Sem perder a ternura

"7 Dias em Havana" traz visão crítica, porém afetuosa, de Cuba

Na fita em episódios, sete diretores de nacionalidades diferentes filmam a ilha de Fidel

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

7 Dias em Havana
Vladimir Cruz e Josh Hutcherson: protagonistas da primeira história (Foto: Divulgação)

Cuba não é unanimidade. Enquanto uns se encantam com a música e a história da revolução comunista, outros rejeitam a falta de liberdade nesse país parado no tempo. Um projeto para mostrar Havana na visão de sete diretores de nacionalidades distintas mostra-se, portanto, muito atraente. Rodada na capital, a comédia dramática 7 Dias em Havana, em pré-estreia no Reserva Cultural, não disfarça os problemas existentes por lá e tira graça de histórias singelas. Nem todosos episódios, no entanto, passam pelo crivo da qualidade.

O ator Benicio Del Toro assina o primeiro conto, ambientado na segunda-feira (os demais se passam nos outros dias da semana). Na trama, um jovem ator americano (papel de Josh Hutcherson, de Jogos Vorazes) chega à cidade e, conduzido por um taxista (Vladimir Cruz), termina a noite de forma inesperada num hotel. O argentino Pablo Trapero (Abutres) convidou o cineasta iugoslavo Emir Kusturica para interpretar um diretor bêbado que vai receber um prêmio num festival. Também agrada o humor silencioso do palestino Elia Suleiman (Intervenção Divina). No papel de si mesmo, ele tenta entrevistar Fidel, sempre voltado a seus intermináveis discursos à nação.

Tanto o cubano Juan Carlos Tabío (Morango e Chocolate) quanto o francês Laurent Cantet (Entre os Muros da Escola) nortearam suas narrativas para as limitações financeiras do povo e a solidariedade dos vizinhos. Pelo lado novelesco, revela-se inferior a história do espanhol Julio Medem (Lúcia e o Sexo) a respeito de uma cantora (a fraca Melvis Estévez) indecisa quanto a ficar com o namorado brucutu ou partir para a Europa com um empresário espanhol (Daniel Brühl).O franco-argentino Gaspar Noé (Irreversível) também destoa do conjunto ao apresentar um ritual de purificação de uma garota flagrada na cama pelo pai com outra mulher.

Apesar de respeitosos, os cineastas, em sua maioria, não deixaram a porção crítica de lado. Seja da maneira implícita esagaz de Suleiman ou do jeito, digamos, turístico de Del Toro, Cuba surge suja e decadente, entre apagões e falta d’água — movida, contudo, pela energia de uma população entregue nas mãos da Virgem Maria e de Oxum, conforme revela o derradeiro curta, de Laurent Cantet.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO