Cinema

'Os 33' e filme com Vin Diesel são as principais estreias

Drama dos mineiros chilenos e O Último Caçador de Bruxas estão entre os oito lançamentos 

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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Antonio Banderas, Rodrigo Santoro e Juliette Binoche são alguns dos bons atores de Os 33, drama sufocante inspirado em caso real: o dos 33 mineiros que, em 2010, ficaram 69 dias soterrados numa mina no Deserto do Atacama, no Chile.

Há outro programa de classe entre as oito estreias. Trata-se de Dheepan - O Refúgio, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, sobre três imigrantes do Sri Lanka tentando se adaptar à nova vida na França.

Para quem busca um filme "de atores", a recomendação vai para 45 Anos, com Charlotte Rampling e Tom Courtenay, premiados no Festival de Berlim.

E O Último Caçador de Bruxas? É uma infeliz tentativa de Vin Diesel de sair da zona de conforto (a cinessérie Velozes & Furiosos) e mudar de gênero. O resultado, contudo, deixa a desejar.

 

  • Sem ousadias nem pretensão, o eficiente documentário Betinho — A Esperança Equilibrista vai direto ao ponto para registrar a trajetória de Herbert de Souza (1935-1997). O sociólogo mineiro, ativista político na época da ditadura militar, exilou-se no Chile e foi até assessor do então presidente Salvador Allende. Depois, Betinho partiu para o Panamá e, então, para o Canadá. Voltou ao país em 1979 ao som do “hino da anistia”, O Bêbado e a Equilibrista, canção que tinha o memorável trecho “Meu Brasil, que sonha com a volta do irmão do Henfil”. Só (re)lembrando: os manos Betinho, o cartunista Henfil e o músico Chico Mário eram hemofílicos e, em transfusões de sangue, contraíram o vírus da aids. O filme repassa a vida e a obra deixada por Betinho, como o programa social Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida. Entre muitas imagens de arquivo, surpreende o videoclipe A Luz do Mundo, que reuniu, em 1991, Gil, Caetano, Gal, Xuxa, Renato Russo, Lobão e outros famosos da música. Estreou em 29/10/2015.
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  • Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano, Dheepan — O Refúgio leva a assinatura no roteiro e tem a eficiente direção de Jacques Audiard (de O Profeta). Dheepan (Jesuthasan Antonythasan) é o nome de um guerrilheiro do Sri Lanka que, devido aos conflitos em seu país, se “reinventa” para sair de lá. Com passaportes falsos, ele mais a jovem Yalini (Kalieaswari Srinivasan) e a menina Illayaal (Claudine Vinasithamby) conseguem embarcar para a França e convencem as autoridades de que são uma família. Enviados a Le Pré-Saint-Gervais, subúrbio de Paris, Dheepan descola emprego como zelador, Yalini começa a trabalhar como doméstica e Illayaal volta à escola. A adaptação será difícil, sobretudo porque eles não falam francês. Mas algo pior está a caminho. O lugar onde vivem serve de ponto de encontro de traficantes e, não raro, há um clima tenso no ar. O realizador acerta ao fazer um registro atual e impactante dos refugiados asiáticos sem abrir mão de tecer uma crítica ao seu país. Incompreensível, porém, como Audiard, sintonizado com os problemas sociais no mundo, deslize, justamente, na última (e inverossímil) sequência. Por isso, perdeu uma estrela na cotação. Estreou em 29/10/2015.
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  • Quase tudo conspirava a favor: a direção de Olivier Dahan (de Piaf), a fotografia de Eric Gautier (Diários de Motocicleta) e, vá lá, a presença de Nicole Kidman numa cinebiografia da atriz e princesa Grace Kelly (1929-1982). Mas Grace de Mônaco promete mais do que cumpre. Entre 1961 e 1962, a protagonista, já casada com o príncipe Rainier (Tim Roth) e ainda querendo voltar a atuar (ela havia sido convidada por Hitchcock para estrelar Marnie, Confissões de uma Ladra), encarou um desafio para ajudar o marido. A França de Charles de Gaulle impôs um bloqueio ao principado de Mônaco e Grace foi peça fundamental para resolver o impasse. Trata-se de um momento da vida da estrela, vencedora do Oscar por Amar É Sofrer (1954), pouco lembrado e, daí, relevante de ser levado às telas. A opção de centrar o roteiro apenas em dois anos (e praticamente no tema político) pode, igualmente, causar decepção. A realização de Dahan também deixa a desejar. Há excessivos closes no rosto (esticadíssimo) de Nicole, atuações na base da caricatura de outros famosos (Hitchcock, Onassis, Maria Callas) e uma onipresente trilha sonora, que pontua das emoções ao suspense. Como desfile de moda, o filme é um luxo. Peças vintage e réplicas das roupas originais, de grifes como Chanel, Lanvin, Dior, Hermès e Cartier, servem para um belo e raro desfile de moda. Estreou em 29/10/2015.
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  • Tom Courtenay e Charlotte Rampling levaram o prêmio de melhor ator e melhor atriz no Festival de Berlim de 2015. Sobretudo a estupenda atuação dela dá valor ao drama 45 Anos. Conforme aponta o título, Geoff e Kate Mercer estão juntos há mais de quatro décadas. Às voltas com os preparativos do 45º aniversário de casamento, eles levam uma tranquila vida de aposentados no interior da Inglaterra. Algo, porém, vai tirar a harmonia da relação. Geoff recebe uma carta da Suíça em que se informa que o corpo de sua primeira namorada (e grande paixão de sua vida) foi encontrado congelado nos Alpes — a jovem havia desaparecido no início dos anos 60. Enquanto o marido não sabe direito como lidar com a situação, a esposa sai dos trilhos (à fria moda inglesa), deixando transparecer um ciúme excessivo. Andrew Haigh dirigiu, anteriormente, dois longas-metragens de temática homossexual e, aqui, força a barra no roteiro, transformando um conflito do tamanho de um pingo d'água em uma tempestade. Estreou em 29/10/2015.
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  • Comédia romântica

    Sem Filhos
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    Na comédia romântica, Gabriel (Diego Peretti), divorciado e pai de uma garota, decide esconder a filha da nova namorada (Maribel Verdú). Motivo: sua nova paixão não gosta de crianças. Estreou em 29/10/2015.
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  • O drama musical relembra a trajetória do N.W.A., grupo de rap que revolucionou a cena hip-hop na década de 80 e era formado pelos californianos Ice Cube, Mc Ren, DJ Yella e Eazy-E. Estreou em 29/10/2015.
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  • Drama

    Os 33
    VejaSP
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    Parecia uma jornada normal de trabalho na mina de ouro e cobre de San José, no Deserto do Atacama, no Chile. Mas o dia 5 de agosto de 2010 ficou marcado para sempre na vida dos 33 mineiros que permaneceram sob a terra por 69 (intermináveis) dias. O caso ganhou a mídia, comoção internacional e a mobilização de especialistas de outros países para resgatá-los. Como se sabe, o desfecho teve final feliz. A diretora mexicana Patricia Riggen não abre mão de emocionar as plateias com várias histórias de superação e entrega um longa-metragem, se não grandioso, ao menos honesto e autêntico — até mesmo a opção por filmar em inglês com atores de língua hispânica torna-se um problema menor. Em elenco escolhido a dedo, Antonio Banderas, que há tempos não conseguia um papel decente no cinema americano, se destaca como Mario Sepúlveda, o líder capaz de contornar as desavenças e o desânimo dos colegas. Quem também brilha é Rodrigo Santoro. Na pele do ministro das Minas chileno, o astro brasileiro, além da presença constante em cena, conquistou, enfim, um personagem estrangeiro à altura de seu talento. Estreou em 29/10/2015.
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  • Vin Diesel tenta, tenta, tenta... mas não consegue ser mais do que o astro da cinessérie Velozes & Furiosos. Fez algumas tentativas, como enveredar pelo humor na comédia Operação Babá ou pelo drama de tribunal em Sob Suspeita. Sua mais recente incursão envereda no terreno da fantasia de terror. O Último Caçador de Bruxas, de arrancada promissora, começa na Idade Média e flagra Diesel como o valentão Kaulder. Ele e um grupo de homens creditam a peste negra às bruxas e, por isso, encurralam a rainha delas. Kaulder consegue matá-la, mas, antes, a feiticeira joga uma maldição: ele terá vida eterna. E assim será. Nos dias de hoje, Kaulder participa de uma organização secreta cujo objetivo é procurar bruxas praticantes da magia negra. Há séculos, ele tem sucessivos protetores chamados de Dolan. O 36º membro, um padre interpretado por Michael Caine, morre e, tudo indica, o responsável foi um ser do mal. O roteiro se mostra frágil e confuso em uma série de reviravoltas nada convincentes. O.k., para quem busca um programa, digamos, diferente, os efeitos visuais até seguram as pontas. O duro, contudo, será aguentar Vin Diesel bancando o sujeito compenetrado ou o sofredor. Aí, já é pedir demais. Estreou em 29/10/2015.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO