Cinema

Última chance para ver cinco bons filmes

Augustine, Branca de Neve e outras produções que saem de cartaz em breve

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

Augustine
'Augustine': Soko e Vincent Lindon, estudos sobre a histeria (Foto: Divulgação)

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  • Em 1885, a jovem Augustine (a talentosa atriz Soko), de 19 anos, servia seus ricos patrões quando teve uma constrangedora convulsão que a deixou com o olho esquerdo paralisado. Levada por uma prima ao hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris, a moça passa a ser analisada pelo experiente neurologista Jean-Martin Charcot (Vincent Lindon). Augustine, que nunca menstruou e é virgem, vira cobaia do doutor em seus estudos sobre a histeria. Inspirado num trecho da vida de Charcot (1825-1893), o drama de estreia da diretora e roteirista francesa Alice Winocour tem classe e foge do esquema didático para focar a delicada relação de poder instalada entre médico e paciente. Estreou em 28/6/2013.
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  • Sombria, trágica e adulta, esta adaptação do conto dos irmãos Grimm foi ambientada na Espanha do início do século XX, quando as touradas polarizavam a diversão e os toureiros eram ídolos - entre eles, Antonio Vilalta (Daniel Giménez Cacho). Acidentado na arena, ele fica tetraplégico no mesmo dia em que sua mulher dá à luz e morre no parto. Contudo, a pequena Carmencita (Sofía Oria) tem uma infância feliz ao lado da avó (Ángela Molina). O destino, porém, será ingrato: a garota vira uma escrava nas mãos de sua pérfida madrasta (Maribel Verdu) na mansão do pai inválido. Adulta e interpretada por Macarena García, Carmen foge com uma trupe de seis (e não sete) anões toureiros. Na linha do francês O Artista, o drama é uma joia rara com esplêndida direção de arte e fotografia em preto e branco. Mudo, traz apenas intertítulos e trilha sonora para conduzir uma história conhecida e contada de uma forma original. Estreou em 5/7/2013. É campeã: a fita levou dez prêmios no Goya, o oscar espanhol, incluindo melhor filme e direção.
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  • Dez anos atrás, o italiano Bernardo Bertolucci retratou no fabuloso Os Sonhadores o Maio de 68, período em que os estudantes franceses saíram às ruas para pedir mudanças políticas e sociais. Agora, é a vez de Olivier Assayas (Horas de Verão) retomar a rebeldia dos jovens em uma convulsiva trama ambientada bem no início da década de 70. Nascido em 1955, o cineasta tinha a mesma idade do protagonista naquela época e usa passagens autobiográficas no drama. Gilles (Clément Métayer), aos 16 anos, é instigado pelos colegas a participar de manifestações em Paris. Depois de agredirem violentamente um segurança da escola, os rapazes decidem escapar de uma futura investigação fugindo para a Itália. Lá, vivem no dolce far niente, experimentam drogas, transam sem compromisso... Gilles também conhece o amor nos braços de Christine (Lola Créton), reforça sua habilidade para desenhar e se aproxima do cinema documental. Em narrativa fluente, o longa-metragem faz um registro autêntico de quem realmente viveu a época. Estreou em 25/04/2013.
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  • Entre os tantos caminhos abertos pelo documentário brasileiro, poucos oferecem tantas armadilhas quanto o do registro em primeira pessoa. Como transformar, por exemplo, uma tragédia íntima em um filme abrangente? A diretora mineira Petra Costa, de 29 anos, passa no teste em Elena, seu longa de estreia, vencedor de quatro prêmios no Festival de Brasília de 2012: melhor documentário (segundo o júri popular), direção, montagem e direção de arte. A cineasta foi a Nova York para repetir uma viagem feita no fim da década de 80 pela irmã mais velha, Elena — na época, ela queria tentar a sorte como atriz. Não convém revelar quando ou como Elena morreu; afinal, quanto menos se sabe, maior o impacto. Apesar do excesso de cacoetes de fitas de arte (são muitas as cenas desfocadas, além da narração em off excessiva), Petra usa um rico acervo de imagens para compartilhar com o público a dor da perda e as tentativas difíceis de superação. Estreou em 10/05/2013.
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  • Prepare-se para um provável momento de nostalgia: quem cresceu nos anos 80 se pegará murmurando a melodia de Faroeste Caboclo, um dos hits do fim daquela década, logo no começo do filme dirigido por René Sampaio. Para ouvir os nove minutos da faixa, porém, será preciso esperar até os créditos finais. Antes disso, o cineasta transforma a saga da banda Legião Urbana num drama violento, vibrante e tecnicamente impecável que, apesar de não convencer nas passagens mais intimistas, supera o desafio de transportar o público para o universo da canção. Na trama, o migrante João de Santo Cristo (Fabrício Boliveira, ótimo) vai tentar a vida em Brasília, onde vende drogas, apaixona-se por Maria Lúcia (Isis Valverde) e provoca o traficante Jeremias (Felipe Abib). O western abrasileirado soa como uma espécie de lado B para a cinebiografia Somos Tão Jovens, também em cartaz. Em vez de retratar a vida de Renato Russo, Sampaio investiga o imaginário do compositor. O filme estreou em 30/05/2013 e, em seu primeiro fim de semana em cartaz, foi visto por 363 mil espectadores _terceiro lugar de bilheteria, atrás de Velozes e Furiosos 6 e Se Beber, Não Case! - Parte 3, respectivamente .  Ouça este filme: a ótima trilha sonora foi selecionada por Philippe Seabra, da banda brasiliense Plebe Rude
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Fonte: VEJA SÃO PAULO