Arte e design

Chique, no mínimo

Em sua casa em Paris, Christian Liaigre, um dos maiores nomes do design francês de interiores, harmoniza o estilo minimalista, que é sua marca, com a arquitetura à la Palácio de Versalhes

Por: Kênya Zanatta, de Paris - Atualizado em

  • Voltar ao início

    Compartilhe essa matéria:

  • Todas as imagens da galeria:

Christian Liaigre, uma das maiores assinaturas do design de interiores da atualidade, escuta música barroca quando a reportagem de VEJA LUXO entra na casa onde ele mora com a mulher, Deborah, e o filho Léonard, de 5 anos. “Se preferir, posso trocar por algo mais moderno”, diz Liaigre, 70 anos, de jeans, tênis de couro, camisa, gravata e suéter. Do lado de fora do imóvel do século XVII na Rua de Verneuil, no sétimo distrito de Paris, raios de sol se alternam com flocos de neve, num início de primavera atípico. Nos dois andares, segue o contraste. Móveis de madeira, couro e bronze que o tornaram o nome-chave do minimalismo (a partir de maio, disponíveis no primeiro showroom Liaigre na América Latina, em São Paulo) se opõem, harmoniosamente, à arquitetura à moda do Palácio de Versalhes. “Sou fascinado pelo ambiente repousante dos mosteiros, mas o barroco é meu período favorito”, afirma ele, que conduziu uma reforma para preservar a ornamentação folhada a ouro original. Ali, modelos de veleiros indicam a paixão pelo mar — Liaigre é premiado por projetos de interior de barcos. Troféus de caça e um antigo suporte para selas lembram a infância no sudoeste da França e anos em que trabalhou com seu avô, que criava cavalos. Recordações de viagens pelo Oriente, uma coleção de fotos em preto e branco assinadas po rHiroshi Sugimoto, Peter Lindbergh e Paolo Roversi e uma escultura do artista Mathieu Nab, exposta na galeria de arte que Liaigre abriu na mesma rua, destacam-se na sala.

Liaigre chegou a Paris, aos 17 anos, querendo ser pintor. Formado em belas-artes, ele passou a criar cenários para o cinema. Sem achar móveis adequados, pôs-se a desenhá-los. Entre as influências encontram-se as esculturas de Alberto Giacometti, de quem foi próximo, e o mobiliário sóbrio de Jean-Michel Frank, que viveu na Rua de Verneuil nos anos 30. Impressionados, alguns atores lhe pediram que decorasse suas casas. Nascia assim uma vocação. O primeiro showroom veio em 1987. Com a venda de parte da marca, em 2009, ao Edmond de Rothschild Capital Partners, o número de endereços saltou de seis para 21. “Antes eu era o diretor da empresa, o criador, o faxineiro. Agora me concentro na criação”, diz. Liaigre ainda prefere fazer projetos particulares, embora tenha se tornado conhecido pelo Hotel Mercer, de Nova York, em 1997 — hoje ele desenha a renovação do lugar e interiores em Taiwan, no Japão, na China, Coreia, Índia, Alemanha, Inglaterra e nos Estados Unidos. Entre os clientes estão o estilista Calvin Klein e o galerista Larry Gagosian. “Trabalho com os mesmos artesãos há trinta anos”, conta. Ele emprega cerca de 150 pessoas, entre elas quinze arquitetos e designers que desenham sem se pautar por coleções. “Nunca me preocupei com tendências e não penso de maneira industrial, mas em ‘um a um’.” O desenvolvimento de uma peça chega a levar um ano. Não à toa, ele é o único designer de móveis a integrar o Comitê Colbert, que reúne os principais nomes do luxo francês para preservar e promover a excelência dos criadores e artesãos.

Fonte: VEJA SÃO PAULO