Teatro

Cinco sucessos do ano passado voltam ao cartaz

"Caros Ouvintes" e "Killer Joe" estão entre as boas opções

Por: VEJA SÃO PAULO - Atualizado em

Caros Ouvintes
A comédia faz sucesso com enredo ambientado na fase de declínio das radionovelas (Foto: Priscila-Prade)

Cinco sucessos do ano passado voltam ao cartaz em busca de espectadores na temporada 2015.

  • Um ator é resultado dos desafios que escolhe abraçar. Conhecida pelos personagens doces da televisão, Gabriela Duarte deixa a zona de conforto e enfrenta um tipo bem mais sombrio no drama Através de um Espelho, adaptado por Jenny Worton do filme homônimo de Ingmar Bergman. Na trama, a protagonista Karin acaba de sair de uma clínica psiquiátrica e reencontra a família em uma casa de veraneio. Amparada pelo zeloso marido (papel de Marcos Suchara), ela revive seu passado e a relação patológica com o pai, um escritor egocêntrico (papel de Nelson Baskerville), e o irmão adolescente (Lucas Lentini). Sob a condução cuidadosa do diretor Ulysses Cruz, Gabriela se sai bem, principalmente ao optar por delicadas nuances de personalidade e ressaltar a fragilidade e não os extremos da personagem esquizofrênica. Para isso, ela conta com um valioso suporte do afinado elenco, uma encenação plasticamente perfeita e um texto construído sem maniqueísmos, que faz pensar. Estreou em 5/9/2014. Até 8/2/2015.
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  • Apoiado em vozes potentes e na fértil imaginação do público, o rádio brasileiro conheceu o apogeu entre os anos 1940 e 1950. Com a consolidação da televisão, a imagem passou a ser a prioridade em detrimento do som e, na década seguinte, as radionovelas não resistiram às tramas eletrônicas. Foi essa fase que inspirou o autor e diretor Otávio Martins a traçar um retrato artístico, comportamental e político da época. A comédia é ambientada em 1968, nos bastidores de uma emissora prestes a transmitir o capítulo final de um folhetim. O produtor Vicente (papel de Marcos Damigo) mantém um caso com a atriz Conceição (personagem de Natallia Rodrigues) e dribla as orientações do publicitário Vespúcio (Elam Lima). Mais antigos na rádio, o galã Péricles (Eduardo Semerjian) e a cantora Leonor (Camilla Camargo) enfrentam a decadência profissional, enquanto a tensão se instaura diante do desaparecimento de um dos atores. Com inteligência e sensibilidade, a montagem transita por situações dramáticas e trágicas, muitas vezes sem a plateia se dar conta. Com Oscar Filho, Nany People e Ivo Müller. Estreou em 16/8/2014. Dias 2, 3 e 4/12/2016.
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  • Depois do bem-sucedido A Madrinha Embriagada, o diretor Miguel Falabella engata este grandioso projeto no mesmo palco. Baseada no texto de Dale Wassermanom, com melodias de Mitch Leigh e letras de Joe Darion, a ação foi ambientada em um manicômio do fim da década de 30. Por lá, um paciente (interpretado por Cleto Baccic) apresenta-se como Miguel de Cervantes, poeta, ator e coletor de impostos, e interna-se na companhia do criado Sancho (Jorge Maya). Para minimizar a triste realidade, ele propõe aos internos e funcionários um mergulho na fantasia, e todos passam a fazer teatro. Eles descobrem a força do sonho como meio para suportar o cotidiano. Além do bom trabalho de Baccic e Maya, Sara Sarres sobressai na pele de Dulcineia e Guilherme Sant’Anna dá fôlego ao papel de Governador. Criativa e correta, a versão de Falabella tem grande capacidade de comunicação com a plateia a que se destina e a deixa de olhos cheios. Estreou em 13/9/2014. Até 28/6/2015. Em 1972: o musical teve uma célebre montagem protagonizada por Paulo Autran, Bibi Ferreira e Grande Otelo, com direção de Flávio Rangel.
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  • Cultuado no meio teatral, o dramaturgo e roteirista americano Tracy Letts tem a obra divulgada no Brasil muito mais pelo cinema. Os dramas Álbum de Família, protagonizado por Meryl Streep e Julia Roberts, e Killer Joe – Matador de Aluguel, com Matthew McConaughey, são adaptações de densas peças de sua autoria. Escrito em 1991, o original desse último filme ganha a primeira encenação brasileira em uma eletrizante e vigorosa montagem dirigida por Mário Bortolotto. Perseguido por traficantes, um jovem (papel de Gabriel Pinheiro) elabora um plano para salvar a própria pele e envolve a família na jogada. Para isso, ele contrata um matador de aluguel (Carlos Carcarah), que se encanta com a irmã do rapaz (Ana Hartmann, que se reveza com Gabriella Spaciari) e passa a conviver com o pai (o ator Fernão Lacerda) e a madrasta deles (Aline Abovsky). Fracassados por natureza e sem chance de redenção, os personagens de Letts se adaptam perfeitamente ao universo de Bortolotto, que não economiza no realismo e extrai surpreendentes interpretações do elenco. Trata-se de uma história destinada a quem tem estômago forte, levada ao palco com similar intensidade. Estreou em 13/6/2014. Até 10/3/2016.
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  • Certos espetáculos conseguem conquistar o espectador pela simplicidade. Esse é o caso da comédia escrita pela israelense Anat Gov (1953-2012), capaz de provocar risos e também reflexões em quem estiver disposto. Na trama, um homem misterioso (Dan Stulbach) entra no consultório de Ana (Irene Ravache), uma psicóloga fatigada depois de um dia de trabalho. Deprimido, ele pensa em se matar, mas esse ato viria seguido de uma consequência extrema — afinal, ele é o Criador. Ateia, Ana nunca dedicou seu tempo às orações e, em alguns momentos, chegou a ser dominada pela revolta. Custou a aceitar, por exemplo, o fato de ter um filho autista (Pedro Carvalho). Em cena, a carismática Irene cativa pela forma como expressa a perplexidade da personagem e se mostra fundamental para estabelecer a empatia com a plateia. Stulbach, por sua vez, se sai melhor quando consegue controlar o exagero inicial apoiado na segurança da parceira. Estreou em 28/3/2014. Até 29/3/2015. Tema universal: a peça, escrita por Anat Gov em 2008, já foi montada em Israel, na Argentina, na Itália e nos Estados Unidos.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO