Cinema

'Missão: Impossível - Nação Secreta' é a principal estreia da semana

Quinto episódio da franquia tem ação e humor numa trama engenhosa  

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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Depois de algumas semanas fracas para o cinema comercial, eis que surge um bom programa-pipoca. É Missão: Impossível - Nação Secreta, quinto (e eletrizante) episódio da franquia estrelada por Tom Cruise que, por sinal, está em ótima forma aos 53 anos. 

Embora em circuito menor, três outros filmes merecem atenção. Da França, chegam o drama policial Na Próxima, Acerto no Coração, com estupenda atuação de Guillaume Canet, e a deliciosa comédia Sobre Amigos, Amor & Vinho, obrigatório para os homens que já passaram dos 40 anos.

A outra dica é A Dama Dourada, inspirado em fato real e ambientado em duas épocas: 1938 e 1998.

 Os outros lançamentos são dispensáveis, sobretudo o drama paulistano Obra e a comédia musical americana A Escolha Perfeita 2. 

 

  • Maria Altmann (na fase madura interpretada por Helen Mirren) nasceu na Áustria e, acompanhada do marido, deixou a família em seu país, já dominado por Hitler, em 1938. Radicada em Los Angeles desde então, Maria é dona de uma butique feminina e possui um padrão econômico de classe média. Sua vida sofre uma guinada quando, em 1998, ela decide reaver cinco telas do pintor Gustav Klimt, entre elas o famoso Retrato de Adele Bloch-Bauer (conhecido como A Dama Dourada), que foram roubadas de sua família pelos nazistas — Maria era sobrinha de Adele. A batalha será árdua e complicada. Símbolo da arte austríaca, o quadro integra o acervo da Galeria Nacional, e o governo não tem intenção de repatriar a obra. Para ajudá-la no caso, entra na parada o perseverante advogado Randy Schoenberg (Ryan Reynolds). Com roteiro inspirado livremente no livro-reportagem de Anne-Marie O’Connor, o filme faz um bom equilíbrio de drama de tribunal e suspense e registra, com forte carga emocional, a agonia dos judeus na iminência da II Guerra. Simon Curtis, diretor de Sete Dias com Marilyn, dá ritmo e tensão à história. Embora de gerações e filmografias muito distintas, a dupla de protagonistas consegue ótima química em cena. Estreou em 13/8/2015.
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  • Alguém disse que a gorducha Rebel Wilson era engraçada e outro falou que a atriz Elizabeth Banks poderia dirigir um longa-metragem. Assim nasceu A Escolha Perfeita 2, continuação da já banal comédia musical, lançada em dezembro de 2012. O roteiro reprisa quase a mesma história. Embora humilhado numa exibição no aniversário do presidente Barack Obama (no único momento divertido da trama), o grupo de universitárias As Belas deseja representar os Estados Unidos em uma competição internacional de cantoria a capela em Copenhague, na Dinamarca. O conjunto, liderado por Beca (Anna Kendrick), Amy (Rebel Wilson) e Chloe (Brittany Snow), terá, contudo, de enfrentar a concorrência. Até chegar à apresentação final (com um pinguinho de emoção), o filme se divide em números musicais esticados, piadas sem graça e romances aguados. Nem mesmo a presença da talentosa Hailee Steinfeld (indicada ao Oscar por Bravura Indômita), nova integrante da turma, consegue dar algum ânimo à sequência mais dispensável do ano. Estreou em 13/8/2015.
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  • Decepção define bem a comédia Las Insoladas. O motivo é simples: o argentino Gustavo Taretto dirigiu, em 2011, a pequena pérola Medianeras, uma arguta radiografia do amor nos tempos da internet. Sua volta às telas também se dá em tom de humor, porém o roteiro não tem o brilho e a criatividade do filme anterior. A trama se passa inteiramente no topo de um edifício de Buenos Aires, no tórrido dezembro de 1995. Seis amigas (Marina Bellati, Elisa Carricajo, Luisana Lopilato, Carla Peterson, Violeta Urtizberea e Maricel Álvarez) bronzeiam-se ao sol enquanto batem papo sobre homens, beleza, trabalho e... férias (!). Dançarinas amadoras de salsa, elas têm o sonho de passar duas semanas em Cuba. Taretto se esmera em, num único ambiente, mostrar o calor da capital portenha no verão — seja por meio de um termômetro e um relógio indicando as altas temperaturas e a passagem das horas, seja pela vermelhidão no corpo das protagonistas. Sua primorosa direção, no entanto, fica refém de diálogos fúteis na tentativa de emular os primórdios do cinema de Pedro Almodóvar. Estreou em 13/8/2015.
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  • No início do século XVIII, um cartógrafo inglês (papel de Jason Flemyng) embarca numa aventura para mapear as terras da da Transilvânia. Estreou em 13/8/2015.
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  • Com J.J. Abrams e Brad Bird no comando, respectivamente, do terceiro e quarto episódios, a cinessérie poderia correr um grande risco com a troca de diretor. Mas Missão: Impossível — Nação Secreta passa muito bem pelo padrão de qualidade e, sem arranhões, consegue respeitar o eletrizante pique dos filmes anteriores. É uma surpresa, sobretudo, porque o novo cineasta (e roteirista), Christopher McQuarrie, dirigiu Tom Cruise no insosso e pouco notado Jack Reacher (2012). Ele se redime aqui com uma trama de fôlego intenso, vibrantes cenas de ação e um tempero de humor provocado pelo ator inglês Simon Pegg. Nada estaria tão azeitado, contudo, se Tom Cruise não estivesse na linha de frente — além de protagonista, ele é produtor. Quanto mais absurdo, melhor. A frase, que também vale para a franquia Velozes & Furiosos, aplica-se nesta fita em diversos momentos, e, por isso, convém pôr o realismo de lado para embarcar na fantasia. A história começa com a já famosa sequência em que Ethan Hunt (Cruise) se agarra à porta de um avião em decolagem. Após a missão, ele e sua equipe caem em desgraça diante de um chefão da CIA (papel de Alec Baldwin). Fica decidido, então, que o IMF, órgão supersecreto para o qual eles atuam, chegou ao fim. Entretanto, Hunt decide manter-se, secretamente, na função para encontrar o líder do Sindicato, organização terrorista responsável por atentados no mundo. Há locações em Londres, Marrocos e Viena, uma boa espiã dissimulada (Rebecca Ferguson) e um senso de ritmo para não deixar a peteca cair. Quer programa pipoca melhor? Estreou em 13/8/2015.
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  • Inspirado em um episódio verídico, o drama Na Próxima, Acerto no Coração traz à tona um personagem singular. Alain Lamare, no filme chamado Franck Neuhart, apavorou os habitantes da região de Oise, na França, no fim da década de 70. Policial acima de qualquer suspeita, esse sujeito taciturno (e muito bem interpretado por Guillaume Canet) tinha um lado perverso. Durante as folgas, Franck dava carona a moças e as matava à quei maroupa. Era ele também um dos investigadores dos próprios crimes. Solitário e sem namorada, o serial killer conseguiu conquistar a atenção da faxineira de sua casa (papel de Ana Girardot). Assim como o protagonista, o longa-metragem adota uma narrativa sóbria, cinzenta e discreta. Despreza os julgamentos morais para investir no registro frio de uma alma atormentada. Estreou em 13/8/2015.
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  • Pontos de São Paulo bem escolhidos, fotografa em preto e branco deslumbrante e a diferenciada filmagem em formato scope não fazem um bom filme. Embora o olhar do diretor sobre a capital paulista seja incisivo e a premissa instigue, o drama rasteja em sequências muito lentas, deixando o suspense frouxo. Na trama, o arquiteto João Carlos (Irandhir Santos) toca uma obra em um terreno que pertenceu ao seu avô. Para complicar o trabalho, ossos humanos são descobertos por lá. Mesmo alertado pelo mestre de obras (papel de Júlio Andrade), o protagonista, prestes a ser pai, fica em dúvida sobre qual decisão tomar. Estreou em 13/8/2015.
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  • Antoine (Lambert Wilson) tem 50 anos (embora acredite que aparente menos) e é casado. Bonitão em boa forma física e infiel, sempre arranja companheiras mais jovens. Após sofrer um ataque cardíaco, ele passa a encarar a vida de outra maneira. Volta a fumar e resolve aproveitar ao máximo seus dias, além de tirar a trava da língua e falar as verdades, doa a quem doer. Nas férias de verão, reúne a mulher mais quatro amigos com as respectivas esposas para passar duas semanas em uma casa alugada no sul da França. O ponto de partida não é original, mas Sobre Amigos, Amor & Vinho cai feito uma luva como um retrato da crise da maturidade — os homens que passaram dos 40 devem se identificar com as atitudes do protagonista. Com diálogos saborosos e situações plausíveis, o roteiro, escrito pelo próprio diretor, Eric Lavaine, rende também um divertido (e por vezes comovente) registro sobre o valor da amizade. Estreou em 13/8/2015.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO