Cinema

Animação 'O Pequeno Príncipe' e drama israelense são os destaques

Embora o desenho animado chegue em número maior de salas, 'O Julgamento de Viviane Amsalem' merece ser visto

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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O Pequeno Príncipe, a aguardada animação inspirada no livro de Antoine de Saint-Exupéry, pode ser a maior estreia da semana. Mas não a melhor. Embora de uma beleza arrebatora, o desenho animado tem duas histórias que não se entendem muito bem.

Há programas melhores, sobretudo para quem curte dramas e clássicos. Já um dos melhores filmes de 2015, O Julgamento de Viviane Amsalem foi indicado por Israel para concorrer a uma vaga no Oscar e é um interessante drama de tribunal cujo desenrolar se assemelha a um pesadelo.

Outra dica imperdível é (re)ver A Doce Vida, uma obra-prima de Fellini, que volta às salas em bela cópia restaurada. Igualmente atraente, o documentário Hermógenes traz à tona a figura de um dos pioneiros do yoga no Brasil. Também vale investir tempo e dinheiro em O Último Cine Drive-In, que levou quatro prêmios no recente Festival de Gramado.  

  • O sétimo longa-metragem de Federico Fellini (1920-1993) volta aos cinemas com esta cópia restaurada de ótima qualidade. Trata-se de um dos melhores e mais elogiados trabalhos do diretor italiano, que faz aqui uma apurada radiografia da Roma de 1960, ano em que o filme foi lançado — os figurinos, inclusive, ganharam o Oscar. Marcello Mastroianni serve como um personagem-narrador e interpreta um jornalista, também chamado Marcello, envolvido com furos de reportagem. Também um dos roteiristas, Fellini monta um mosaico plural da capital italiana por meio de tipos comuns ou excêntricos. Marcello segue seu dia a dia enquanto “passeia” pelas várias histórias. Namorado de uma mulher ciumenta e possessiva, o repórter vara as noites trabalhando e, ao mesmo tempo, curtindo a vida adoidado. Entre cenas icônicas, há a da sueca Anita Ekberg, no papel de uma estrela do cinema, entrando na Fontana di Trevi durante a madrugada. Seja no drama, seja no humor, o realizador mostra-se afiado ao focar a decadência da alta sociedade em quase três delirantes horas de duração. Reestreou em 20/8/2015. Paparazzo: o termo italiano para o fotógrafo de celebridades foi popularizado neste filme
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  • O seriado Entourage durou oito temporadas, de 2004 a 2011. Tardiamente, chega aos cinemas uma versão em longa metragem com os mesmos personagens. Não é preciso, porém, ter visto a série para embarcar na trama de Entourage — Fama e Amizade, uma sátira rasgada aos bastidores do cinema. Há um rápido prólogo para explicar quem são os protagonistas. Vince (Adrian Grenier), bonito canastrão, tem grandes sucessos de bilheteria. À sua volta orbitam os amigos Turtle (Jerry Ferrara) e Eric (Kevin Connolly), além do irmão (Kevin Dillon), um ator igualmente medíocre. O astro vive rodeado de mulheres e tem a meta de crescer na carreira. Sua próxima empreitada será estrelar e dirigir uma versão modernosa de O Médico e o Monstro. Antes empresário dele, Ari Gold (Jeremy Piven) virou mandachuva do estúdio que está bancando a produção e, para seu desespero, precisa descolar mais grana para a finalização. Isso o leva a um ricaço (Billy Bob Thornton) cujo filho (papel de Haley Joel Osment) terá o poder de decisão. Sexista, o roteiro faz troça com gays e deixa aforar o lado hedonista de Vince. Se enxergou aí um humor politicamente incorreto, você tem ao menos um motivo para pegar uma sessão. Estreou em 20/8/2015.
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  • O tempo passa, novos temas surgem, mas o cinema ainda insiste em querer inovar em algo que O Exorcista já mostrou há 42 anos. Na pretensão de assustar as plateias, Exorcistas do Vaticano é uma cópia esquálida do filme de terror estrelado por Linda Blair. Agora, Olivia Taylor Dudley assume o posto de Angela, a jovem possuída pelo demônio. Tudo começa com um corte em seu dedo e, em seguida, um acidente de carro. Ao sair do coma, Angela muda de comportamento, para espanto do namorado (John Patrick Amedori) e do pai (Dougray Scott). Um padre observador (Michael Peña) sugere, lá pelas tantas, um exorcismo. O diretor Mark Neveldine estreou bem no cinema com o violento (e politicamente incorreto) Adrenalina (2006) e derrapou na curva em Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança (2011). Na base do mais do mesmo, comanda seu novo trabalho como um burocrata. Estreou em 20/8/2015.
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  • Uma das mais queridas estrelas da TV, Glória Pires já mandou muito também no cinema em trabalhos dramáticos, como Flores Raras, e comédias, a exemplo de Se Eu Fosse Você. Sua volta ao humor se dá em Linda de Morrer, cuja premissa é atraente. Na pele da dermatologista Paula, a atriz inventa um remédio capaz de acabar com a celulite. A médica não tem tempo para nada. Trata-se de uma egocêntrica que mal conversa com a filha, Alice (Antonia Moraes), e só pensa na carreira e no sucesso de vendas do medicamento. No dia do lançamento do Milagra, porém, Paula morre em decorrência dos efeitos colaterais. No além, encontra com uma mãe de santo (Susana Vieira) e, por meio dela, chega até Daniel (Emilio Dantas). Embora seja psicólogo, o rapaz possui o dom da mediunidade e pode ajudar Paula a ter contato com a herdeira. Seguem-se, então, as brincadeiras de gosto duvidoso com o espiritismo, a entrada de um vilão estereotipado (o sócio de Paula, papel de Angelo Paes Leme) e, claro, os momentos de redenção e reconciliações. A fórmula vem pronta para que a plateia caia na risada — isso no caso de alguém (ainda) achar graça em um homem fazer trejeitos femininos por estar “tomado” por uma mulher. A produção pobrinha, incluindo aí os modelitos de Glória e os efeitos visuais, conta pontos para derrubar do cavalo a grande intérprete. Estreou em 20/8/2015.
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  • Quando recebeu o diagnóstico de tuberculose, na década de 60, o militar José Hermógenes de Andrade Filho descobriu os benefícios da ioga. Virou um ferrenho praticante, foi várias vezes à Índia e escreveu trinta livros sobre terapia holística e bem - estar. O documentário Hermógenes, Professor e Poeta do Yoga cumpre bem o papel de apresentar o trabalho daquele que é considerado um pioneiro no Brasil. Há imagens de arquivo, algumas dos anos 70, depoimentos de seus discípulos, parentes e personalidades como o músico Marcelo Yuka e o ator Jackson Antunes. Embora o formato seja quadradão (uma espécie de Globo Repórter com mais apuro de pesquisa e profundidade), o filme consegue falar a um público maior do que o segmentado. É difícil não encontrar um caminho nas palavras de Hermógenes (1921-2015), cuja filosofa de vida era o mantra “entrego, confio, aceito e agradeço”. Estreou em 20/8/2015.
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  • O grupo teatral Os Satyros estreia no cinema com um drama independente e baseado em peça homônima da trupe. São onze personagens, compostos após entrevistas com frequentadores da Praça Roosevelt. No mosaico da diversidade, há uma radialista transexual (Nany People), uma garota de programa grávida (Luiza Gottschalk), um traficante hedonista (Paulinho Faria) e um jovem solitário com tendência suicida (Robson Catalunha). Além da ambiência pesada, o recorte da cidade de São Paulo possui a fórmula para chocar os desavisados. Há sequências que exploram bem o espírito da capital paulista e alguns diálogos reveladores. O resultado, contudo, tem cara de uma produção datada da década de 80. Estreou em 20/8/2015.
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  • Indicado por Israel para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro neste ano, O Julgamento de Viviane Amsalem merecia estar entre os finalistas. Trata-se de um contundente, imprescindível e sufocante trabalho dos irmãos Ronit e Shlomi Elkabetz. A dupla toca numa ferida de seu país por meio de um drama de tribunal singular. Praticamente todo ambientado entre as quatro paredes de uma sala, o filme tem tensão permanente e, em seu desenrolar, pede a cumplicidade do espectador (algo parecido foi feito no fabuloso A Separação). A trama traz à tona a tortuosa trajetória de Viviane Amsalem (papel da diretora), que, há três anos, tenta conseguir que o marido (Simon Abkarian) concorde com o divórcio. Como ele se recusa terminantemente a atender ao pedido, Viviane, mãe de quatro filhos e casada há trinta anos, tem seu caso levado a um tribunal de rabinos ortodoxos. Eles vão ouvir ambas as partes, testemunhas e dar o veredicto. A partir daí, a protagonista encara longas idas e vindas kafkianas através dos anos, sempre acompanhada de seu fiel e persistente advogado (o ótimo Menashe Noy). De um pequeno fato doméstico, o longa-metragem expõe uma situação recorrente de uma sociedade patriarcal e machista. Estreou em 20/8/2015.
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  • Aviso aos navegantes: embora contenha trechos do best-seller de Antoine de Saint-Exupéry, O Pequeno Príncipe vai além do romance. E talvez seu deslize esteja, justamente, na pretensão de ter uma história maior. Produção francesa dirigida pelo americano Mark Osborne (do primeiro Kung Fu Panda), a animação, com uma beleza tão arrebatadora quanto poética, é um primor esteticamente. Enquanto os tempos modernos ganharam técnica em 3D, a trajetória do personagem do livro foi feita em stop motion (quadro a quadro). A trama começa divertida focando uma menina treinada pela mãe para ingressar numa prestigiada escola. Como ela não passa no teste, as duas se mudam para um condomínio e, durante as férias de verão, a garota será obrigada a estudar muito e seguir regras severas. Seu metódico cotidiano, contudo, sofre uma reviravolta quando ela conhece o vizinho da casa ao lado. O idoso mora sozinho e tenta convencer a criança a ser sua amiga. Ela resiste, mas, aos poucos, se interessa pela história contada pelo velho. Nela, seu novo companheiro relembra a vida de aviador e como conheceu, no deserto, o pequeno príncipe, habitante único de um planeta um pouco maior do que ele. No vaivém dos dois contos, o enredo principal (a inusitada amizade dos protagonistas) perde o fôlego. Para o público infantil, o desenho tem ingenuidade e pureza para satisfazer os menorzinhos, embora a duração seja longa e o ritmo, às vezes, lento. Adultos também podem curtir, caso ainda tenham uma criança chorona dentro de si. Estreou em 20/8/2015.
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  • Comédia romântica

    Sexo, Amor e Terapia
    VejaSP
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    Sophie Marceau anda se especializando no gênero comédia romântica para balzaquianas. Depois de contracenar com François Cluzet no recente e simpático Um Reencontro, a atriz volta à cena num filme muitas vezes abominável. Na primeira cena, a estrela francesa surge transando num depósito com um cliente. Ninfomaníaca, ela é demitida, mas logo encontra outra função. Vai ajudar um terapeuta (Patrick Bruel), viciado em sexo, a dar conselhos a casais em crise. Como ele está em tratamento, recusa qual quer investida da nova parceira. Uma premissa totalmente descabida serve de pretexto para uma trama romântica previsível, diálogos e situações constrangedores. Diretora do gracioso Instituto de Beleza Vênus (1999), Tonie Marshall pisa na bola em um roteiro supostamente feminista. Estreou em 20/8/2015.
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  • Teve boa (e merecida) recepção no Festival de Gramado o drama O Último Cine Drive - In. Ele saiu da competição com os prêmios de melhor ator (Breno Nina), atriz coadjuvante (Fernanda Rocha), direção de arte, além do troféu da crítica. Trata-se de um trabalho singelo, sem afetações e bem conduzido, entre o humor e a emoção, pelo diretor Iberê Carvalho, estreante em longas-metragens. O Cine Drive-In, um cinema ao ar livre para assistir à fita de dentro do carro, agoniza em Brasília. Após décadas de sucesso, hoje sobrevive de escassos clientes. O expressivo Breno Nina interpreta o jovem Marlombrando, que leva sua mãe (Rita Assemany) para fazer uns exames num hospital público da capital federal. Durante a internação dela, o rapaz decide reencontrar seu pai, o dono do cinema. O relacionamento deles nunca foi bom, e a estada do filho vai reacender antigas rusgas. Há outros poucos personagens, como o bilheteiro (Chico Santanna), a projecionista (Fernanda Rocha) e um enfermeiro (André Deca). Embora de desfecho previsível, o longa-metragem, ao contrário da maioria dos trabalhos independentes nacionais, sabe dialogar com o público. Seu roteiro, além dos comoventes conflitos familiares, faz uma bela homenagem ao cinema — não à toa, surge um pôster do emblemático Cinema Paradiso em uma das cenas. Estreou em 20/8/2015.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO