Teatro

Cinco peças imperdíveis na Virada Cultural

"A Alma Imoral" e mais bons quatro espetáculos serão encenados no palco externo do Pátio do Colégio

Por: Dirceu Alves Jr.

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Clarice Niskier em "A Alma Imoral": apresentação durante a Virada Cultural (Foto: Dalton Valerio)

✪✪✪ A Alma Imoral, adaptação de Clarice Niskier para livro de Nilton Bonder. Até assistir ao monólogo protagonizado por Clarice Niskier, muitos podem considerá-lo um êxito na onda dos best-sellers de autoajuda. Tal desconfiança se desfaz em minutos. A atriz fala sobre sua primeira impressão ao ler a obra e divide questionamentos com a plateia. É um roteiro quase informal que já foi aplaudido por 160.000 espectadores. Baseado em conceitos bíblicos e filosóficos, instiga sobre o certo e o errado, o moral e o imoral ou a necessidade de trair para romper limites. Clarice aparece nua em boa parte da montagem e transforma um tecido preto em figurinos.

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ReJ Juventudade Interrompida-2267
(Foto: Luiz Paulo Nenen)

✪✪✪✪ R&J de Shakespeare — Juventude Interrompida, de Joe Calarco. Escrito em 1997, o drama faz uma releitura de Romeu e Julieta. A trama se passa num colégio para rapazes, em que quatro estudantes oprimidos começam a encenar o texto de Shakespeare como válvula de escape. Aos poucos, eles mergulham na peça e fazem paralelos com a própria vida. A direção de João Fonseca tira proveito da metalinguagem e, apoiada em sutilezas, oferece múltiplas possibilidades ao elenco. Rodrigo Pandolfo, na pele de Julieta, confirma-se um promissor talento e cativa o público ao lado de Felipe Lima, João Gabriel Vasconcellos e Pablo Sanábio.

Sem Pensar
(Foto: João Caldas)

 ✪✪✪ Sem Pensar, de Anya Reiss. Sob a direção de Luiz Villaça, os atores Denise Fraga e Kiko Marques lideram o elenco da comédia dramática. Eles interpretam os pais da adolescente Delilah (papel de Júlia Novaes), de 13 anos. Em meio à difícil comunicação com a família, a garota enfrenta as dúvidas relacionadas ao seu primeiro caso de amor, um rapaz mais velho (o ator Kauê Telloli). Interessante painel da relação entre pais e filhos, a montagem promove uma provocação sobre a maturidade.

Luis Antonio Gabriela - 2267
(Foto: Bob Souza)

✪✪✪✪ Luis Antonio — Gabriela, de Nelson Baskerville, Verônica Gentilin e os atores da Cia. Mungunzá. Com admirável coragem, o diretor Nelson Baskerville mexe em sua história no documentário cênico. Seu irmão, Luis Antonio (o ator Marcos Felipe), era homossexual e viveu em Santos até os 30 anos, quando se mudou para a Espanha. Durante três décadas, quase nada se soube dele, que, em Bilbao, assumiu a identidade de Gabriela, protagonizou shows e acabou vitimado pela aids.

Os Sete Gatinhos - 2267
(Foto: Bob Sousa)

✪✪✪✪ Os Sete Gatinhos, de Nelson Rodrigues (1912-1980). A tragédia de 1958 é centrada na família do funcionário público Noronha (o ator Renato Borghi), na qual todos se sacrificam, sem pudor algum, em torno de um objetivo: fazer com que a caçula, Silene (Greta Antoine), se case virgem. Quando a garota é expulsa do colégio interno por estar grávida, o clã entra em colapso. Com Élcio Nogueira, Gabriela Fontana, Caroline Carneiro e outros. Direção de Nelson Baskerville.

Fonte: VEJA SÃO PAULO