Cinema

'Homem-Formiga' e o francês 'Uma Nova Amiga' são os destaques

Filme da Marvel e o novo drama de François Ozon valem o ingresso 

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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Melhor do que Vingadores - Era de Ultron, o novo filme da Marvel apresenta um herói ao público. Em Homem-Formiga, o espectador vai conhecer a história de um ladrão que aceita a proposta de um ricaço para virar um homem minúsculo e, assim, combater o inimigo. Paul Rudd, que interpreta o personagem-título, tem humor de sobra para a diversão ir além do trivial. 

Numa pegada mais dramática, Uma Nova Amiga traz um tema atual à tona, o cross-dressing, sobre um viúvo (o ótimo Romain Duris) que gosta de se vestir de mulher. Também merece atenção o belo desenho animado japonês O Conto da Princesa Kaguya, que concorreu ao Oscar neste ano. 

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Embora tenha um empenhado Mark Ruffalo no elenco, o drama Sentimentos que Curam, além do título brega, não chega a lugar nenhum ao tratar a doença da bipolaridade de forma rasa.

Truque ou realidade? Foi Tom Cruise mesmo quem fez a insana cena do avião em Missão: Impossível – Nação Secreta?

Quem gosta da obra do diretor Woody Allen tem endereço certo nos cinemas que exibem o documentário sobre o grande diretor americano. 

  • Banhos, de 1999, era um eficiente retrato da China, dividida entre gerações. Diretor daquele filme, Zhang Yang tenta algo semelhante em seu novo trabalho, O Ciclo da Vida. A história cobre a trajetória de idosos numa casa de repouso, mas concentra-se, sobretudo, no senhor Ge (Xu Huanshan), que perdeu a segunda esposa, foi despejado por seu enteado em troca de dinheiro e tem rusgas permanentes com o filho. Ele vai, então, à procura do velho amigo Zhou (Wu Tian- Ming). Lá, ambos ficam às voltas com as durezas da idade e, para descontrair, ensaiam uma divertida apresentação para um concurso de TV. Apesar de muitas vezes ser um registro duro e realista da velhice, o longa-metragem escorrega em concessões sentimentais. A melosa trilha sonora instrumental, por exemplo, pontua cada momento de emoção. Também são dispensáveis as forçosas sequências para arrancar lágrimas do espectador à custa de uma morte anunciada. Estreou em 16/7/2015.
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  • Finalista do Oscar 2015 de melhor animação, O Conto da Princesa Kaguya perdeu o prêmio para Operação Big Hero. Dá para compreender a decisão. Ao contrário do desenho animado vencedor, da Disney, com apelo muito mais popular, a pequena obra-prima japonesa segue a “antiga” técnica dos traços manuais e traz à tona uma fábula, por vezes complexa, do século X. Embora seja um (longo) filme para a admiração dos adultos, os mais crescidinhos podem se entreter com a magia da trama. Nela, um cortador de bambu encontra um minúsculo bebê dentro de um caule e o leva para casa. Como não têm filhos, ele e a esposa decidem criar a menina, cuja velocidade de crescimento se revela espantosa. O pai deseja o melhor para a filha e, ao receber uma fortuna, deixa o campo em direção à cidade, constrói um casarão e espera a visita de pretendentes para sua princesa Kaguya. Rebelde, a jovem despreza as tradições e quer ter opinião e escolhas próprias. Em cores esmaecidas e estilo impressionista, o desenho arrebata pelo esplêndido visual, um precioso trabalho do veterano cineasta Isao Takahata, de 79 anos, um dos fundadores do já lendário estúdio Ghibli. Estreou em 16/7/2015.
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  • Certamente, Homem-Formiga não terá a mesma repercussão nem a gorda bilheteria de Vingadores — Era de Ultron, o outro trabalho da Marvel lançado em 2015. É um pena porque, além de uma história mais redonda, o filme do herói minúsculo não se faz à base de efeitos visuais, embora eles marquem boa presença. O roteiro segue a linha didática para lançar um novo personagem nos cinemas. Na trama, Scott Lang (Paul Rudd) sai da cadeia, onde ficou três anos cumprindo pena por assalto. Auxiliado pelo parceiro Luis (Michael Peña em surpreendente atuação) e dois comparsas, Lang invade a casa de um ricaço e, dentro de um cofre, encontra uma fantasia retrô. A surpresa vem a seguir: ao vestir o uniforme, ele fica do tamanho de um inseto. O próprio dono da mansão traz a explicação para o fato. Hank Pym (Michael Douglas) inventou, décadas atrás, uma fórmula de encolhimento, que agora está sendo testada, para fins não muito nobres, por seu pupilo (papel de Corey Stoll). Pym propõe ao ladrão para assumir o posto do Homem-Formiga e, assim, combater o inimigo. Apesar da extensa carreira, Rudd, de 46 anos, fez muitas comédias de pouco sucesso (como Eu Te Amo, Cara e Bem-Vindo aos 40) e, agora, tem a grande (e merecida) chance de virar astro. Também se mostra acertada a escolha do diretor Peyton Reed. Especialista em humor (caso dos longas-metragens Sim Senhor e Separados pelo Casamento), o realizador aproveita um roteiro de citações (sobretudo ao universo Marvel) para descontrair a plateia. O efeito é tiro e queda. Estreou em 16/7/2015.
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  • François Ozon tem uma das filmografas mais instigantes do novo cinema francês em trabalhos como Sob a Areia, O Tempo que Resta, Ricky e Dentro da Casa. Soma-se à sua carreira Uma Nova Amiga, mais um ótimo longa-metragem disposto a fazer refletir sobre um tema atual, o cross-dressing. O drama começa com a morte de Laura (Isild Le Besco), amiga de Claire (Anaïs Demoustier) desde a infância. Ainda emocionalmente arrasada, ela se aproxima de David (Romain Duris), o viúvo que, sozinho, precisa cuidar de um bebê. O reencontro é regado a uma grande surpresa: dentro de casa, ele gosta de se vestir de mulher. A princípio, Claire acha tudo muito estranho, mas, aos poucos, entende a vontade do novo amigo e, casada com Gilles (Raphaël Personnaz), passa a questionar seu estreito modo de vida. Inspirado num conto da inglesa Ruth Rendell, que morreu em maio, aos 85 anos, o filme põe na roda um assunto tabu por meio de situações que flertam com a seriedade e o humor. O amplo painel dos desejos (secretos ou não) e das relações sexuais ganha ainda mais credibilidade pela excepcional atuação de seu protagonista, que foge da caricatura e manda muito bem no salto alto. Estreou em 16/7/2015.
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  • Diagnosticado como maníaco-depressivo, Cameron (Mark Ruffalo) não consegue arranjar um emprego, recusa ajuda da família e, casado com Maggie (Zoe Saldana), tem duas filhas para criar. A esposa toma uma decisão radical ao decidir estudar em outra cidade e deixar o marido cuidando das duas meninas (papéis de Imogene Wolodarsky e Ashley Aufderheide). Ambientado em 1978, o drama não se aprofunda na relação conjugal conturbada nem na doença do protagonista e tampouco em seu comportamento bipolar. Em uma hora e meia, há desperdício do empenho de Rufallo (o Hulk) e um tema sério tratado de forma vazia e sentimentóide. Estreou em 16/7/2015.
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  • Realizado em 2012, Woody Allen — Um Documentário chega tardiamente aos cinemas e já está disponível no Netflix. Trata-se de um estudo feito com esmero, ao longo de um ano e meio, sobre um dos mais importantes diretores da história. O roteiro repassa as seis décadas de carreira do nova- iorquino, trazendo entrevistas de astros como Scarlett Johansson, Penélope Cruz, Josh Brolin e John Cusack, além de emblemáticas cenas de seus grandes trabalhos, a exemplo de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977), Hannah e Suas Irmãs (1986), Crimes e Pecados (1989) e Vicky Cristina Barcelona (2008). Também são lembradas as duas musas de sua filmografia, Diane Keaton e Mia Farrow. O maior interesse, contudo, recai sobre os raros depoimentos do próprio Allen, que confessa não ver importância em sua obra e preferir um jogo na TV a um set de filmagem. A improvisação durante o processo de gravação é igualmente abordada pelo elenco de seus fabulosos longas-metragens. Estreou em 16/7/2015.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO