Cinema

Vencedor da Palma de Ouro e último filme de Coutinho entre as estreias

Winter Sleep, premiado em Cannes, faz crônica social da Turquia. Outros nove longas entram em cartaz

Por: Veja São Paulo - Atualizado em

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Mais importante diretor turco da atualidade, Nuri Bilge Ceylan dirige Winter Sleep, filme que levou o prêmio máximo no Festival de Cannes do ano passado. Na trama, um ator e sua esposa tocam um pequeno hotel na Anatólia. Com a chegada do inverno, o estabelecimento torna-se um refúgio para eles, onde tem início uma série de conflitos pessoais.

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Também em estreia, o documentário Últimas Conversas é o derradeiro filme de Eduardo Coutinho, morto em fevereiro de 2014. Ele não finalizou o longa e chegou a demonstrar insatisfação com o resultado das filmagens. João Moreira Salles, como diretor, e Jordana Berg, como montadora, foram responsáveis por terminar o projeto.

Confira as salas e horários:

  • Comédia dramática

    Cala a Boca, Philip
    VejaSP
    Sem avaliação
    É evidente a influência de Woody Allen na comédia Cala a Boca, Philip. Além das pinçadas locações em Nova York, ambiente familiar na filmografia de Allen, o jovem diretor Alex Ross Perry traz um personagem verborrágico e utiliza uma coloração à moda dos anos 70 na fotografa. O protagonista é Philip (Jason Schwartzman), um escritor cujo ego se revela maior do que sua altura. Dono de um livro de sucesso, ele se recusa a promover sua segunda publicação e, em crise com a namorada (Elisabeth Moss), aceita o convite de um renomado autor (papel de Jonathan Pryce) para passar uma temporada em sua casa de campo. As experiências de vida do veterano colega são passadas para o novato e entojado Philip, que começa a refletir sobre a vida. Na base da autoanálise, a comédia dramática se apoia em diálogos consistentes, mas, assim como seu protagonista, resulta pedante e pretensiosa. Estreou em 7/5/2015.
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  • Em tempos bicudos de intolerância, chega em boa hora às telas um documentário que trata abertamente da diversidade sexual. A diretora e psicanalista Miriam Chnaiderman expõe, em De Gravata e Unha Vermelha, casos curiosos de transexuais (masculinos e femininos) e colhe confissões, muitas vezes emocionantes, de homossexuais. O estilista Dudu Bertholini, curador do projeto, surge em cena também como entrevistador. Há valor histórico nos registros, embora alguns relatos chovam no molhado, a exemplo daqueles feitos pelo cantor Ney Matogrosso e pelo(a) cartunista Laerte. Miriam dispersa um pouco o foco ao abordar um grupo de gaúchos héteros que se vestem de mulher no Carnaval. Faz falta, também, o depoimento de lésbicas, além de uma unidade cinematográfica para enriquecer o painel. Estreou em 7/5/2015.
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  • Durante a II Guerra, cerca de 25 000 soldados brasileiros foram enviados à Itália. A história de A Estrada 47 enfoca o drama de quatro deles. Depois de passar um sufoco no alto de uma montanha, Guima (Daniel de Oliveira), Tenente (Julio Andrade), Laurindo (Thogun Teixeira) e Piauí (o ótimo Francisco Gaspar) encontram abrigo numa casa abandonada. Lá, conhecem um repórter fotográfico (papel do português Ivo Canelas), que vai acompanhá- los numa difícil missão. O quarteto terá de encontrar e desarmar minas terrestres na estrada do título para os americanos chegarem a uma pequena cidade isolada. Em requintada produção de época, bancada por Brasil, Itália e Portugal, a trama tem lá seus momentos de suspense e drama, além de um argumento bastante original no cinema nacional. Contudo, as dificuldades enfrentadas pelo diretor Vicente Ferraz (de Soy Cuba, o Mamute Siberiano), sobretudo nas filmagens sob rigoroso inverno, são refletidas no ritmo trôpego da narrativa — ora o filme dá uma boa arrancada, ora só pega no tranco. Estreou em 7/5/2015.
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  • O primeiro filme reuniu um grupo de atores ingleses da terceira idade em aventuras e desventuras na Índia. Era uma simpática comédia com dramas e romances plausíveis, temperada em locações em Jaipur. Não havia motivo nenhum (a não ser o de caçar níqueis) para o longa-metragem ganhar uma continuação. Quatro anos depois, eis que surge O Exótico Hotel Marigold 2, com o mesmo elenco e a presença caça-mulherada do galã grisalho Richard Gere. Na nova trama, Muriel Donnelly (Maggie Smith) virou uma senhora mais amigável e ajuda o jovem indiano Sonny Kapoor (Dev Patel, numa atuação estridente e insuportável) a tocar seu hotel. Ambos voltam dos Estados Unidos com a esperança de unir o Marigold a uma rede hoteleira americana. Os velhos hóspedes de antes permanecem por lá. Evelyn Greenslade (Judi Dench), aos 78 anos, arrumou um emprego e está sendo paquerada pelo amigo Douglas Ainslie (Bill Nighy). O misterioso escritor Guy Chambers (Gere) caiu de amores pela mãe do proprietário (papel de Lillete Dubey) enquanto o ex-casal Madge (Celia Imrie) e Norman (Ronald Pickup) continua às voltas com amantes e pretendentes. São conflitos banais, muitas vezes tratados com infantilidade, para o ótimo elenco mostrar seu valor. Estreou em 7/5/2015.
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  • Dono de duas estatuetas do Oscar de melhor ator (por Sobre Meninos e Lobos e Milk), Sean Penn se mete numa roubada em O Franco-Atirador. O astro interpreta Terrier, um mercenário contratado para matar um ministro no Congo. Ele faz o serviço e sai de cena com medo de represália, deixando a namorada para trás (Jasmine Trinca). Anos depois, no mesmo país africano, ajuda uma ONG, quando é vítima de um atentado. Terrier sobrevive e vai atrás de Felix (Javier Bardem), seu antigo contratante e agora um empresário bem-sucedido na Espanha que, surpresa!, fisgou a amada do colega. O diretor francês Pierre Morel tem duas bombas no currículo, Busca Implacável (2008) e Dupla Implacável (2010). Aqui, não chega a realizar algo tão sofrível, mas nem as cenas de suspense e ação conseguem escapar do trivial. Estreou em 7/5/2015. 
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  • Redator da Rede Globo, Mathias (Bruce Gomlevsky) se suicida em seu apartamento, em Copacabana. O porteiro (Lázaro Ramos) e a mulher dele (Roberta Rodrigues) são os primeiros a encontrar o corpo. Entram, então, na casa outros personagens: o síndico (Otávio Augusto), a esposa dele (Susana Vieira), um agente funerário (Lúcio Mauro Filho), dois policiais (Juliano Cazarré e Thiago Rodrigues)... Em produção modesta e com uma única câmera estática no mesmo cenário, a trama da comédia Sorria, Você Está Sendo Filmado promete ser um teatro gravado nos moldes dos programas Sai de Baixo e Vai que Cola. A intenção do diretor e roteirista Daniel Filho foi, além de original, ousada. É pena que o resultado fique muito aquém das expectativas. O elenco marca boa presença, sobretudo Susana e Cazarré. Infelizmente, o texto não está à altura dos atores. A graça passa de raspão e resta um gosto de constrangimento no ar. Estreou em 7/5/2015.
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  • A comédia faz uma sátira à franquia Velozes & Furiosos aproveitando o mote do primeiro filme. Na trama, o policial Paul White (Alex Ashbaugh) infiltra-se numa gangue de corredores de rachas e, assim, conquista a confiança do líder, Vin Serento (Dale Pavinski). Estreou em 7/5/2015.
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  • O mais importante documentarista brasileiro, Eduardo Coutinho foi assassinado pelo próprio filho em 2 de fevereiro de 2014. Poucos meses antes, o diretor havia terminado as entrevistas de seu derradeiro trabalho. Últimas Conversas é apresentado como tendo a montagem de Jordana Berg, antiga colaboradora, e finalização do produtor João Moreira Salles. Coutinho, como revela na cena de abertura, não estava contente com o resultado dos depoimentos no quarto dia das filmagens. Resmungão e contrariado, o grande mestre, diante da câmera, questiona até mesmo o próprio futuro. A partir daí, entram em cena adolescentes do 3º ano do ensino médio para contar casos da vida privada. Especialista na abordagem íntima, Coutinho extrai confissões de deixar os depoentes com lágrimas nos olhos — seja para falar de preconceitos, bullying, cota racial ou perspectivas profissionais. O cineasta não deu o ponto-final em seu canto do cisne, mas a fita faz jus à sua filmografia, equiparando- se a obras do nível de Edifício Master e O Fim e o Princípio. Estreou em 7/5/2015.
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  • Personagem do documentário Ela Sonhou que Eu Morri (2011), sobre presidiários estrangeiros no Brasil, o americano Christopher Kirk tem aqui a oportunidade de descrever sua história detalhadamente para os mesmos diretores. Fascinado pela “coleção” de hipopótamos do traficante Pablo Escobar, que ficaram abandonados após a sua morte, Kirk se manda dos Estados Unidos para a Colômbia. Lá, conhece uma mulher misteriosa, filha de um japonês com uma colombiana. Os realizadores entraram em contato com pessoas próximas ao detento na tentativa de localizar a famigerada amante dele. O conteúdo mais palpável, porém, está na longa declaração de Kirk, excelente narrador de sua própria trajetória. Com uma linguagem pop, o filme tem no frustrante (e não menos revoltante) desfecho seu maior deslize. Estreou em 7/5/2015.
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  • Nuri Bilge Ceylan, de 56 anos, é o mais importante cineasta turco da atualidade e um cronista afiado de seu país — vide seus trabalhos em Climas (2006) e 3 Macacos (2008). Winter Sleep, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes no ano passado, tem mais de três horas de duração, recompensáveis ao fi m da sessão. Ambientada na Capadócia, a trama está centrada em Aydin (Haluk Bilginer). Esse ator aposentado e prestes a escrever um livro possui um gracioso hotel, além de ter herdado outras propriedades na região. Aydin leva um cotidiano a passos lentos, ao contrário da esposa (Melisa Sözen), ligada em causas sociais, e da irmã (Demet Akbag), que sente falta da agitação de Istambul. Um fato, porém, vai mexer com a rotina do protagonista. Ex-presidiário, Ismail (Nejat Isler) aluga uma casa dele e está com as prestações atrasadas. Por ver o pai em situação humilhante, seu pequeno filho atira uma pedra no carro de Aydin, detonando conflitos familiares e sociais. O roteiro, inspirado em contos de Tchecov, não rotula os personagens de bons ou maus nem de vilões ou mocinhos. Cada um, à sua maneira, se acha dono da razão diante das contradições da vida. Estreou em 7/5/2015.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO