Cinema

Drama "As Palavras" faz bom casamento entre cinema e literatura

Longa-metragem com Dennis Quaid e Bradley Cooper reanima o gênero de filmes que tratam de obras literárias

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

As Palavras
O escritor (Bradley Cooper) e o casal dos anos 40 (Ben Barnes e Nora Arnezeder): todos são personagens de um romance (Foto: Divulgação)

Ao ser descrito, pode parecer complexo, mas o enredo do drama As Palavras é redondo e reanima o gênero dos filmes que tratam de literatura. A história tem início com uma apresentação do escritor Clay Hammond (Dennis Quaid). Diante de uma plateia de fãs, o autor de As Palavras narra os primeiros capítulos de sua ficção. A partir daí, vê-se na tela a trajetória de um aspirante no mundo das letras, Rory Jansen (papel do galã Bradley Cooper, de Se Beber, Não Case!).

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Embora tenha dedicado tempo integral para finalizar seu primeiro livro, Jansen não conseguiu uma editora para publicá-lo. Haverá, porém, uma reviravolta. Na viagem de lua de mel à França com a esposa (Zoe Saldana), Jansen ganha de presente dela uma pasta comprada num antiquário. De volta a Nova York, o rapaz encontra escondido na bolsa um calhamaço datilografado. É um belo romance inédito, ambientado na Paris do pós-guerra. Jansen resolve tomar o texto para si. Seu chefe,um poderoso agente literário, não tem dúvida de que se trata de um best-seller e decide lançá-lo. O sucesso traz fama, dinheiro e prêmios ao novo queridinho das livrarias. Contudo, um velho doente (Jeremy Irons) o encontra trazendo uma revelação: ele é o verdadeiro dono dos escritos. Para provar a verdade, relembra momentos de seu passado — a trama, então, retorna ao fim dos anos 40 para focar a relação amorosa de um soldado americano (Ben Barnes) e uma francesa (Nora Arnezeder).

Em uma das subtramas de Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, Woody Allen enfocava um tipo sem talento roubando os originais do livro de um amigo acidentado. Se o tom lá era de humor, aqui respinga no suspense. Sem perder o fio da meada, os novatos roteiristas e diretores estreantes Brian Klugman e Lee Sternthal dão importância e interesse a cada uma das três narrativas, criando uma notável metalinguagem. Sem a pretensão de muitos calouros, a dupla de realizadores convence a plateia de que há muito de ficção na realidade— e vice-versa.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO