Mobilidade

Ciclovia da Avenida Paulista é inaugurada com festa e protesto

A região ficou lotada de adeptos da bike na manhã deste domingo (28)

Por: Veja São Paulo - Atualizado em

  • Voltar ao início

    Compartilhe essa matéria:

  • Todas as imagens da galeria:

Uma das principais ciclovias da cidade foi inaugurada neste domingo (28) na Avenida Paulista. Os adeptos das bikes fizeram festa para o evento e apareceram em peso para estrear o projeto, que ocupa o canteiro central. Pela manhã, a ciclofaixa, que funciona apenas aos finais de semana, também foi montada. Por volta das 10h, a via foi interditada completamente para os veículos nos dois sentidos. Os bloqueios devem ir até as 17h.

+ Antes de ser inaugurada, ciclovia na Paulista já atrai ciclistas

O prefeito deveria aparecer na inauguração por volta das 10h, porém se atrasou. Ele chegou junto da ativista da causa Renata Falzoni, do secretário de Direitos Humanos e Cidadania, Eduardo Suplicy, e do secretário de Educação, Gabriel Chalita. Enquanto Fernando Haddad dava entrevistas, um grupo gritava contra o PT e a corrupção. Outras pessoas diziam "obrigada, Haddad". Em seguida, ele andou de bicicleta pela ciclovia. Assista ao vídeo:

 

Entre os frequentadores, havia tipos como duas "tietes" do político, que usavam faixas na cabeça com as palavras "#haddad lindo" estampadas, e um homem que, em uma magrela adaptada, circulava pelo pedaço tocando violão. Um dos trechos foi respingado com tinta azul, em protesto, mas já foi limpo pela prefeitura.

Bikers também levaram bexigas brancas em homenagem àqueles que morreram em acidentes com bicicletas na avenida, como Márcia Andrade Prado, que faleceu em janeiro de 2009, pois foi atingida por um ônibus, na altura da Rua Pamplona.

Inauguração Ciclovia Avenida Paulista
"Tietes" do prefeito Fernando Haddad, com uma faixa com os dizeres "#haddad lindo" (Foto: Vinícius Tamamoto)

O evento de hoje funcionou como um teste para o fechamento da avenida todos os domingos para a circulação de transeuntes e skatistas. "É uma tendência internacional de grandes cidades reservarem espaços públicos para que pedestres e ciclistas se encontrem, para que haja uma maior aproximação entre as pessoas. Não só em parques, mas também em vias", afirmou Haddad, citando como exemplo a Times Square, em Nova York, com trechos bloqueados desde 2009.

+ Projeto de expansão das ciclovias custa mais que o triplo do previsto

Com 2,7 quilômetros de extensão, a ciclovia da Paulista está situada entre a Praça Oswaldo Cruz e a Rua da Consolação. São 4 metros de largura em uma elevação de 18 centímetros com relação às faixas de automóveis, que perderam 20 centímetros, cada uma. As faixas exclusivas para bicicletas são uma das principais bandeiras da gestão de Fernando Haddad. Até março, o prefeito entregou 235,3 quilômetros dos 400 que prometeu até o fim do ano. 

Ciclovia Paulista
Tinta azul que foi jogada na ciclovia um dia antes da inauguração e depois lavada (Foto: J.Duran Machfee/Folhapress)

Ciclovias no alvo de investigações

reportagem de capa de fevereiro de VEJA SÃO PAULO mostrou uma série de problemas graves nas ciclovias de Fernando Haddad. Somando-se os custos dos trechos entregues aos dos projetos em construção, a prefeitura está gastando, em média, 650 000 reais por quilômetro. Esse número representa mais que o triplo do orçamento inicial. A título de comparação, as ciclovias de Haddad custam cinco vezes mais que as de Paris.

VEJA SÃO PAULO mostrou também que o Tribunal de Contas do Município (TCM) listou uma série de irregularidades na implementação da política, como a ausência de estudos sobre sua viabilidade e seu impacto no trânsito. A mais grave envolve a forma de contratação das empresas responsáveis pelos trabalhos nas avenidas Paulista e Faria Lima, que estão entre os mais caros. Os acordos foram firmados por atas de registro de preços, uma ferramenta utilizada para agilizar despesas menores e rotineiras da cidade, como a compra de material de escritório para repartições públicas.

Ciclovia Avenida Paulista
Protesto contra o PT (Foto: Taba Bendicto/Folhapress)

Fonte: VEJA SÃO PAULO