Cinema

'A Travessia' e 'Peter Pan' são as principais estreias

Trajetória de um corajoso equilibrista e aventura infantil dominam a maioria das salas  

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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São onze estreias, algumas delas imperdíveis. Para serem vistos em salas 3D, A Travessia e Peter Pan são os principais lançamentos da semana e ocupam grande parte dos cinemas de São Paulo. O primeiro é dirigido pelo craque Robert Zemeckis (de Náufrago) e narra a história verídica de um equilibrista francês que, em 1974, atravessou, em um cabo de aço, as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York.

Também vale uma espiada a versão de Joe Wright (do drama Desejo e Reparação) para Peter Pan, agora mostrado como um menino órfão na Londres da II Guerra. 

Para quem prefere cinema europeu também há boas opções. Viver É Fácil com os Olhos Fechados foi indicado pela Espanha para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro. E da França chegam dois longas-metragens notáveis: Respire, sobre o relacionamento de duas estudantes, e Lulu, Nua e Crua, que cobre alguns dias de uma mulher casada disposta a curtir a vida longe do marido e dos filhos. 

Igualmente atraente (e numa linha mais exótica), vale arriscar Bwakaw, comédia dramática filipina a respeito de um septuagenário que sai do armário tardiamente. 

  • O documentário apresenta três famílias, de São Paulo, do Rio Grande do Sul e do Ceará, e enfoca as transformações econômicas que elas tiveram ao longo dos anos. Estreou em 8/10/2015.
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  • Ambientado na década de 80, o drama tem como protagonista o esperto Eyad (Tawfeek Barhom). Palestino que mora em Israel, ele consegue ingressar numa prestigiada faculdade de Jerusalém e terá de conviver com a hostilidade entre árabes e judeus. Estreou em 8/10/2015.
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  • Diretor de O Albergue, Eli Roth mistura suspense e terror numa trama estrelada por Keanu Reeves. O ator interpreta Evan Webber, marido e pai dedicado que, sozinho numa noite chuvosa, decide abrir a porta para duas mulheres. À primeira vista, a intenção das misteriosas visitantes é seduzi-lo. Mas o pesadelo está apenas começando. Estreou em 8/10/2015.
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  • Comédia dramática

    Bwakaw
    VejaSP
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    Rene (papel de Eddie Garcia) só saiu do armário aos 70 anos. Vivendo em um vilarejo rural das Filipinas, o protagonista de Bwakaw (nome de sua vira-lata) é um sujeito amargo, ranzinza e intransigente. Mesmo aposentado, insiste em trabalhar como faxineiro numa agência de correio. Ele espera a morte chegar e, em sua casa, conserva seus pertences encaixotados e já destinados aos amigos. Rene rejeita o rótulo de gay e resiste a sair da solidão. Mas, ao conhecer um taxista brucutu, decide apostar suas fichas numa paixão aparentemente platônica. Drama e humor encontram-se num raro longa-metragem das Filipinas a estrear no circuito comercial. De tom leve, por vezes mórbido e bastante melancólico, o filme, além de trazer à tona um personagem singular, suaviza a tristeza com um desfecho reconfortante. Estreou em 8/10/2015.
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  • O drama nacional mostra como duas noivas (papéis de Patricia Niedermeier e Ana Abbott) reagem às vésperas do casamento. À espera da cerimônia na igreja, elas fazem uma reflexão sobre a vida. Estreou em 8/10/2015.
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  • Ação / Suspense

    Horas de Desespero
    VejaSP
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    Após a falência de sua empresa nos Estados Unidos, Jack Dwyer (Owen Wilson) aceita o convite para trabalhar num país (fictício) do Sudeste Asiático. A chegada com a mulher (Lake Bell) e as duas filhas beira o caos. Na saída às ruas para comprar um jornal, Dwyer percebe que um confronto entre militares e guerrilheiros está prestes a transformar o local no palco de uma batalha sangrenta. No retorno ao hotel, vê um estrangeiro sendo executado. Sua missão, agora, é proteger a família e buscar ajuda para chegar à embaixada americana. Quase sempre visto em comédias, Owen Wilson surpreende num papel atípico e segura as pontas como um “herói” comum. Também funciona muito bem a enérgica direção de John Erick Dowdle — um especialista em fitas de terror como Quarentena —, que imprime um ritmo ágil e nervoso à trama. Estreou em 8/10/2015.
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  • Comédia dramática

    Lulu, Nua e Crua
    VejaSP
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    A diretora Sólveig Anspach, islandesa radicada na França, morreu em 7 de agosto, aos 54 anos. Deixou, porém, um eficiente recado para as mulheres no drama Lulu, Nua e Crua. Na linha do sucesso Pão e Tulipas (2000), a história cobre alguns dias da vida de Lucie (ou Lulu), interpretada pela talentosa Karin Viard. Após ser praticamente humilhada numa entrevista de emprego, essa quarentona perde o trem na volta para casa. Decide, então, hospedar-se num hotel e pernoitar em Saint Gilles Croix de Vie, cidade do litoral do oeste da França. No dia seguinte, cobrada pelo marido e pela irmã, resolve dar um tempo da família (ela tem três flhos) e curtir a liberdade que, há tempos, perdeu. No encontro com um romântico ex-presidiário (Bouli Lanners) e com uma senhora solitária (Claude Gensac), Lulu ganha motivos para mudar. Em troca, mostra-se afetiva e generosa. Não há muita originalidade no desfecho, mas a cineasta (e também roteirista) mantém o interesse da plateia pelos rumos inesperados que dá à jornada da protagonista. Estreou em 8/10/2015.
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  • Você pode torcer o nariz para mais uma versão para o cinema da história do “menino que nunca cresceu”. Mas o novo Peter Pan tem diferenças consideráveis se comparado com o desenho homônimo da Disney, de 1953, e até com a adaptação com atores feita por Steven Spielberg, Hook (1991). A trama volta no tempo para mostrar como Peter (papel do eficiente Levi Miller) chegou à Terra do Nunca e deu início à amizade com Gancho — sim, nos primórdios, eles não eram inimigos. Deixado pela mãe num orfanato de Londres durante a II Guerra, Peter e outras crianças são raptados pelo temível pirata Barba Negra (Hugh Jackman) e levados como escravos para uma mina. Lá, dão duro para encontrar algo valioso para o vilão: o pó das fadas. É no mesmo local que Peter conhece seu futuro rival, Gancho (Garrett Hedlund), um rapaz dissimulado e com sede de liberdade. Diretor dos caprichados dramas Desejo e Reparação (2007) e Anna Karenina (2012), o inglês Joe Wright dá à produção um toque de modernidade em meio a figurinos extravagantes e efeitos visuais que fogem ao lugar-comum (vale ver em uma sala 3D). Em um momento arrebatador, o cineasta põe Jackman mais um coro de meninos para cantar Smells Like Teen Spirit, do Nirvana. Paira uma dúvida no ar. Trata-se ou não de um filme infantil, embora a classificação indicativa seja livre? Levado em clima de aventura, Peter Pan usa muito bem a fantasia e a imaginação, porém tem momentos dramáticos e algumas sequências mais tensas e pesadas para os menorzinhos. Estreou em 8/10/2015.
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  • A francesa Mélanie Laurent ganhou fama internacional no papel da vingativa Shosanna, de Bastardos Inglórios. Revela-se uma talentosa diretora e roteirista em seu segundo longa-metragem. O drama Respire invade um colégio de adolescentes para mostrar a transformação na vida de Sarah (Lou de Laâge). Com a chegada à escola da exuberante Charlie (Joséphine Japy), a garota parece ter encontrado uma nova companheira. Enquanto Sarah é tímida, Charlie se enturma facilmente. Um feriado no campo fará com que as amigas se envolvam em laços afetivos, mas com consequências amargas. A diretora comanda um registro da paixão obsessiva com elegância, sobriedade e um desfecho avassalador. Respire fundo após a sessão. Estreou em 8/10/2015.
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  • Desde Náufrago (2000) que Robert Zemeckis não apresentava um trabalho tão azeitado. Esta empolgante aventura dramática foi inspirada em uma história real e já levada ao cinema em O Equilibrista, vencedor do Oscar de melhor documentário em 2009. Trata-se da corajosa (e não menos insana) empreitada do francês Philippe Petit (Joseph Gordon-Levitt), um jovem artista de rua que, depois de treinado por um veterano circense (Ben Kingsley), se tornou um obstinado equilibrista. Seu maior feito, mostrado detalhadamente no longametragem, é de tirar o fôlego e dar vertigem — recomenda-se vê-lo em uma sala com projeção em 3D para “sentir” melhor o efeito. Petit saiu da França acompanhado da namorada (Charlotte Le Bon) e, em Nova York, encontrou uma turma de amigos para ajudálo a realizar a façanha. Em 6 de agosto de 1974, eles estenderam um cabo de aço entre as torres gêmeas do World Trade Center para Petit fazer a travessia. Extraído do livro autobiográfico To Reach the Clouds, o roteiro traz aflitiva tensão em formato de thriller. O americano Gordon-Levitt, bastante empenhado nas acrobacias, defende-se bem falando inglês com sotaque ou em curtas frases na língua francesa. Estreou em 8/10/2015.
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  • Indicado pela Espanha para concorrer ao Oscar 2015 de melhor filme estrangeiro, Viver É Fácil com os Olhos Fechados não entrou na disputa e se saiu melhor no Goya, troféu equivalente de seu país. Levou os prêmios de melhor longa-metragem, roteiro, direção, ator (Javier Cámara), atriz revelação (Natalia de Molina) e trilha sonora, assinada por Pat Metheny. Inspirada em personagem real, a história é ambientada em 1966 e traz a trajetória de Antonio San Román (Cámara, o enfermeiro de Fale com Ela). Ele leciona inglês numa escola de Albacete e se mostra profundo conhecedor e grande fã dos Beatles. Quando descobre que John Lennon está rodando o filme Como Eu Ganhei a Guerra, na região de Almería, não pensa duas vezes e pega a estrada em busca de um encontro com seu ídolo. Dois caronistas embarcam na jornada: o adolescente Juanjo (Francesc Colomer), que fugiu de casa, e a jovem grávida Belén (Natalia de Molina). Com tom nostálgico e rica recriação de época, David Trueba comanda um road movie sensível sem jamais escorregar na pieguice. Curiosidade: o título é uma tradução do verso “Living is easy with eyes closed”, da canção Strawberry Fields Forever, de Lennon. Estreou em 8/10/2015.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO