Cinema

Drama com Johnny Depp e filme de terror são os destaques da semana

Aliança do Crime e Amizade Desfeita devem atrair boa parte do público 

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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Das treze estreias desta quinta (12), poucos filmes valem, realmente, uma ida ao cinema. Se você gosta de Johnny Depp, a recomendação é para Aliança do Crime. O longa-metragem, que conta a trajetória verídica de um mafioso das décadas de 70 e 80, se segura pela atuação do astro, quase irreconhecível pela maquiagem. 

Programa melhor, porém para jovens e adolecentes, é o terror Amizade Desfeita, que tem um formato de realização muito original: a imagem que se vê, o tempo todo, é a de um monitor de computador. 

Cinema europeu de qualidade, Capital Humano, da Itália, acaba sendo o melhor lançamento entre tantos filmecos dispensáveis, a exemplo da comédia bagaceira Como Sobreviver a um Ataque Zumbi e da fraquinha animação russa O Reino Gelado 2. 

  • Os cabelos escassos e quase grisalhos, as lentes de contato azuis e a maquiagem carregada tornam Johnny Depp irreconhecível em Aliança do Crime. Mesmo com muitos truques para descaracterizá-lo, o astro é a grande atração do longa-metragem, inspirado em personagem real. A trama tem início em Boston, em 1975, para flagrar o cotidiano de James “Whitey” Bulger (Depp), ex-presidiário e contraventor. Encontra-se na outra ponta da história o agente do FBI John Connolly (Joel Edgerton), seu amigo de infância. Com o aval de seus chefes, Connolly “contrata” o colega para ser informante. Assim, o bandido vai conseguir o que quer: livrar-se de um concorrente, dominar o tráfico e virar o poderoso chefão — Bulger foi o mais temido gângster dos anos 70 e 80. Em recriação fabulosa (não só nos figurinos e cenários, mas também no clima das fitas daquela época), o filme se excede em algumas coisas (personagens e situações dispensáveis, por exemplo) e fica devendo no principal: qual, verdadeiramente, foi o “serviço” de Bulger para o FBI? Estreou em 12/11/2015.
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  • Ao pegar uma sessão, não estranhe: a imagem do filme será todinha um monitor de computador. O visual, praticamente estático, cansa ou dá enjoos? De jeito nenhum. Numa empreitada arriscada, Timur Bekmambetov (o maluco realizador de O Procurado) produziu uma fita de terror com formato no mínimo original. A trama começa com a informação do suicídio de Laura (Heather Sossaman). Na sequência, há um bate-papo sensual entre os namorados Blair (Shelley Hennig) e Mitch (Moses Storm). Eles estão conversan do pelo Skype quando outros amigos entram na conversa. Os seis colegas, porém, ficam surpresos: há uma sétima pessoa no chat. Tentam eliminá-la, mas não conseguem. O nervosismo toma conta da cena enquanto o anônimo misterioso dá seu recado curto e grosso: quem se desconectar será morto. Talvez esteja por trás da brincadeira macabra a própria Laura, a estudante que se matou após ter sido humilhada nas redes sociais. Fazer um registro do cyberbullying com uma pegada totalmente virtual parece um casamento perfeito. Além de eficiente no suspense, o primeiro longa-metragem americano do diretor georgiano Leo Gabriadze usa ferramentas comuns (Skype, Facebook, Gmail) e tempo real para conferir legitimidade ao enredo. Mas atenção: assim como os protagonistas, o público-alvo está nos jovens e adolescentes plugados na internet. Estreou em 12/11/2015.
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  • Documentário

    Caminho de Volta
    VejaSP
    Sem avaliação
    O fotógrafo André Câmera mora em Londres há mais de vinte anos, é casado pela segunda vez e tem quatro filhos. Com 87 anos, Maria do Socorro vive com o filho cinquentão, porteiro de um prédio num subúrbio de Nova York. O que eles têm em comum? Ambos pretendem fazer o caminho de volta e regressar ao Brasil. Dirigido a quatro mãos, o documentário tem lá sua sensibilidade no registro, mas também cenas dispensáveis. Ou seja: trata-se de uma ideia interessante, porém com poucos personagens e histórias da vida de dois anônimos pouco exploradas. Estreou em 12/11/2015.
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  • Dino Ossola (Fabrizio Bentivoglio) é dono de uma agência imobiliária e leva uma vida de classe média na Itália. Mas suas ambições são maiores. Ele aproveita, então, a amizade que sua filha, Serena (Matilde Gioli), tem com Massimiliano (Guglielmo Pinelli), filho do milionário Giovanni Bernaschi (Fabrizio Gifuni). Ossola se aproxima do ricaço a fim de participar de um promissor fundo de investimento. Dividido em três segmentos, o novo trabalho do diretor Paolo Virzì (do fascinante A Primeira Coisa Bela) ainda vai focar a história de Carla (Valeria Bruni Tedeschi), a esposa dondoca de Bernaschi, que quer reabrir um teatro, e a de Serena, envolvida com um ex-presidiário. Os protagonistas de um capítulo viram coadjuvantes nos outros — a trama, portanto, ganha três perspectivas e, com isso, dinamismo e maior interesse. Os muitos conflitos familiares têm origem logo na abertura do longa-metragem: um carro atropelou um ciclista e fugiu sem prestar socorro. Em afiado registro das classes sociais diante da crise financeira de 2010, o realizador, além de oferecer um formato de narrativa lúdico, injeta um humor perspicaz no drama. Estreou em 12/11/2015.
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  • Todo Mundo Quase Morto (2004) é uma ótima comédia de zumbis. Zumbilândia (2009) chegou quase lá. Mas esta nova incursão no mundo dos mortos-vivos resume-se a duas ou três cenas para dar um sorriso amarelo. Fora isso, trata-se de um amontoado de clichês do cotidiano de adolescentes, piadas grosseiras e nenhuma originalidade na trama. Nela, um faxineiro ressuscita, por descuido, um morto de um laboratório. Corte! Três escoteiros (Tye Sheridan, Logan Miller e Joey Morgan) estão acampados quando dois deles decidem sair na surdina e curtir uma rave para a qual não foram convidados. No meio do caminho, começam a trombar com os zumbis e perceber que a cidade está sendo evacuada. O destaque fica para Sarah Dumont, a loira valente e funcionária de um clube de strippers. Claro, ela vira objeto de desejo dos garotos. Estreou em 12/11/2015.
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  • Na comédia nacional, Beth, (Giovana Echeverria), Milena (Barbara França) e Carina (Jeyce Valente) são amigas inseparáveis e conhecidas no Rio de Janeiro por frequentar baladas lendárias. Tudo muda após uma estada de Beth em Nova York. Inconformadas com o comportamento careta da colega, Milena e Carina fazem uma festa de réveillon para testar se, realmente, Beth mudou. Estreou em 12/11/2015.
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  • Benjamin (Vincent Lacoste) chega a um hospital público de Paris, onde seu pai é diretor, para ser estagiário. Desde criança, o rapaz, de 23 anos, tinha a certeza de que a medicina seria seu destino. Há tropeços no início: a fria recepção das enfermeiras, uma punção mal-sucedida e, sobretudo, a falta de equipamentos para um melhor atendimento aos pacientes. O colega Abdel (Reda Kateb), argelino que atua como residente, torna-se seu aliado. Médico e cineasta, Thomas Lilti faz uma prudente crítica ao sistema de saúde francês em meio à trajetória do protagonista do drama Hipócrates. Em sua meia hora inicial, o filme, assim como Benjamin, se mostra luminoso e enérgico. Após cometer um deslize numa emergência, o personagem cai numa apatia e vacila quanto ao futuro profissional. A trama segue pelo mesmo caminho: fica frouxa e insegura. Estreou em 12/11/2015.
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  • Romance

    Os Maias
    VejaSP
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    Em 2001, o diretor Luiz Fernando Carvalho fez uma bela e enxuta versão para a TV de Os Maias, tendo Ana Paula Arósio e Fábio Assunção nos papéis principais. O longa-metragem que chega às telas é dirigido pelo português João Botelho e, mesmo sendo mais fiel ao livro homônimo de Eça de Queiroz (1845-1900), arrasta-se em mais de duas horas. Aviso: tenha paciência para chegar ao cerne da trama. Em um prólogo em preto e branco, narra-se o drama da família Maia. O jovem Pedro apaixona-se por Maria Monforte, casa-se e tem dois filhos. Após a esposa traí-lo e fugir levando a menina, Pedro retorna ao lar com o pequeno Carlos Eduardo e se mata. O tempo passa. Em 1875, Carlos (papel de Graciano Dias), já adulto, vive com seu avô e leva uma vida boêmia acompanhado do amigo João da Ega (Pedro Inês). Quando Maria Eduarda (Maria Flor), casada com um brasileiro, chega à capital, o protagonista não resiste aos encantos da estranha. Os cenários internos são pavorosos, há poucos movimentos de câmera e as fachadas externas foram feitas com painéis pintados a mão. Parece um teatro filmado com recursos do século passado. Estreou em 12/11/2015.
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  • Ao contrário de João Botelho, diretor de Os Maias, o também português Miguel Gomes revela-se provocador e incisivo em seus trabalhos. De uma só tacada, o realizador concebeu uma trilogia para abordar os problemas socioeconômicos de seu país. As Mil e uma Noites, Volume 1 — O Inquieto tem seus vinte primeiros minutos documentais. A partir daí, o cineasta se aproveita do título e da estrutura dos famosos contos árabes narrados pela princesa Sherazade. Três histórias mesclam o absurdo à realidade, cenas surrealistas com depoimentos profundamente tristes — contam pontos as três comoventes declarações dos desempregados narrando suas agruras diante da crise portuguesa. A corrupção no poder e as decisões dos grandes líderes tomam conta do primeiro episódio. Mais nonsense, o segundo capítulo trata do julgamento de um galo para focar a falta de instrução de eleitores no interiorzão de Portugal. Uma baleia encalhada na praia seria uma metáfora da caótica situação. Muitas vezes hermético, o cinema de Miguel Gomes é intelectualizado e crítico. E não menos tedioso. Estreou em 12/11/2015.
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  • Adaptação do livro de Milton Hatoum, o drama mostra a volta de Arminto Cordovil (Daniel de Oliveira) à casa do pai. Lá, reencontra Florita (Dira Paes), com quem teve um relacionamento no passado. Sua atenção, porém, recai sobre uma cantora (Mariana Rios). Estreou em 12/11/2015.
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  • Na continuação da animação de 2012, o troll Orm, depois de vencer a Rainha das Neves, tem uma nova missão. Ele quer dar mais conforto a sua avó, com quem vive e, para isso, decide participar de uma batalha cujo prêmio será o casamento com uma princesa. Quase nada funciona no desenho animado russo: um protagonista falastrão que tem um alter ego do mal (confuso para a criançada) metido numa aventura sem graça nem tensão. Estreou em 12/11/2015.
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  • O documentário enfoca as semelhanças entre o samba carioca e o jazz de Nova Orleans. Há depoimemtos de Arlindo Cruz e Alcione, entre outros. Estreou em 12/11/2015.
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  • Após receber o indulto do Dia das Mães, Damião (Vinícius de Oliveira) sai da cadeia e vai procurar o irmão, um mecânico evangélico (Clayton Mariano). O presidiário tem uma missão a cumprir para o crime organizado, mas o destino o leva para outro caminho. Ao reencontrar Palito (papel da revelação Ariclenes Barroso), Damião se sente atraído por Cleo (Sara Antunes), a professora de dança do amigo. Em seu primeiro longa-metragem, o diretor paulistano Luis Dantas envereda pela periferia da capital para fazer um registro de tom realista. Com elenco à vontade, situações críveis e clima de road movie, o filme fica com um saldinho devedor. Além de o personagem do policial novato (Leonardo Santiago) ser pouco (e mal) explorado, o título do longa-metragem não se concretiza a contento. Promete-se algo como um confronto explosivo, mas o resultado da cena frustra. Estreou em 12/11/2015.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO