Cinema

'Capitão América: Guerra Civil' é o principal lançamento da semana

Super-heróis entram em rota de colisão no novo blockbuster da Marvel. Quem sai ganhando, felizmente, é o espectador

Por: Tiago Faria

Capitão América - Guerra Civil
'Capitão América - Guerra Civil': desunidos por uma crise política, os superpoderosos vão à luta (Foto: Divulgação)

Um dos lançamentos mais aguardados de 2016 (ao menos para quem não resiste a uma superprodução de Hollywood), Capitão América - Guerra Civil é aposta certeira para os fãs de quadrinhos. Menos barulhento que o recente Batman vs Superman, mais fluente e bem amarrado que Os Vingadores, o longa consegue dosar toques de thriller político, fita de conspiração e até de comédia juvenil. Os momentos mais divertidos ficam por conta do Homem-Aranha (Tom Holland), que rouba a cena no conflito entre o fanfarrão Homem de Ferro (Robert Downey Jr) e o certinho Capitão América (Chris Evans).

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Há programas bem menos grandiosos entrando em cartaz: o documentário italiano Fogo no Mar, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim deste ano, trata do tema da imigração ilegal na Europa. Já o brasileiro A Frente Fria que a Chuva Traz reúne astros globais como Chay Suede e Bruna Linzmeyer em uma trama ácida sobre a juventude rica do Rio de Janeiro.

Para não errar, vale ver (ou rever) o clássico Gritos e Sussurros, de Ingmar Bergman, em cópia restaurada.

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  • Os exageros e a estridência de Batman vs Superman deixaram uma perguntinha incômoda entre fãs de quadrinhos: muito barulho por nada? Sempre atenta aos deslizes da concorrência, a Marvel Studios usou uma estratégia diferente (e acertada) para marcar posição na onda dos blockbusters sobre conflitos entre super-heróis. Em Capitão América — Guerra Civil, a crise política no front de integrantes dos Vingadores, dividido entre os “times” do Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e do Capitão América (Chris Evans), é narrada sem climão sombrio nem abuso de efeitos especiais. Ufa! Já bem adaptados ao universo dos gibis, os diretores Anthony e Joe Russo (do eficiente Capitão América 2 — O Soldado Invernal) dosam com pique e fluência, e numa escala menos sufocante, toques de aventura de espionagem, thriller político, drama familiar e comédia juvenil. É difícil não abrir um sorriso, por exemplo, com o Homem-Aranha estabanado vivido pelo ótimo Tom Holland, ou perder o fôlego diante das transformações amalucadas do Homem-Formiga (Paul Rudd). Tal como no frustrante Vingadores — Era de Ultron, contudo, o excesso de conversa fiada (e haja discussão de relação...) emperra a primeira metade da trama, quando é aberto todo um debate sobre a possível interferência da ONU para controlar a atividade dos superpoderosos. O Homem de Ferro apoia a medida; já o Capitão América, não. Para a sorte do público, o disse me disse se resolve em cenas de ação inventivas que entusiasmam sem apelar para a grandiloquência. O “combo” de heróis, desta vez, deu liga. Estreou em 28/4/2016.
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  • Dostoiévski com suavidade e humor? Eis o sabor incomum desta comédia francesa inspirada (muito livremente) no romance O Duplo. Em brevíssimos 66 minutos, o diretor Pierre Léon narra a pequenina história de um homem em crise com a própria imagem. Rémi (Pascal Cervo) leva uma vidinha entediante. O trintão solitário anda infeliz, desapontado com o emprego medíocre e incapaz de engatar uma vida amorosa. O inferno astral piora quando descobre a existência de um “clone”, um sujeito igual a ele fisicamente, só que mais extrovertido e charmoso. Dessa premissa fantasiosa, o cineasta extrai humor em miniatura, delicado porém esquecível, sem tanta graça. Estreou em 28/4/2016.
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  • A vida do campeão de xadrez Bobby Fischer (1943- 2008) foi marcada por embates angustiantes — dentro e fora dos torneios. Diante dos tabuleiros, ele era o herói americano da Guerra Fria, um prodígio capaz de estarrecer os oponentes mais tarimbados. Mas, nos bastidores, sobressaía o temperamento instável do astro, atormentado pela paranoia e por crises nervosas. O desafio de retratar um personagem tão complexo garante interesse ao drama biográfico coproduzido por Tobey Maguire (de Homem-Aranha), convincente em cena no papel do protagonista. Um dos méritos do filme, dirigido de maneira apenas correta por Edward Zwick (de Diamante de Sangue e O Último Samurai), é dar um chega pra lá no dramalhão e ressaltar uma pegada tensa de thriller psicológico. A obsessão de Fischer por superar o soviético Boris Spassky (Liev Schreiber), no início dos anos 70, rende reviravoltas típicas de um bom folhetim. O roteiro pode parecer superficial, no entanto fisga as emoções do espectador para revelar, nas entrelinhas, a faceta sombria de um homem (e de um cenário político) à beira do colapso. Estreou em 28/4/2016.
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  • Em luto após a morte do homem que amava, uma mulher (Clara Choveaux) sofre um outro baque: um incêndio em sua casa. Do fogo, salva um diário e uma pilha de fotografias. No enredo não linear do drama brasileiro, ela usará esses registros para percorrer os lugares visitados por ele. Estreou em 28/4/2016.
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  • Documentário

    Fogo no Mar
    VejaSP
    Sem avaliação
    Não há como negar: o documentário Fogo no Mar enfoca a crise europeia da imigração por um viés original. Enquanto os noticiários destacam os sacrifícios e a dor dos marginalizados, o diretor italiano Gianfranco Rosi toma um ponto de partida mais sutil. Em cenas silenciosas, lentas, retrata o cotidiano da paradisíaca Ilha de Lampedusa, no sul da Itália. Quase nada acontece nessa minúscula comunidade: as crianças brincam com estilingues em terrenos abandonados, as mães cozinham, os pais pescam... O lugar tornou-se mundialmente conhecido nos últimos vinte anos como porto para centenas de milhares de refugiados da África e do Oriente Médio em busca de um recomeço na Europa. No dia a dia, no entanto, há pouco contato entre as realidades dos moradores e dos estrangeiros ilegais. A ideia oportuna de mostrar o contraste entre esses dois lados da região (um pacato, o outro horripilante) justificou o Urso de Ouro no Festival de Berlim deste ano. Mas a preferência do diretor pela rotina monótona dos moradores, retratados em planos repetitivos, dilui o impacto político do longa e, nos momentos mais tediosos, transforma o negócio num teste de paciência para o espectador. Estreou em 28/4/2016.
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  • Nos anos 70 e 80, o público sabia muito bem o que esperar dos filmes de Neville D’Almeida: retratos despudorados, repletos de cenas de sexo e nudez, de tipos brasileiros amorais. Dessa fórmula nasceram A Dama do Lotação e Rio Babilônia, entre outros. Longe das telas desde 1997, quando lançou o fraco Navalha na Carne, o cineasta mineiro retoma esse estilo de pornochanchada intelectual com A Frente Fria que a Chuva Traz, adaptação da peça de mesmo nome assinada por Mário Bortolotto (que está no elenco do longa). De cara, nota-se um problema gritante: aquele velho atrevimento hoje soa antiquado e ingênuo. De explícito, aliás, só sobrou o palavreado chulo disparado pelos personagens, jovens ricos do Rio de Janeiro que curtem organizar festas em favelas. Os globais Chay Suede e Johnny Massaro toparam interpretar caricaturas de “filhos de papai”, às voltas com os preparativos de uma balada turbinada por todo tipo de droga, em uma laje no Vidigal. Já Bruna Linzmeyer vive a “rebelde com causa” da trama, uma viciada em drogas que, cansada de tanto perrengue, preferiria estar levando uma vida mais digna. Apesar da proposta atual de crítica ao vazio da geração-ostentação, o tiro de Neville é de festim. Estreou em 28/4/2016.
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  • O documentário conta a história da geral do Maracanã, setor popular do estádio carioca. Uma parte dos seus frequentadores, os geraldinos, se tornou conhecida por assistir aos jogos em clima irreverente, trajando fantasias divertidas. A dupla de diretores lamenta o fechamento do espaço, ocorrido em 2005, e questiona a elitização do futebol no Brasil. Estreou em 28/4/2016.
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  • De volta a São Paulo em cópia restaurada, Gritos e Sussurros é daqueles clássicos que, contra todos os efeitos do tempo, continuam perturbadores e provocativos. Em 1972, o drama causou choque e admiração tanto pelo impacto visual da fotografia de Sven Nykvist — um trabalho antológico em tons de vermelho, branco e preto — quanto pela forma impiedosa como o mestre sueco Ingmar Bergman filmou os segredos e os desejos (reprimidos ou não) de quatro mulheres. São variadas as interpretações psicanalíticas para a trama sobre os últimos dias de Agnes (Harriet Andersson), acamada em uma mansão rural sueca na virada do século XIX para o XX. Sob os cuidados da empregada Anna (Kari Sylwan), ela recebe a visita de suas duas irmãs ricas (Ingrid Thulin e Liv Ullmann). A narrativa desvela com extraordinária precisão, cena a cena, detalhes sobre o passado e as verdadeiras intenções de cada uma das personagens. Anos depois do lançamento, Bergman referiu-se ao longa como um dos pontos altos de sua carreira. Indicado a cinco estatuetas do Oscar em 1974 (entre elas, melhor filme e diretor), ficou com o merecidíssimo prêmio de fotografia. Reestreou em 28/4/2016.
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  • A comédia francesa começa divertida e ritmada. Após comprar um raro disco de jazz numa feira de antiguidades, o dentista Michel (Christian Clavier) chega em casa. Quer apenas relaxar ao som de uma boa música. Mas uma série de contratempos em seu apartamento vai mudar seus planos. Entre eles está uma íntima confissão de sua mulher, interpretada por Carole Bouquet. Da metade em diante, o roteiro exagera nas situações absurdas e tenta extrair humor de casos dramáticos. Estreou em 28/4/2016.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO