Negócios

Chilli Beans lança máquina de venda semelhante às de refrigerante

Marca reúne 330 franquias em 116 cidades do país, sendo 82 na Grande São Paulo

Por: Giovana Romani - Atualizado em

Caíto Maia, dono da Chilli Beans_2192
O dono da marca, Caíto Maia: faturamento anual de 300 milhões de reais (Foto: Mario Rodrigues)

Vendedores tatuados, com piercings e penteados modernos, dão expediente em um sábado à tarde na loja Chilli Beans da Galeria Ouro Fino, na Rua Augusta. Dono da marca, o empresário Caíto Maia, de 41 anos, chega por volta das 16h30. Usa óculos quadrados de armação laranja e lente espelhada. Senta-se em uma mesinha no corredor do centro comercial. Em poucos minutos, antigos colegas aparecem para cumprimentá-lo. “Quanto tempo!”, diz a proprietária da loja de coturnos vizinha. De fato, há anos Maia não aparece por aquelas bandas, justamente o local onde inaugurou a primeira unidade de sua grife, em 1998.

As coisas mudaram desde então. Na época, ele pagava 300 reais mensais pelo aluguel do espaço diminuto. Hoje, a sede da empresa ocupa um prédio de cinco andares em Alphaville. Não tem loja própria. São 330 franquias em 116 cidades do país — 82 na Grande São Paulo. Além de óculos de sol, a marca começou a vender modelos de grau no mês passado. Relógios também entraram recentemente nas prateleiras. A partir do próximo dia 1º, outra novidade: uma máquina de autoatendimento, semelhante àquelas de venda de refrigerantes, será colocada no Aeroporto de Cumbica. 

Chilli Beans-vending machine_2192
Autoatendimento: o aparelho será instalado em Cumbica (Foto: Cida Souza)

“É a primeira iniciativa desse tipo no país”, conta Maia. “Pretendemos instalar equipamentos em estações de metrô, baladas, academias, resorts...” Em cada “vending machine”, como é chamado o aparelho no jargão comercial, quarenta opções de óculos escuros, com preço médio de 138 reais, estarão disponíveis. Como experimentá-los? De maneira hightech. Captada por uma câmera, a imagem do cliente aparece no monitor. O modelo escolhido é projetado no rosto da pessoa. Pode-se fazer o pagamento por meio de cartão de crédito ou débito. Tal qual uma lata de Coca-Cola, o estojo com os óculos cai do estoque e deve ser retirado na parte inferior da máquina. Trata-se de uma nova maneira de popularizar e expandir a velha fórmula da marca (esta, sim, praticamente imutável desde o início): variedade e preços abaixo da média. “O custo e a praticidade não podem ser os únicos motivadores da compra”, pondera o consultor óptico Francisco Ventura Jr., dono da Ótica Ventura, há 22 anos no mercado. “É preciso observar o conforto, a curvatura da armação, o tipo de lente, o peso e a qualidade do material.”

A qualidade dos produtos Chilli Beans, aliás, sempre foi o ponto mais criticado pela concorrência. Maia garante que seus óculos são tão bons quanto quaisquer outros. “Com o volume que vendo, fica fácil negociar com as fábricas mundo afora.” No caso, suas peças são confeccionadas na China, na Itália e no Brasil. “Não disputo o cliente apenas com as óticas, mas com quem tem o tíquete médio semelhante ao meu”, acredita o empresário. “Se a pessoa vai ao shopping com 100 reais no bolso, pode comprar uma calça, uma camisa ou um par de óculos de sol.”

Nem sempre Maia foi homem de negócios. Músico, tocou guitarra e cantou em duas bandas. Morou na Califórnia durante sete anos e, de volta ao Brasil, trouxe alguns óculos na bagagem. Acabou montando uma importadora, a Blue Velvet, que faliu. Com as peças remanescentes, abasteceu uma barraca no Mercado Mundo Mix e não tardou a começar a desenhar as próprias peças. Então, abriu a loja da Galeria Ouro Fino; um quiosque no recém-inaugurado Shopping Villa-Lobos e o sistema de franquias vieram logo depois. 

Chilli Beans_2192
Convenção da grife, no Credicard Hall, em maio: reunião com 1 200 vendedores (Foto: Divulgação)

Dos tempos de roqueiro, Caíto Maia guarda a atitude de superstar. Uma vez por ano, realiza a Convenção Chilli Beans, com a participação de 1 200 funcionários de todo o país. Lá, distribui autógrafos e posa para fotos. Há duas semanas, saiu em “miniturnê” pelo Nordeste. Visitou cinquenta lojas em oito dias para anotar críticas e sugestões. Afirma que, desde 2008, recusa propostas de compra de grupos estrangeiros. “Ainda não chegou a hora.” Isso porque antes pretende expandir seus domínios e chegar a 1 000 lojas até a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro. Quer vender também carros, lambretas e inaugurar um hotel temático, com a pimenta do logotipo de sua grife por todos os lados.

A CHILLI BEANS EM NÚMEROS

2 milhões de peças são vendidas por ano

Semanalmente, são lançados 10 modelos de óculos e 4 de relógios

O preço dos óculos varia de 98 reais a 228 reais

300 milhões de reais é o faturamento anual estimado da empresa

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO