duas Caras (2007), da Globo. “O interessante é que, desta vez, o assunto mexeu também com os homens”, observa Fátima. A consultora de moda Adriana Alicia Acevedo Marchi usou o livro como ferramenta para apimentar o casamento de um ano e meio com o empresário Fábio Marchi. “Lia trechos para ele antes de dormir”, afirma. Como o marido logo entrou no clima, Adriana tomou coragem e passou a procurar novos acessórios. “Cheguei a gastar cerca de R$ 1.000,00 em produtos”, conta ela.

 

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ENDEREÇOS:

Constantine. Rua Gaivota, 1311, Moema, tel.: 5042-2760.

Revelateurs. Rua Gaivota, 1502, Moema, tel.: 5561-9552.

Fonte: VEJA SÃO PAULO