Exposições

Cinco mostras badaladas que estreiam no primeiro semestre

Instalações que passaram por vários países chegam a São Paulo

Por: Laura Ming

Yayoi Kusama - ed. 2357
Yayoi Kusama: a partir do dia 25 de maio no Tomie Ohtake (Foto: Divulgação)

Confira o que vem por aí:

  • A abertura da exposição que faz uma retrospectiva da carreira e da vida de uma das estilistas mais importantes do Brasil coincide com os cinquenta anos do Golpe Militar. Isso foi intencional. Zuzu Angel (1921–1976) deixou sua marca na história da moda ao desenvolver novos tecidos e ser uma das pioneiras em incorporar elementos tropicais no vestuário da alta sociedade. Mas ela também passou os últimos cinco anos de vida lutando para encontrar pistas do filho Stuart Jones, militante de esquerda torturado e morto pela ditadura. Ocupação Zuzu traz 400 itens que contam essa trajetória. Há vestidos de noiva nada tradicionais feitos com renda nordestina e um que substitui a saia por uma calça, além de diversos modelos estampados que fariam sucesso hoje. Etiquetas de roupas, croquis e esboços revelam seu trabalho; as fotos de família, sua intimidade. No subsolo, entra-se em contato com a angústia da mãe que, em busca do filho, passou a vestir apenas preto, em sinal de luto. Ali estão três conjuntos negros e o cinto de crucifxos usado no desfle-protesto realizado em Nova York. Diversas cartas pedindo ajuda, peças com tanques bordados e até uma foto do acidente de carro de circunstâncias duvidosas que a matou completam a imersão no criativo e trágico universo de Zuzu. De 1º/4/2014 a 11/5/2014.
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  • Uma exposição para ver e ser ouvida. Em três andares estão espalhadas cerca de 300 peças entre figurinos, trechos de filmes e escritos originais de um dos maiores ídolos da música, o inglês David Bowie. As roupas usadas na turnê Alladin Sane e no clipe Life on Mars? estão lá. Há ainda imagens menos conhecidas, como um cartaz em que ele aparece vestido de Andy Warhol. Sensores espalhados pelas salas detectam a presença do visitante e iniciam o áudio de documentários e entrevistas, garantindo a imersão no mundo do artista. Fones de ouvido também produzem a trilha sonora de todo o trajeto. A mostra apresenta ainda croquis desenhados pelo próprio Bowie, rascunhos de letras de canções, instrumentos que fizeram história nos palcos e quadros que provam que o cantor tem talento com as tintas. Até 20/4/2014. + Em vídeo: David Bowie no ponto de ônibus  BALANÇO DE VISITANTES A exposição dedicada ao inglês David Bowie atraiu 80 190 pessoas entre 31 de janeiro e o últmo domingo (20). Somente durante a virada de 36 horas no último fim de semana, foram 6 000 visitantes. Alguns fãs encararam até 4 horas de fila para ver de perto os mais de 300 itens do artista entre figurinos, rascunhos, vídeos e instrumentos musicais.
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  • Este ano, a SP-Arte comemora sua 10ª edição e contará com 137 galerias de 19 países. Entre elas David Zwirner, Gagosian e Pace de Nova York, que estão entre as mais importantes do mundo. Entre os destaques estão a obra Escalas de Cinza, de João Loureiro. O sorvete-obra de diferentes sabores em tons de cinza será vendido por 10 reais no estande da Galeria Vermelho. Virginia de Medeiros apresenta o ensaio fotográfico Jardim das Torturas, resultado do encontro como Dominador Dom Jaime e suas duas escravas sexuais e se baseou no diário que elas escrevem após cada sessão sadomasoquista. A romena Geta Bratescu, de 88 anos, uma das artistas mais importantes de seu país, expõe suas colagens e instalações poucas vezes expostas por aqui. De 3 a 6/4/2014. + O melhor da SP-Arte e das exposições paralelas ao evento + Afinidades — Raquel Arnaud +Adriana Varejão - Polvo +Zuzu Angel - Ocupação Zuzu +Joana Vasconcelos
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  • Narcisista, obcecada, louca. Muito se diz sobre a japonesa Yayoi Kusama, de 85 anos. As bolinhas que a tornaram famosa, fruto de uma mente instável, aparecem coladas em móveis, desenhadas em corpos ou impressas em esculturas. Símbolo de um tempo em que ela promovia orgias em Nova York, os falos saem de sapatos femininos, forram o chão ou compõem instalações. Muita pegação rolou na sala Infinity Mirrored Room (a da mostra é uma reprodução), na qual espelhos enfileirados são um convite para apaixonar-se pelo próprio reflexo. A retrospectiva Obsessão Infinita, em cartaz até o fim de julho no Instituto Tomie Ohtake, mergulha no mundo perturbado de Yayoi, uma artista capaz de construir imagens belíssimas e, ao mesmo tempo, incômodas. Como no espaço com grandes bolas cor-de-rosa, onde ela surge em vídeo cantando sobre a morte. Seu discurso, porém, não deve ser compreendido de forma literal. Yayoi criou uma personagem de si, apelidou-se de A Princesa das Bolinhas e, como Andy Warhol, faz de sua vida uma eterna performance. Para se ter uma ideia, ela vive há 37 anos — por vontade própria — em uma clínica psiquiátrica no Japão. De 22/5/2014. Até 27/7/2014.
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  • Em tempos de mostras supercoloridas e lúdicas, os trabalhos de tons sóbrios e em branco e preto da suíça naturalizada brasileira Mira Schendel (1919-1988) revelam-se um agradável exercício de contemplação. A retrospectiva de 300 peças, que passou em 2013 pela Tate Modern, de Londres, apresenta sua produção em ordem cronológica. Das mais completas já organizadas sobre a artista, a exibição traz itens de suas principais fases. Há desde as naturezas-mortas da década de 50 e os quadros geométricos dos anos 60 até os tridimensionais Sarrafos, de 1987, nos quais hastes saem do suporte, quase num híbrido de tela e escultura. Influenciada pela poesia concreta, ela criou também diversas obras com palavras e letras. Destacam-se as feitas com papel de arroz — a transparência das peças permite que sejam vistas dos dois lados. Em Variantes (1997), os textos aparecem pendurados em fios de náilon e convidam o visitante a caminhar em volta da instalação. A seleção ainda reúne as esculturas da série Droguinhas, construídas a partir de nós de papel sem formato definido. De 24/7/2014. Até 18/10/2014.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO