Cinema

"Ted" apresenta a relação de um trintão com um urso de pelúcia falante

Hilariante comédia é de Seth MacFarlane, criador do cultuado seriado de animação "Uma Família da Pesada"

Por: Miguel Barbieri Jr.

Ted - Cinema - 2288
Mark Wahlberg e o boneco: altos papos e bebedeiras (Foto: Divulgação)

Entra ano, sai ano e Hollywood revela um nome do humor saído da TV. Alguns bons exemplos são o diretor e roteirista Judd Apatow (“O Virgem de 40 Anos”) e o ator Sacha Baron Cohen (“O Ditador”). O cara da vez se chama Seth MacFarlane, criador do cultuado seriado de animação “Uma Família da Pesada” (1999-2012). Em sua estreia no cinema (como diretor e roteirista), MacFarlane marcou um golaço: “Ted”, além de divertidíssimo, faturou cerca de 217 milhões de dólares nos Estados Unidos e ocupa a sexta posição no ranking das maiores bilheterias de 2012 naquele país.

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“Ted” segue a linha da “comédia para marmanjos”, cujo ápice de sucesso se deu em “Se Beber, Não Case!”, de 2009. Há, porém, um abismo entre as duas fitas. Sem apelações grotescas e muito mais inteligente e perspicaz, a produção pode também agradar às mulheres — sua história envolve romance e traz um urso de pelúcia como protagonista. Mas calma lá. Não se trata de um personagem fofinho nem infantil. A trama começa em meados da década de 80 e flagra a solidão do menino John. Para fazer companhia ao filho, seus pais o presenteiam no Natal com o tal brinquedo. John quer que Ted ganhe vida e seu desejo é atendido (!).

Já aos 35 anos, John (um papel sob medida para Mark Wahlberg) virou atendente numa locadora de carros em Boston, mora há quatro anos no apartamento da namorada (Mila Kunis) e ainda tem em Ted (dublado por MacFarlane na versão em inglês) seu único amigo. Eles adoram assistir à ficção trash “Flash Gordon” (1980) na TV, sempre acompanhados de cerveja e, olha só, substâncias ilícitas. Longe de ser um modelo, o desbocado Ted transa com prostitutas e adora uma balada de arromba. Impressionante: embora uma criação digital, o personagem de personalidade forte parece mesmo de verdade.

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MacFarlane, de 38 anos, pode ser considerado a versão americana de Baron Cohen. Tal qual o humorista inglês, ele não perdoa nada nem ninguém em sua sátira ácida. Na mira dos disparos hilários estão de judeus a gays, da cantora Norah Jones ao galãzinho Taylor Lautner (“Crepúsculo”). Ted, contudo, incide numa graça menos ofensiva e recheada de citações do universo pop. Quem pescar as piadas vai saber que assistiu a uma das melhores comédias do ano.

AVALIAÇÃO ✪✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO