Cinema

Nova aventura de James Bond e dois filmes nacionais são os destaques

007 contra Spectre, A Floresta que se Move e Depois de Tudo valem o ingresso  

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

  • Voltar ao início

    Compartilhe essa matéria:

  • Todas as imagens da galeria:

A maior estreia da semana é, sem dúvida nenhuma, 007 contra Spectre, nova aventura de James Bond, interpretado, pela quarta vez, por Daniel Craig. O filme chega às telas com cópias dubladas e legendadas. 

Depois de comédias populares que caem na mesmice, o cinema brasileiro dá sopros de renovação com três longas-metragens. Ambientado em duas épocas distintas, Depois de Tudo, adaptação de uma peça de Marcelo Rubens Paiva, faz um bom retrato da geração Coca-Cola em um drama estrelado por Marcelo Serrado e Otávio Müller no presente e por César Cardadeiro, Rômulo Estrela e Maria Casadevall no passado.

Outro bom exemplo da recente filmografia nacional está em A Floresta que se Move, inspirado livremente em Macbeth, de Shakespeare, com ótimo elenco encabeçado por Ana Paula Arósio e Gabriel Braga Nunes. Também vale uma espiada no gaúcho Beira-Mar, sobre a relação íntima de dois jovens amigos.

O cinema europeu está em alta nesta semana com a reestreia em cópia restaurada do clássico Mamma Roma, de Pasolini, e com o drama de tribunal A Acusada, vindo da Holanda. 

  • Filme de tribunal é um subgênero que tem bons resultados no cinema americano. Surpresa vinda da Holanda, A Acusada se aproveita de um episódio real e entrega à plateia uma trama de reviravoltas em fervoroso caso judicial. Em 2001, um bebê morreu numa maternidade, e a enfermeira pediátrica Lucia de Berk (papel de Ariane Schluter) foi apontada como a principal suspeita e afastada do serviço. Uma promotora e sua assistente levantaram algo espantoso sobre o passado dela. Em três hospitais onde Lucia havia trabalhado foi constatada a morte de outros recém-nascidos e também de idosos. Apelidada pela opinião pública de “Anjo da Morte”, ela vai a julgamento. De posse de um roteiro enxuto, a diretora Paula van der Oest, sem enrolações, consegue trazer à tona uma história verídica contada de maneira pouco romantizada. Estreou em 5/11/2015.
    Saiba mais
  • Hoje Eu Quero Voltar Sozinho abriu uma grande porta para que o cinema nacional possa abordar os afetos dos jovens ainda incertos quanto à sexualidade. Beira-Mar, dos diretores gaúchos Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, rema a favor da maré, embora tenha alguns desacertos. De Porto Alegre, partem os amigos Martin (Mateus Almada) e Tomaz (Maurício José Barcellos). Eles são de poucas palavras, mas sabem que podem contar um com o outro. Tomaz está levando o colega de carro até uma cidade do litoral do Rio Grande do Sul para resolver uma pendência familiar. Nos dias que se seguem, eles vão fazer surpreendentes descobertas. Um roteiro mais elaborado (e de mais estofo) faria bem à produção independente. No entanto, a dupla de cineastas possui inegável talento para registrar os embaços dos protagonistas em sequências de voltagem homoerótica. O fim impetuoso acaba, até, justificando o desconjuntado meio. Estreou em 5/11/2015.
    Saiba mais
  • Reconheceu o ator da foto acima? Com o rosto rechonchudo, Leandro Firmino da Hora fez o papel de Zé Pequeno, em Cidade de Deus. Lançado em 2002, o filme de Fernando Meirelles ganhou repercussão internacional e concorreu a quatro prêmios no Oscar de 2004. Com a maioria de atores não profissionais e saídos das favelas do Rio de Janeiro, o longa-metragem conseguiu projetar futuras estrelas, como Alice Braga, Thiago Martins, Seu Jorge e Roberta Rodrigues (uma das funkeiras da novela A Regra do Jogo). Mas grande parte do elenco não teve o mesmo destino. Uma das virtudes de Cidade de Deus — 10 Anos Depois é justamente trazer à tona depoimentos da rapaziada que, movida pelo sonho de virar astro, enfiou os pés pelas mãos. Leandro Firmino da Hora até emplacou trabalhos na TV, assim como Darlan Cunha (o Laranjinha) e Douglas Silva (o Acerola). As entrevistas dos “quase anônimos” têm, porém, o poder de fazer uma radiografia mais arguta de jovens desiludidos. É o caso, por exemplo, de Felipe Paulino, o garotinho que tomava um tiro no pé de Zé Pequeno. Por conflitos com o pai, ele desistiu da carreira e trabalha como funcionário de um hotel no Rio de Janeiro. Jefechander Suplino, o Alicate, envolveu-se com o tráfico e está “desaparecido”, nas palavras de sua mãe. Contudo, com fatos pontuais, o documentário chega às telas envelhecido. Rubens Sabino foi preso por furto em 2003 e, no filme, tenta recomeçar a vida como compositor. Mera ilusão. Em abril deste ano, Sabino, viciado em drogas, foi encontrado nas ruas da Cracolândia, em São Paulo. Estreou em 5/11/2015.
    Saiba mais
  • Ney (Rômulo Estrela) e Marcos (César Cardadeiro) eram donos de um bar e tocavam numa banda de rock. A paixão pela música os unia — até o surgimento de Bebel (Maria Casadevall). Essa encantadora vizinha mexeu com os hormônios dos amigos, mas escolheu se envolver afetivamente com Marcos. Corte para vinte anos depois. Enquanto Ney (agora vivido por Marcelo Serrado) está cego e virou um astro da canção romântica, Marcos (Otávio Müller) é um poço de desilusão e amarga uma carreira como funcionário público. Bebel (Soraya Ravenle) encontra-se internada num hospital por causa de uma overdose. Três personagens principais em duas épocas distintas movem o drama Depois de Tudo, eficiente adaptação da peça No Retrovisor (2003), de Marcelo Rubens Paiva, também um dos roteiristas. No presente, a fina ironia nos diálogos dos cinquentões traz situações de humor ácido e afiado. O passado, na década de 80, se mantém firme e forte como um genuíno registro de época. A geração Coca-Cola ganha aqui um transparente acerto de contas embalado por Soldados, da Legião Urbana. “Quem é o inimigo, quem é você?”, cantava Renato Russo. Estreou em 5/11/2015.
    Saiba mais
  • Suspense / Drama

    A Floresta que se Move
    VejaSP
    Sem avaliação
    O risco era muito grande. Depois de se meter no vespeiro de Guimarães Rosa com uma refilmagem de A Hora e a Vez de Augusto Matraga, lançada no fim de setembro, o diretor Vinícius Coimbra teve uma ousadia ainda maior: transformar a peça Macbeth, de Shakespeare, em uma história contemporânea. Com raros resquícios teatrais, o realizador conseguiu um bom resultado, apoiado em elenco afiado, belas locações no Uruguai e um roteiro cheio de tensão e suspense. A tragédia ainda marca presença, mas o drama policial se embrenha na trama. Nela, um executivo (Gabriel Braga Nunes) escuta de uma vidente que, em breve, ele será vice-presidente do banco para o qual trabalha. Ao saber do episódio, a esposa dele (papel de Ana Paula Arósio) fará de tudo para manipular e convencer o marido a concretizar a profecia. Traições, assassinatos, cobiça pelo poder e vingança sobrenatural mesclam-se num enredo conduzido com classe e elegância. Estreou em 5/11/2015.
    Saiba mais
  • Em reestreia com cópia restaurada, Mamma Roma é o segundo longa-metragem de Pier Paolo Pasolini (1922-1975), tema também do lançamento Pasolini. Trata-se de um trabalho mais, digamos, “domado” do provocador realizador de Pocilga e Saló ou Os 120 Dias de Sodoma. Numa trama com ecos do neorrealismo italiano, o filme traz à cena a personagem ardorosa de Anna Magnani (ela mesma uma presença sempre exuberante). Ex-prostituta, Mamma Roma leva uma vida comum vendendo frutas na feira. Quando consegue juntar as economias e mudar de apartamento, traz do interior o filho adolescente. Mas Ettore (Ettore Garofolo) não se encaixa nos moldes, agora convencionais, da mãe e prefere a companhia de amigos arruaceiros. Ela, por sua vez, terá outra decepção quando o antigo cafetão ressurge fazendo exigências. A fotografia em preto e branco emoldura um registro de época ambientado em uma Roma em crescente desenvolvimento, embora enraizada em velhos conceitos. Reestreou em 5/11/2015.
    Saiba mais
  • Petra Costa se deu muito bem ao fazer um retrato íntimo e em primeira pessoa no bem-sucedido Elena. De volta ao documentário, a diretora mineira se uniu à dinamarquesa Lea Glob para uma produção internacional, falada, em sua maior parte, na língua francesa. Embora tão delicado quanto o trabalho anterior, o novo registro tem sequências encenadas (naquele já desgastado truque da realidade mesclada com a ficção) e parece mais longo do que sua curta duração. A história, filmada ao longo de alguns meses, flagra um casal de atores: a italiana Olivia Corsini e o francês Serge Nicolaï. Eles moram em Paris, pertencem a um grupo teatral e estão ensaiando A Gaivota, de Tchecov. A inesperada gravidez de Olivia vai trazer conflitos à tona. Estreou em 5/11/2015.
    Saiba mais
  • Cinebiografia

    Pasolini
    VejaSP
    Sem avaliação
    A pouco calorosa recepção no Festival de Veneza do ano passado a Pasolini já foi um atestado de seu futuro fracasso. Na intenção de “radiografar” a alma contestadora do diretor italiano, o cineasta americano Abel Ferrara realizou um filme frio, simplista e, como muitos trabalhos de sua carreira, pretensioso. A recriação de época, a reconstituição do assassinato de Pier Paolo Pasolini (1922-1975) e o empenho de Willem Dafoe em dar vida ao protagonista são os pontos altos. Fora isso, Ferrara, desajeitadamente, mescla a realidade e a ficção dos filmes do mestre — daí a boa oportunidade de rever Ninetto Davoli, ator de, entre outros, Os Contos de Canterbury e As Mil e Uma Noites. Em 1975, Pasolini está às voltas com o término de Saló ou Os 120 Dias de Sodoma. Ferrara abre espaço para mostrar que, além de um profissional do cinema, ele foi escritor e poeta. Trata-se, o.k., de uma homenagem autoral, mas o resultado não fica à altura do biografado. Estreou em 5/11/2015.
    Saiba mais
  • Comédia dramática

    Ruth & Alex
    VejaSP
    1 avaliação
    Diane Keaton e Morgan Freeman estão nos papéis-título da comédia dramática. Ruth e Alex moram há quatro décadas no Brooklyn, em Nova York, mas precisam mudar rapidamente. As dores da velhice estão batendo à porta e Alex já não tem mais fôlego para subir muitos degraus. Um apartamento com elevador seria a solução e, para isso, entra em cena uma ágil corretora (Cynthia Nixon) com a intenção de vender o imóvel do casal. O espirituoso humor do protagonista, um artista plástico que não vende mais como antigamente, garante bons momentos à trama. Contudo, o roteiro estica a mesma situação até o limite, passa de raspão pelo preconceito racial (o par está junto desde os turbulentos anos 70) e injeta conflitos tolos a fim de deixar o enredo com estofo, digamos, dramático. Estreou em 5/11/2015.
    Saiba mais
  • O documentário enfoca a história das cartas trocadas pelo poeta Carlos Drummond de Andrade com uma professora do sul do Brasil, durante 24 anos. Estreou em 5/11/2015.
    Saiba mais
  • Afranquia 007 ganhou vitalidade com a entrada de Daniel Craig no papel do protagonista. Desde 2006, foram três longas-metragens, muitas correrias e alguns mortos. O quarto episódio da cinessérie com Craig (e o segundo dirigido por Sam Mendes) é 007 contra Spectre. Vale o aviso: seria bom re(ver) os filmes anteriores da nova fase para compreender o roteiro em sua totalidade. A história traz de volta personagens antigos para, justamente, fazer com que James Bond entenda o motivo da morte de M (Judi Dench), em Operação Skyfall (2012), e das maldades ao seu redor. Só assim, parece, o agente secreto poderá enterrar seus fantasmas. Em um plano-sequência magistral, a trama tem início na Cidade do México. Bond está numa missão, consegue ser bem-sucedido, mas deixa estragos no local que comprometem seu futuro. Perde a licença, mas não desiste de encontrar o responsável pelos pesadelos de seu passado. Itália, Áustria, Marrocos e, claro, Inglaterra servem de belos cenários para uma aventura com ação em escala menor e estofo dramático. Trata-se de um James Bond, digamos, mais cerebral e romântico, embora a fúria de 007 (em já icônica encarnação de Craig) seja sua marca registrada. Estreou em 5/11/2015.
    Saiba mais

Fonte: VEJA SÃO PAULO