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Chiquinha Gonzaga tem obra menos conhecida revisitada

Show de lançamento do álbum Chiquinha em Revista no Sesc Vila Mariana traz Ná Ozetti, Rita Maria e outros músicos resgatando obras que vão além da marchinha

Por: Pedro Ivo Dubra - Atualizado em

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Ana Fridman (no centro) e, em sentido horário, Suzana Salles, Vange Milliet, Carlos Careqa, Gilberto Assis, Rita Maria e Ná Ozzetti: garimpo (Foto: Gal Oppido)

Em 1899, a pianista e compositora carioca Francisca Edwiges Neves Gonzaga, a Chiquinha Gonzaga (1847-1935), escreveu para o cordão Rosa de Ouro um tema batizado de Ô Abre Alas. Era o marco zero da marchinha de Carnaval. A proximidade da folia favorece a lembrança da pioneira, mas o fato é que sua fértil obra — mais de 2.000 músicas, de diferentes estilos — se encontra longe do merecido reconhecimento. Parte desse desnível entre importância e divulgação deve ser diminuída por Chiquinha em Revista, álbum de produção bem cuidada que ganha lançamento na íntegra em show no Teatro do Sesc Vila Mariana.

Idealizado pelo casal de compositores e arranjadores Gilberto Assis e Ana Fridman, o CD alinha treze pérolas. Destas, a única relativamente popular é o maxixe Corta-Jaca (1895), mesmo assim apenas na versão instrumental. No álbum, ele aparece com uma letra de 1902 de autoria de Machado Careca. A bela voz de Ná Ozzetti entoa a canção, bem como A Sertaneja. Outros intérpretes foram escalados para mais quatro faixas (Passos no Choro, Sultana, Cananeia, Falena, Itararé, Cubanita e Suspiro não são cantadas). Rita Maria relê Fogo Foguinho; Vange Milliet, Sou Morena; Suzana Salles, A Chinelinha do Meu Amor; e Carlos Careqa, Tava Assim de Português. Além de Ana Fridman (piano) e Gilberto Assis (baixo), dez instrumentistas tomam o palco.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO