Cinema

'Cidades de Papel' destaca-se entre as estreias da semana

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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O feriado de 9 de julho coincide com umas das piores semanas de estreias nos cinemas. Nem mesmo Cidades de Papel, o principal e maior lançamento, consegue ser, no minímo, razoável. Inspirado no livro homônimo de John Green, o autor de A Culpa É das Estrelas, o filme pretende fazer um registro do universo teen, mas não empolga.

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A dica, portanto, vai para Samba, comédia dramática dos mesmos diretores de Intocáveis, que traz no elenco o simpático Omar Sy, no papel de imigrante ilegal em Paris.

Por onde andam os atores dos dois primeiros filmes da cinessérie ‘O Exterminador do Futuro’?

Não perca tempo com os outros lançamentos: a fraca animação As Aventuras dos Sete Anões, o improvável drama alemão Phoenix e, ainda pior, a cinebiografia Neruda, sobre o maior poeta chileno, que tem cara de telefilme ruim.

 

  • É uma loucura levar a criançada para ver As Aventuras dos Sete Anões com Divertida Mente e Minions em cartaz. Caso os pequenos já tenham visto as melhores animações nos cinemas, até vá lá. Produção alemã de segunda linha, o desenho animado tem técnica que deixa a desejar e uma historinha para boi dormir. Para começar, os protagonistas possuem estatura e físico de homens minúsculos — e não de anões. Outro problema está na trama fajuta, uma mistura evidente de elementos de Branca de Neve, Como Treinar o Seu Dragão, A Noiva Cadáver e até do hit Frozen. Nela, a princesa Rose sofre uma maldição provocada pela “fantasma” Dellamorta. A consequência: a moça e o pessoal de seu castelo ficam congelados. Para reverter o feitiço, os sete anões encaram uma, digamos, aventura para procurar Jack, o prometido de Rose que deve beijá-la e, assim, a situação voltar ao normal. Estreou em 9/7/2015.
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  • Com mais de 6 milhões de espectadores, A Culpa É das Estrelas foi recordista de público no Brasil em 2014. Seu escritor, John Green, bancou o espertinho ao ser um dos produtores executivos de Cidades de Papel, longa-metragem também inspirado em livro de sua autoria. Embora se espere que a renda nas bilheterias seja gorda, a adaptação é uma furada. Tão bem explorado no filme anterior, o cotidiano dos adolescentes atinge aqui um grau insípido (e muitas vezes sonolento). Dá saudade, por exemplo, dos trabalhos assinados por John Hughes na década de 80, como Clube dos Cinco e Curtindo a Vida Adoidado. Em Cidades de Papel, o protagonista, Quentin (interpretado de forma insossa por Nat Wolff), é um jovem de 18 anos que, desde criança, tem uma queda por sua vizinha, Margo (Cara Delevingne). O tempo tratou de afastá-los. Enquanto ele se entregou à vidinha careta, ela mostrou ser uma garota disposta a conquistar a liberdade muito cedo. Os dois se reencontram quando ela pede a Quentin que a ajude a se vingar do namorado e da melhor amiga. No dia seguinte, Margo desaparece. A história se desenrola, até aqui, numa simpática mistura de ação, humor e romance platônico. Não demora para a trama ganhar características de um road movie e ser acrescida de dois personagens insuportáveis, Radar e Ben, amigos do protagonista e interpretados pelos péssimos atores Justice Smith e Austin Abrams. Os poucos conflitos evaporam e manjadas frases de efeito (tipo “precisei me perder para me encontrar”) dominam um curtíssimo repertório sobre o universo teen. Estreou em 9/7/2015.
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  • O diretor e roteirista Christian Petzold já havia sido superestimado por seu trabalho anterior, Barbara, indicação da Alemanha ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2013. A volta ao cinema se dá com Phoenix, longa-metragem cuja credibilidade da trama se esvai em meia hora. Logo após o término da II Guerra, a cantora judia Nelly Lenz (Nina Hoss) volta a Berlim. Ela saiu de um campo de concentração com o rosto desfigurado e, assim como a fênix, o pássaro mitológico renascido das cinzas, pretende refazer a vida. Embora tenha indícios de que o marido a entregou aos nazistas, Nelly sai à sua procura depois de passar por uma plástica e ganhar outra face. No reencontro com Johnny (Ronald Zehrfeld), ele não a reconhece. Além do argumento absurdo, o filme falha na continuidade de cenas e apresenta uma heroína de comportamento irritante. Assim, fica difícil compartilhar da dor da personagem. Estreou em 9/7/2015.
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  • O drama biográfico tem início em 1971 quando o poeta Pablo Neruda recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, em 1971. Logo a ação se desloca para 1948. Neruda (interpretado por José Secall), então senador oposicionista, passou a ser perseguido pelo governo do presidente González Videla e precisou de ajuda para fugir do Chile. Em produção com cara de telefilme barato, o roteiro não faz jus à importância cultural de seu protagonista e foca um trecho restrito (e de pouca relevância) da vida de Neruda (1904-1973). Estreou em 9/7/2015.
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  • Comédia dramática

    Samba - Filme
    VejaSP
    6 avaliações
    Olivier Nakache e Eric Toledano foram responsáveis por Intocáveis (2011), um dos maiores sucessos do cinema francês dos últimos anos. Revelação do filme anterior, o ator Omar Sy volta no recente trabalho dos diretores na pele do protagonista Samba, um senegalês que mora ilegalmente em Paris há dez anos. Ele faz bicos em restaurantes e é preso por agentes do departamento de imigração. Na outra ponta da história está Alice (Charlotte Gainsbourg), executiva em licença médica cujo novo trabalho é colaborar com uma ONG que tenta regularizar a situação dos clandestinos no país. O destino se encarrega de fazer o encontro de Samba e Alice. Enquanto ele tem energia contagiante (muito semelhante à de seu personagem em Intocáveis), a moça se encaixa num quadro depressivo. Não à toa, os realizadores usam a mesma fórmula de antes: uma combinação de drama e humor com uma pegada mais alto-astral. A graça da trama, contudo, vem da presença do francês Tahar Rahim. Quase sempre visto em papéis sisudos, o ator de origem argelina interpreta um brasileiro e rouba a cena ao ensaiar um strip-tease ao som de Palco, de Gilberto Gil. Estreou em 9/7/2015.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO