Eleições

Cinco rumos para São Paulo

Os principais candidatos a prefeito se posicionam sobre temas polêmicos e apresentam as propostas que pretendem implantar em sua administração caso sejam eleitos

Por: Daniel Bergamasco - Atualizado em

Candidatos eleições municipais 2012
Na ilustração, Soninha, Serra, Russomanno, Haddad e Chalita: uma das eleições mais disputadas dos últimos tempos (Foto: Sattu)

A uma semana do primeiro turno do pleito municipal, marcado para o próximo dia 7, a temperatura da corrida está mais alta do que nunca, com ataques dos mais diversos gêneros entre os concorrentes. Essa situação é decorrência de uma das eleições mais acirradas dos últimos tempos.

Segundo a pesquisa do Ibope divulgada na terça passada (25), Celso Russomanno, do PRB, permanece na dianteira, com 34% das intenções de voto. O petista Fernando Haddad (18%) e o tucano José Serra (17%) travam uma dura batalha para ver quem vai enfrentá-lo no segundo turno. Mais distantes desse pelotão se encontram Gabriel Chalita (7%), do PMDB, e Soninha Francine (4%), do PPS. 

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Nas duas últimas semanas, VEJA SÃO PAULO conversou com esses cinco principais candidatos à sucessão de Gilberto Kassab a respeito de suas ideias para os principais problemas da cidade. Além de falarem dos princípios que vão nortear sua administração em áreas como saúde, segurança, educação e trânsito, eles foram questionados sobre temas objetivos ligados ao dia a dia da metrópole, mesmo os mais polêmicos.

Admitem instituir o pedágio urbano como forma de amenizar os congestionamentos? Pretendem manter nas escolas municipais o princípio da progressão continuada, que acaba com a repetência na maior parte das séries? No fim dos principais blocos de perguntas, especialistas dessas áreas analisaram a viabilidade das propostas mais importantes. As páginas a seguir apresentam o rumo para o qual cada um dos prefeituráveis pretende direcionar a capital nos próximos anos. 

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QUAL SERÁ SUA PRIMEIRA DECISÃO AO CHEGAR À PREFEITURA?

Celso Russomanno (PRB) — “Sairei pelas ruas para fazer uma radiografia do que está acontecendo na saúde. Conversarei com gestores e convênios e darei a eles 24 horas para me apresentarem uma solução para o que não estiver indo bem.” 

Fernando Haddad (PT) — “Cuidarei da desapropriação de terrenos para construir 172 creches e os três hospitais públicos prometidos pela gestão atual.” 

José Serra (PSDB) — “Farei uma reforma administrativa, que terá entre as medidas a criação da Secretaria de Licenciamento — um balcão único para aprovação de empreendimentos, combatendo a burocracia e a corrupção.” 

Gabriel Chalita (PMDB) — “Reduzirei o número de secretarias de 27 para cerca de dezesseis, unindo áreas correlatas e extinguindo, por exemplo, a Secretaria de Articulação para a Copa do Mundo.” 

Soninha Francine (PPS) — “Tentarei acabar com as filas nos consultórios públicos da cidade em no máximo um mês, com o pagamento de hora extra aos médicos e o reforço de hospitais estaduais e federais.”

 

Educação - aula em escola municipal
Aula em colégio municipal: avanços em ritmo lento (Foto: Rodrigo Capote/Folhapress)

DE QUE FORMA VAI MELHORAR O DESEMPENHO DAS ESCOLAS?

A nota do 5º ano do ensino fundamental no indicador Ideb, do MEC, continua aquém da meta estabelecida para a cidade (4,9)

■ Russomanno — “O método das aulas pode ser o mesmo, mas cobrando mais na avaliação e aprimorando o acompanhamento. Os responsáveis pela criança vão receber o boletim em casa e serão chamados à escola. Muitos pais e mães na periferia, até por falta de conhecimento, não têm condição de ajudar o filho a estudar. Por isso, ele terá professor assistente no contraturno, como nos colégios particulares.”

■ Haddad — “A implantação das escolas em tempo integral é uma das principais medidas, assim como o forte investimento na educação infantil. Em cada subprefeitura, haverá um polo de apoio a professores da rede pública, inclusive da estadual, que queiram fazer mestrado e doutorado. O país tem cumprido a meta do Ideb, mas São Paulo não. Complementarei tudo isso com a construção de vinte CEUs.”

■ Serra — “O ensino municipal ainda está em fase de reconstrução, devido ao grande estrago feito em quadriênios anteriores. Acabaram problemas como alunos em escola de lata, por exemplo. Ao mesmo tempo, colégios foram construídos, o número de horas diárias passou de quatro para cinco por dia e os professores ganharam bons aumentos. Vamos aprimorar, reforçando esse trabalho, que está no caminho certo.”

■ Chalita — “Implantarei, aos poucos, o período integral, além de criar cursos de aperfeiçoamento para os docentes. Muitos querem aprender a dar aulas na língua dos sinais para surdos e mudos, por exemplo, e não têm a quem recorrer.”

■ Soninha — “Há várias entidades que militam na área de forma voluntária: um sindicato que cede uma sala, uma associação de moradores que dá aulas... É preciso unir toda essa rede de voluntariado em uma parceria com recurso público para um mutirão.”

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RETOMARIA A POSSIBILIDADE DE REPETÊNCIA?

Hoje, com a progressão continuada, a reprovação do aluno do ensino fundamental só pode ocorrer no 5º e no 9º ano

Russomanno — “Sim. Todos os alunos devem ser submetidos a provas (com possibilidade de repetência), inclusive os do 1º ano do ensino fundamental.”

Haddad — “Sim, daria a possibilidade ao professor, mas acho que as escolas de tempo integral põem uma pá de cal sobre esse assunto, ao melhorar o ensino com aulas de xadrez e teatro, por exemplo, que auxiliam no aprendizado.”

Serra — “Eu não teria instituído a progressão continuada, mas não mudaria neste momento, pois haveria grande inchaço de alunos no sistema. O tempo é de concentração de esforços para a recuperação dos estudantes e a reposição de aulas.”

Chalita — “Sim, mas não deverá ser necessário repetir. Numa escola com tempo integral, é impossível que o aluno não aprenda de fato, com tratamento diferenciado, aulas de reforço.”

Soninha — “Manterei o ciclo apenas no 1º e no 2º ano, investindo em aulas de reforço em vez de fazer a criança voltar ao ponto zero. No ensino médio, considero a possibilidade de carregar ‘DP’ de matérias, como nas faculdades.”

COMENTÁRIO DO ESPECIALISTA

Para Neide Noffs, da Faculdade de Educação da PUC-SP, falta resolver o alto custo das propostas. “No caso da implantação do tempo integral em toda a rede pública municipal, o orçamento teria de ser multiplicado e nenhum dos candidatos diz claramente de onde vai tirar esses recursos”, afirma ela. A especialista reconhece o sucesso na extinção de problemas como a escola de lata na gestão atual (“Uma obrigação, por se tratar de um absurdo”) e vê equívoco na ideia de Soninha de financiar voluntários. “É preferível remunerar melhor um serviço mais profissional, universitários que dão aula como atividade de estágio”, exemplifica.

 

Trânsito - congestionamento na Marginal Pinheiros
Marginal Pinheiros, 1º de junho: dia de maior congestionamento da história da cidade, com 295 quilômetros (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

O QUE FARÁ PELA FLUIDEZ DO TRÂNSITO?

Com uma frota de 7,3 milhões de veículos, a cidade está parando, literalmente. A velocidade média no pico da tarde (das 17h às 20h) caiu de 18,8 km/h para 16,8 km/h entre 2007 e 2011

■ Russomanno — “O alargamento de vias como a Radial Leste, para evitar que a cidade pare na Copa, e possivelmente de estradas como a do M’Boi Mirim. Mas ainda estamos estudando o que dá para fazer.”

■ Haddad — “Recuperar a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que está perdendo sua efetividade, com bons engenheiros, capacitação de agentes e reforço do trabalho nos bairros, onde o órgão hoje é inoperante, provavelmente com aumento de efetivo. E fazer corredores de ônibus.”

■ Serra — “Arrumar os faróis, tornando-os mais inteligentes, um processo já em andamento, embora na fase inicial. Além disso, enquadraria a Eletropaulo, contra a falta de energia nos semáforos. A empresa é uma má parceira da cidade.”

■ Chalita — “A medida mais rápida é trocar todos os semáforos da metrópole por equipamentos com sistema mais inteligente. Além disso, é preciso organizar os tempos para que os ônibus sempre encontrem sinal verde nos corredores.”

■ Soninha — “Corredores de ônibus. Trocaria dez veículos que estão lá por um grande biarticulado, com pagamento da passagem no ponto, como acontece em Curitiba. E programar os semáforos para favorecer coletivos no cruzamento.”

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APROVARÁ CICLOVIAS EM AVENIDAS COMO A PAULISTA?

Nessas vias, a gestão atual tem priorizado ciclofaixas de lazer em vez de circuitos permanentes

Russomanno — “Sim, desde que não haja um transtorno no trânsito. A proposta precisa ser estudada pela CET para ver qual o impacto.”

Haddad — “Não. As vias secundárias, com menor velocidade, são mais seguras, com possibilidade de reduzir a velocidade máxima sem prejudicar o trânsito.”

Serra — “Não. Há lugares melhores para ciclovias permanentes, como os canteiros das marginais, mas não no meio de carros em alta velocidade.”

Chalita — ”Não por enquanto. Acho ainda ousado imaginar uma faixa definitiva na Paulista. Mas criaria muitas ciclovias nas periferias.”

Soninha — “Sim. Na Paulista, imagino uma ciclofaixa estreitando as faixas dos carros e diminuindo sua velocidade média. A 23 de Maio e a Avenida Brasil poderiam ter ciclovia no canteiro central.” 

COMENTÁRIO DO ESPECIALISTA

Engenheiro e mestre em transportes pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Sergio Ejzenberg vê no investimento pesado em transporte público, especialmente em novas linhas de metrô e em mais corredores de ônibus, a única saída para o nó do trânsito paulistano. “Alargar avenidas é uma bobagem, porque as vias se comunicam”, diz ele. “Se a rua adiante estiver parada, a Radial Leste vai travar também. Implantar mais semáforos inteligentes é bom, mas de efeito limitado, pois eles não engolirão os carros. Além disso, reforçar a atuação da CET na periferia só é possível se você aumentar muito o contingente.”

Em relação às ciclovias: “As propostas são totalmente desvinculadas do conhecimento técnico. Só funcionariam se diminuíssem ainda mais as faixas para carros, o que é impensável na maioria das vias. E imagine uma ciclovia na 23 de Maio. O ciclista correria sérios riscos tentando chegar até ela, passando por carros em alta velocidade”.

Inspeção veicular
Taxa de inspeção veicular: dois candidatos usariam o recurso do IPVA (Foto: Mario Rodrigues)

MANTERÁ A TAXA DE INSPEÇÃO VEICULAR?

SIM

  • Serra — “O serviço tem custo. A gratuidade é uma ilusão: todos pagariam com impostos. Até quem não tem carro.”
  • Chalita — “Mas diminuiria o valor de 44,36 para 6 reais.”
  • Soninha — “Cobraria a taxa, mas devolveria parte dela aos veículos aprovados.”

NÃO

  • Russomanno — “O município já recebe parte do IPVA, que será usado para bancar a inspeção.”
  • Haddad — “O recurso viria do IPVA.”

COGITA CRIAR O PEDÁGIO URBANO?

SIM

  • Soninha — “Desde que aprovado em plebiscito.”

NÃO

  • Russomanno — “Sou contra o aumento de taxas.”
  • Haddad — “Precisamos dar opções no transporte público.”
  • Serra — “Muitas pessoas passariam a circular com carro com placa de outras cidades.”
  • Chalita —”Só os ricos se beneficiariam, pois pagariam sem problemas.”

INVESTIRÁ NO METRÔ, QUE É UMA ATRIBUIÇÃO ESTADUAL?

SIM

  • Russomanno — “Cobrando prazos e com multas para falhas.”
  • Haddad — “Mas a prefeitura deve participar da estratégia e cobrar o governo.”
  • Serra — “Dá para manter em 1 bilhão de reais a cada quatro anos, como fez Kassab.”

NÃO

  • Soninha — “A contribuição é pequena para o metrô e faz falta para os ônibus.”

TALVEZ

  • Chalita — “Só se fosse muito necessário. O dinheiro é mais útil no ônibus.”

 

Transporte - ônibus articulado em São Paulo
Coletivo articulado: a defesa da ampliação de corredores é unânime entre os candidatos (Foto: Fernando Moraes)

COMO TORNAR OS ÔNIBUS RÁPIDOS E CONFORTÁVEIS?

■ Russomanno — “Farei mais corredores, em sistema no qual o semáforo fica aberto à medida que os ônibus chegam. Vamos mudar a frota: todos os veículos terão piso baixo e ar-condicionado. Nos horários de pico, serão mais numerosos.”

■ Haddad — ”Com a gestão dos corredores, por meio de estratégia para racionalização do sistema. Há sobreposições de linhas que fazem cair a velocidade e, por consequência, diminuir o número de passageiros e aumentar os custos.”

■ Serra — “Implantarei corredores em lugares estratégicos. O mais óbvio é o da Avenida Radial Leste. Também farei o rearranjo de linhas. Mas a melhora só se concretizará com o incentivo ao transporte sobre trilhos, com o monotrilho.”

■ Chalita — “A prioridade para melhorar é promover o aumento da velocidade dos ônibus. Criarei o Expresso Radial, com uma faixa exclusiva, que vai sem paradas de Itaquera até o centro, encontrando sempre o sinal aberto.”

■ Soninha — “Precisamos criar linhas onde não há, com trechos diretos em alguns lugares, evitando paradas. É também muito importante incentivar empregos nos bairros e moradia no centro, não só com incentivo fiscal, mas com infraestrutura urbana.”

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E QUAIS OS PLANOS PARA A TARIFA?

Russomanno —“Vou congelar o preço. Hoje são cerca de 800 milhões de reais anuais em subsídio. Se a recarga for feita por celular, ficará mais barata e sobrará dinheiro.”

Haddad — “Não reajustarei o bilhete acima da inflação. Mas o gasto do passageiro vai diminuir com o desconto do bilhete único mensal, que implantarei na prefeitura.”

Serra — “Não haverá aumento acima da inflação. Quem promete congelar a tarifa terá de aumentar o subsídio em quase 1 bilhão de reais a cada ano.”

Chalita — “Congelaria o preço e criaria o Bilhete Único da Educação, com o qual o estudante de baixa renda não paga a passagem, sendo tudo custeado por subsídios.”

Soninha — “Tentaria congelar o valor, pois, com a melhora de eficiência, você economiza combustível e atrai mais gente para pagar a passagem.”

COMENTÁRIO DO ESPECIALISTA

“Não existe mágica”, afirma Creso de Franco Peixoto, professor da FEI e especialista em transportes. “É possível dar descontos, congelar a tarifa e criar até o bilhete gratuito, desde que a prefeitura assuma que isso acarretará aumento significativo de impostos. É um pedágio urbano às avessas. Da mesma forma, os corredores são boas medidas, creio que melhores que os monotrilhos, mas tirarão faixas de carro, o que também deve ficar claro.”

 

Saúde - Santa Casa de Misericórdia
Santa Casa de Misericórdia: parceiros recebem verba para fazer consultas e cirurgias (Foto: Vivi Zanatta)

MANTERÁ CONVÊNIOS DE SAÚDE COM ENTIDADES PRIVADAS?

Nas chamadas Organizações Sociais de Saúde (OSS), entidades particulares como o hospital Santa Marcelina cuidam do atendimento de parte da população em bairros da periferia

Russomanno – “Sim, mas nós vamos fiscalizar e, se não estiverem funcionando, romperemos o contrato e faremos parcerias com outras entidades ou passaremos para administração direta. A diferença para os outros candidatos é que vou para a rua tomar providências e punir. Hoje, a maioria desses convênios não funciona bem.”

Haddad – “Os contratos serão mantidos, mas não ampliaria os convênios. Embora veja as parcerias público-privadas com bons olhos, implantarei uma gestão totalmente governamental nos novos hospitais que serão construídos, até para haver comparação entre os dois modelos.”

Serra – “Sim, são entidades sérias, de qualidade, como Santa Marcelina, Unifesp e Santa Casa. A ampliação do sistema é fundamental para criarmos novas unidades das AMAs, oferecendo cada vez mais um serviço gratuito e de qualidade. Há problemas em casos isolados, mas isso pode ser aperfeiçoado com mais planejamento e comparação de custos.”

Chalita – “Sim. Do contrário, haveria um caos na saúde. Há conveniadas, como a Santa Casa, que fazem um trabalho fantástico. O problema mais grave é a não informatização da saúde, o que hoje é básico em medicina, para que os profissionais tenham nas mãos, por exemplo, o histórico do paciente.”

Soninha – ”As irregularidades têm de ser corrigidas, mas isso não é motivo para acabar com os convênios. São administrações comprometidas, com instalações incríveis. É na relação delas com a prefeitura que há problemas. O sistema de marcação de consultas, por exemplo, fica fora do ar com muita frequência.”

COMENTÁRIO DO ESPECIALISTA

Diz Arthur Pinto Filho, promotor de saúde pública, que investiga denúncias em OSS: “Os candidatos parecem ignorar que, se há vantagens, há também muitos problemas em algumas dessas parcerias, como a contratação sem grande rigor e a falta de médicos. Será preciso fazer um pente-fino”.

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A SAÚDE CONSUMIRÁ MAIS QUE OS ATUAIS CERCA DE 20% DO ORÇAMENTO, SUPERIORES AOS 15% MÍNIMOS PREVISTOS EM LEI?

Russomanno — “Não precisa. A cidade tem de ser inteligente, para que sobrem recursos. Na saúde, gasta-se muito na emergência em vez de investir na prevenção.”

Haddad — “Não. O problema da gestão atual é gastar mal o dinheiro. Não existe um bom controle. Tornaria os gastos mais eficientes.”

Serra — “A tendência na saúde é ocupar 20% do orçamento, levando em conta o crescimento natural da arrecadação. Mas uma grande parcela dos resultados virá da melhora na produtividade.”

Chalita — “Não acho necessário. Falta boa gestão dos recursos, que não são poucos. É preciso dialogar melhor com os governos estadual e municipal para conseguir verbas.”

Soninha — “Não. Com o mesmo dinheiro, dá para fazer mais, aumentar o salário de profissionais da saúde, como os fisioterapeutas, que ganham mal. E temos de ir atrás de mais recursos federais disponíveis.”

Cracolândia
Usuários no centro paulistano: problema difícil de erradicar (Foto: Apu Gomes/Folhapress)

QUAIS AS SOLUÇÕES PARA A CRACOLÂNDIA?

As ações da Polícia Militar não conseguiram acabar com esse território de uso de drogas a céu aberto

Russomanno

“A prioridade é a fiscalização. Você não pode prender o viciado, mas deve apreender a droga, de quinze em quinze minutos, fazendo a pessoa entrar em estado de abstinência. Aí, a prefeitura vai cuidar desse paciente. Quanto à revitalização da área, ela deve ser feita ouvindo-se sempre as associações de bairro e de lojistas.”

Haddad

“O traficante precisa ser combatido, mas só a repressão não resolve. Farei um programa forte nas áreas sociais e de saúde, com agentes que não sejam passivos e busquem o usuário para que seja internado. Deve haver uma parceria forte com o programa federal Crack, é Possível Vencer, no qual eu acredito muito.”

Serra

“Na prevenção, criarei uma campanha educativa, mostrando o papel devastador das drogas, com o depoimento de pessoas conhecidas que se livraram do vício. No tratamento, ampliarei parcerias com igrejas e entidades filantrópicas. Na urbanização, remodelarei o Parque Dom Pedro II, por exemplo.”

Chalita

“Farei convênios com comunidades terapêuticas nas quais se possa deixar alguém internado por nove meses, tempo em que é possível se livrar do crack. Na revitalização da área, ampliarei o perímetro do projeto Nova Luz, pois o empreendedor não se interessará pelo local se ele continuar cercado por região problemática.”

Soninha

“Ampliarei a rede de atendimento aos usuários de crack, com forte apoio no tratamento e na assistência social. Existem entidades que ajudam, e é possível trazê-las para trabalhar junto. No centro, é preciso ter gente morando, com subsídios a projetos de construtoras que trabalhem com moradia popular, por exemplo.”

COMENTÁRIO DO ESPECIALISTA

Solange Nappo, pesquisadora do centro de estudos em drogas da Unifesp, concorda que o investimento em prevenção deve ser a prioridade do próximo prefeito. “No geral, achei boas as propostas dos candidatos”, comenta. “Recomendo apenas um maior cuidado nas parcerias com entidades: nem todas são sérias.” 

Lei antifumo em Nova York - Eleições 2012
Lei antifumo para alguns locais abertos: candidatos se dividem sobre aprovação (Foto: Daniel Barry/Getty Images)

APROVARIA LEI ANTIFUMO MUNICIPAL PARA ALGUNS LOCAIS ABERTOS, COMO HÁ EM NOVA YORK?

SIM

  • Russomanno — “Nos parques, acho natural, mas em outras áreas teria de estudar”
  • Soninha — “Apenas nos parques.”

NÃO

  • Serra — “O momento é de consolidar a restrição em lugar fechado.”
  • Chalita — “Já há restrições demais.”

TALVEZ

  • Haddad — "Não sei. Precisaria estudar melhor.”

 

Polícia Guarda Civil Metropolitana - Eleições 2012
Agentes da GCM: discussão sobre o aumento do efetivo (Foto: Almeida Rocha/Folhapress)

A PREFEITURA PODE AJUDAR MAIS NA SEGURANÇA?

Além da Guarda Civil Metropolitana (GCM), com 6 000 homens, há a Operação Delegada, programa em que policiais militares servem ao município em seu período de folga, em vez de fazer bicos ilegais

Russomanno — “Combaterei a violência com iluminação pública de qualidade, aumento de contingente da GCM para um total de 20.000 homens até o fim dos quatro anos de governo. Eles ajudarão a Polícia Militar. Para isso, precisaremos reforçar a capacidade de treinar esses profissionais. Hoje é de 1.500 homens por ano.”

Haddad — “Antes de pensar em ampliar o contingente da GCM, transformaria a guarda em uma polícia realmente comunitária, mais próxima da população dos bairros. Além dessas medidas, os programas sociais benfeitos serão ingredientes fundamentais e efetivos para melhorar a segurança.”

Serra — “Pode haver algum aumento na GCM, mas investiremos na ampliação da Operação Delegada, de 8.000 para 16.000 homens, uma medida que implantamos com ótimos resultados. Vamos fazer a Virada Social em regiões de alta periculosidade do município, resolvendo questões sociais, e com demonstrações de como a PM opera.”

Chalita — “Aposto no conceito de guarda de bairro, com inteligência, comunicação eficiente por rádio, e no aumento do efetivo da GCM para 15.000 homens. Iluminar bem a cidade é outro ponto fundamental, para que a população se sinta segura nas ruas, além de integrar as câmeras da prefeitura para monitoramento.”

Soninha — “Aumentaria o contingente da GCM, mas apenas poucos deles andariam armados. Deve ser recuperado o papel de guarda comunitária, atuando não como força que se confunde com a polícia, mas como aquela que conhece as pessoas pelo nome e percebe movimentos estranhos no lugar, mediando conflito entre vizinhos.”

COMENTÁRIO DO ESPECIALISTA

“A GCM existe para proteger o patrimônio público, e não para o papel de polícia. Por isso, não faz sentido falar no aumento de seu contingente para melhorar a segurança. A Operação Delegada é um recurso mais adequado”, diz Christiano Jorge Santos, professor de direito penal da PUC-SP.

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QUAL SUA META PARA A RECICLAGEM DO LIXO, HOJE EM 2% DO TOTAL? *

* Apenas 20% do lixo pode ser reciclado

Russomanno — “Quero sair do governo de São Paulo com 100% da coleta reciclada na cidade e com o lixo molhado, com chorume, como fonte de gás.”

Haddad — “A meta é de 10%. Pretendo combinar o respeito às cooperativas, que têm funcionado bem, organizando os catadores em torno delas, com inovações tecnológicas.”

Serra — “A meta é reciclar entre 10% e 20% e evitar na coleta a mistura com o lixo orgânico, que prejudica o reaproveitamento dos materiais.”

Chalita — “Não temos meta, mas é possível ampliar a reciclagem com várias medidas, como apoio às cooperativas, garantindo a compra dos materiais menos valiosos e promovendo cursos de aperfeiçoamento.”

Soninha — “Não tenho uma meta, mas investirei numa estrutura muito melhor para as cooperativas. Os catadores vão usar veículos elétricos. O ser humano não nasceu para puxar carroça.”

Shopping Paulista
Shopping Paulista: um dos endereços suspeitos de pagar propina (Foto: Marcelo Donatelli/Divulgação)

COMO MORALIZAR A EMISSÃO DE ALVARÁS?

Denúncias sobre a aprovação de obras chamaram atenção para as oportunidades de corrupção nas licenças

Russomanno – “Vamos informatizar o processo, com pedidos transparentes, pela internet, que fiquem visíveis para toda a sociedade acompanhar. Quando você diminui esses contatos pessoais, coíbe a corrupção.”

Haddad – “Vou transferir a aprovação de projetos para a Secretaria de Desenvolvimento, ligada ao meu gabinete. Criarei também a Controladoria-Geral do Município, para mapear as vulnerabilidades da máquina e ver onde é necessário fazer controles mais específicos.”

Serra – “Haverá um balcão único para fazer os diversos licenciamentos — tudo informatizado. Além disso, engenheiros responsáveis pelas obras devem ser responsabilizados em caso de irregularidades, com possibilidade de ter o registro cassado.”

Chalita – “Com tecnologia. Há que se criar uma espécie de Poupatempo da pessoa jurídica, com todos os órgãos concentrados no mesmo local. Se se vai fazer um show da Madonna, não é preciso correr para um monte de secretarias para viabilizá-lo. Além disso, sou a favor da anistia a quem construiu de forma errada, já que boa parte da cidade está nessa situação.”

Soninha – “Simplificando as regras, que hoje são incompreensíveis e favorecem a corrupção. Com a desburocratização, não será preciso procurar um engenheiro da prefeitura por causa de um mero detalhe na modificação da planta original de uma casa.”

COMENTÁRIO DO ESPECIALISTA

“A informatização já está em curso e realmente funciona pela transparência”, avalia o promotor José Carlos Freitas, do ministério Público da Habitação. “A formação de um balcão único evitaria o trâmite interminável da documentação. Já a punição dos engenheiros não é competência do prefeito, mas do órgão de classe. E a criação de uma controladoria seria mais um cabide de empregos.”

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QUIZ PAULISTANO

Os candidatos responderam a um teste-surpresa sobre números da cidade. Serra e Haddad foram mais precisos. Russomanno se saiu pior. Chalita, que foi secretário estadual de Educação, errou o valor do salário dos professores.

1. Preço da passagem de ônibus

  • Russomanno: “R$ 3,00”
  • Haddad: “R$ 3,00”
  • Serra: “Acho que R$ 3,00,como no Metrô”
  • Chalita: “R$ 3,00”
  • Soninha: “R$ 3,00”

Resposta — R$ 3,00

2. Salário-base de professor municipal

  • Russomanno: “Depende. Há várias faixas”
  • Haddad: “2.600 reais”
  • Serra: “2.600 reais”
  • Chalita: “1.800 reais por 40 horas”
  • Soninha: “Mais de 2.000 reais”

Resposta — 2.600 reais (40 horas)

3. Déficit oficial de vagas em creches

  • Russomanno: “145.000”
  • Haddad: “150.000”
  • Serra: “150.000”
  • Chalita: “140.000”
  • Soninha: “140.000”

Resposta — 145.000

4. Número de parques municipais

  • Russomanno: “Não me lembro”
  • Haddad: “Difícil responder, porque muitas dessas áreas mais parecem praças”
  • Serra: “83”
  • Chalita: “Não sei”
  • Soninha: “Chegando à meta, de 100”

Resposta — 85

5. Frota de veículos

  • Russomanno: “Não me lembro”
  • Haddad: “7 milhões”
  • Serra: “7 milhões”
  • Chalita: “7 milhões”
  • Soninha: “Mais de 6 milhões”

Resposta — 7,3 milhões

Fonte: VEJA SÃO PAULO