Cinema

Comédia nacional e aventura infantil são os destaques

Até que a Sorte Nos Separe 3 e Alvin e os Esquilos abrem a temporada de férias 

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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Se não fosse por Até que a Sorte nos Separe 3 e Alvin e os Esquilos - Na Estrada, os cinemas iriam virar um mar de lágrimas. As outras estreias da semana não são, definitivamente, para rir.

Melhor episódio dos três, o novo Até que a Sorte nos Separe tem uma vantagem: usa a crise econômica do Brasil para fazer um registro, muitas vezes hilariante, do país. O quarto episódio com os esquilos cantores, porém, esbarra no mais do mesmo. 

Lojas da 2001 Video, que vão fechar as portas, têm ainda muitos filmes à venda

Há, contudo, atrações mais polpudas, porém dramáticas: o denso A Terra e a Sombra, da Colômbia, e o não menos tenso Já Estou com Saudades, com Drew Barrymore e Toni Collette.

Mas dos nove lançamentos, apenas um recebeu quatro estrelas nesta semana e é um primor de documentário. Trata-se de Eu Sou Ingrid Bergman, registro em primeira pessoa da atriz sueca que fez, entre outros longas-metragens, Casablanca, além de ter sido três vezes premiada com o Oscar.  

Também é bacana a realização de Victoria, ambientado numa noite em Berlim e filmando num único (e longo) plano-sequência. 

 

  • O quarto episódio da cinessérie segue a fórmula do mais do mesmo e entrega à plateia infantil um misto de aventura e comédia com, é claro, números musicais dos esquilos falantes. Embora a junção entre filme e animação esteja cada vez melhor, o preguiçoso roteiro segue uma cartilha para lá de manjada. Na trama, Alvin, Simon e Theodore estão injuriados porque o dono deles, Dave (Jason Lee), está prestes a pedir a mão da médica Shira (Kimberly Williams-Paisley) em casamento. Para piorar, os bichinhos tiveram uma má impressão do filho dela, um rapaz (Josh Green), aparentemente, arrogante e desleal. Eles, porém, vão juntar as forças. Como Dave e Shira foram para Miami, os quatro saem de Los Angeles e vão atravessar os Estados Unidos para impedir o noivado. Estreou em 24/12/2015.
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  • A saída para a sobrevivência da cinessérie foi brincar com algo recente: a crise econômica que se agravou no país em 2015. Ok, trata-se de humor da estação que já estará caduco em alguns meses. Por enquanto, dá para se divertir com a continuação da trajetória de Dino (Leandro Hassum). Ele perdeu, novamente, sua fortuna no episódio anterior e, em, ganha uns trocados vendendo biscoitos no farol. Um atropelamento o coloca por sete meses num hospital e, ao sair do coma, descobre algo capaz de tirar sua família do buraco: Tom (Bruno Gissoni), responsável pelo acidente, é filho de Rique (Leonardo Franco), o homem mais rico do Brasil. E, para melhorar, sua filha (Julia Dalavia) está namorando o herdeiro. O pai dele, encantado com a simplicidade e transparência de Dino, decide dar a ele um emprego-cabide em sua corretora de valores. O roteiro não foge do óbvio e, por isso mesmo, consegue fazer rir com sua graça  popular. Rique, claro, é uma cópia de Eike Batista e sua mulher (Emanuelle Araújo) usa até uma “coleira” no pescoço, inspirada em Luma de Oliveira. A cereja do bolo, contudo, vem de Brasília. Na conversa de Dino e seu colega de trabalho (Kiko Mascarenhas) com Dilma, sobram farpas, inclusive, para as “pedaladas” (fiscais) — e Mila Ribeiro rouba a cena como a intérprete da presidente. Mas, entre muitos acertos, a comédia acaba se rendendo ao politicamente correto ao abraçar o romantismo em seu desenrolar. Estreou em 24/12/2015.
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  • Pena que apenas o Caixa Belas Artes tenha apostado em Condado Macabro. Trata-se de um filme de terror brasileiro que não tenta camuflar suas fontes e bebe, explicitamente, em clássicos como O Massacre da Serra Elétrica, o original de 1974. Ou seja: é um produto comercial e com bom resultado para quem curte o gênero. Para manter a estética  “gore” (sanguinolenta ao extremo), os realizadores Marcos DeBrito e André de Campos Mello buscaram uma fotografia semelhante às dos longas “homenageados”. Não fossem os diálogos em inglês, o espectador poderia acreditar estar diante de uma produção B americana. Na trama, cinco jovens vão passar um fim de semana numa casa alugada no interior. Há um mulherengo metido a engraçadinho (Rafael Raposo), outro mais tímido (Leonardo Miggiorin) e três moças à procura de relax, entre elas Lena (Bia Gallo). Momentos de prazer, porém, serão transformados em instantes de agonia, pavor e muito medo. Tudo por causa de um impiedoso serial killer. Com menos piadas e enrolações no início, o roteiro ficaria no prumo. Estreou em 24/12/2015.
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  • Quando diretores procuram um personagem para fazer um documentário esbarram, quase sempre, na dificuldade de obter imagens de arquivo e autorização dos herdeiros. Isso não acontece em Eu Sou Ingrid Bergman por dois motivos: a atriz sueca tinha o hábito de fazer registros domésticos (inclusive de sua lua-de-mel, na década de 30) e seus quatro filhos deram aval e entrevistas para o realiazador Stig Björkman. Mesmo sendo uma biografia autorizada e narrada (por Alicia Vikander) com textos de cartas e diários deixados por Ingrid Bergman (1915-1982), o longa-metragem é riquíssimo em detalhes, incluindo passagens polêmicas como suas traições conjugais. Após deixar o marido e a pequena filha na Suécia para seguir carreira em Hollywood, Ingrid se envolveu com o fotógrafo húngaro Robert Capa. Mais tarde, teve um tórrido caso de amor (que virou casamento) com o cineasta italiano Roberto Rossellini. A infidelidade ganhou projeção internacional e, no início dos anos 50, a estrela foi massacrada pela imprensa e pela opinião pública. Para quem conhece o trabalho de Ingrid, três vezes premiada com o Oscar, em filmes como Casablanca, Por Quem os Sinos Dobram e Interlúdio, o longa-metragem tem um sabor extra. Independente dos conhecimentos sobre a grande a intérprete, é um exemplo de documentário a ser seguido. Estreou em 24/12/2015.
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  • Na trama, a americana Jess (Drew Barrymore) e a inglesa Milly (Toni Collette) moram em Londres e são amigas desde a infância. Já adultas, embora ainda inseparáveis, tomaram rumos distintos. Milly tem um casamento harmonioso, filhos e um bom emprego enquanto Jess pena para engravidar do marido simplório (papel de Paddy Considine). Uma bomba ainda vai cair no colo das duas: Milly está com câncer nos seios. Há um tom certeiro entre o humor (por vezes negro) e o drama. A leveza, aos poucos, cede espaço para o ressentimento e a revolta de Milly. Tenta-se, assim, alertar a plateia: é ficção, porém o realismo prevalece. Vale o aviso às mulheres: difícil sair da sessão sem borrar a maquiagem. Estreou em 24/12/2015.
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  • O texto de Shakespeare ganha tradução literal e, por isso, o drama pode soar “estranho” aos ouvidos. Acompanha-se, aqui, a trajetória do guerreiro Macbeth (Michael Fassbender) que, após sair-se vitorioso de uma batalha, escuta, de três bruxas, algo impensável: ele se tornará o próximo rei da Escócia. Instigado pela ambiciosa esposa (Marion Cotillard), Macbeth acaba matando Duncan e, assim, assume o trono. Outras vinganças e crimes virão. Cenários e figurinos despojados tentam aproximar o espectador dos personagens mas, inexplicavelmente, o realizador tira de cena algo fundamental na peça: as mãos sujas de sangue de Lady Macbeth que a levam à loucura. Além disso, o tom solene das atuações provoca certo tédio. Estreou em 24/12/2015.
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  • Na Londres de 1912, Maud Watts (Carey Mulligan) leva uma vida quase de escrava. Trabalha arduamente numa lavanderia industrial e, ao chegar em casa cansada, tem de cozinhar para o marido (Ben Whishaw) e o filho pequeno. Como um grupo de mulheres faz manifestações pelo direito ao voto, a cidade vive em polvorosa. Muitos homens, incluindo o severo e amoral patrão de Maud, são contra as ativistas, assim como as esposas mais comportadas. Uma colega da protagonista, contudo, a convence a lutar pela causa — e Maud, com a cara e a coragem, vai driblar os problemas pessoais para se impor. Sempre é bom recordar para as novas (e também velhas) gerações como o mundo se comportava no início do século passado. Por isso, não faltam boas intenções no drama. A história concentra-se, sobretudo, nos dilemas e dores de Maud, uma típica sofredora de folhetins. Acompanha-se sua saga com interesse, embora o clímax da história deixe um certo ar de frustração. Decepciona igualmente a minúscula participação de Meryl Streep, na pele da líder das sufragistas. Estreou em 24/12/2015.
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  • Alfonso (Haimer Leal) retorna ao lar, dezessete anos depois de abandonar sua família, para cuidar do filho doente. Encontra seu casebre no campo rodeado de plantações de cana-de-açúcar e um drama familiar que envolve ainda sua esposa, a nora e o pequeno neto. Estreia prometida para 24/12/2015.
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  • Em 2002, o diretor Alexander Sokurov filmou Arca Russa dentro do museu Hermitage em um único plano-sequência. Mesmo sem ser novidade, há ousadia e sucesso do diretor alemão Sebastian Schipper em rodar Victoria de uma tacada só num grande take de mais de duas horas. Embora tenha alguns pontos embaçados no início, a história deslancha pela narrativa hipnótica vinda de uma câmera em (quase) constante movimento. A trama flagra a espanhola Victoria (papel de Laia Costa) saindo de uma balada de Berlim. Paquerada por Sonne (Frederick Lau), a jovem decide aceitar o convite dele e de seus três amigos para seguir na noite. Nota-se, desde o começo, que os rapazes, além de estarem bêbados, são arruaceiros. Victoria se deixa levar, talvez por querer uma aventura às cegas ou uma paixão bandida. Estreou em 24/12/2015.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO