Paulistano Nota Dez

De cara-pintada à conservadora de praças na Zona Oeste

A empresária Cecilia Lotufo organizou um movimento que promove eventos e atua na conservação de espaços públicos

Por: Lilo Barros

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"A relação entre os vizinhos melhorou, está mais próxima", (Foto: Mario Rodrigues)

Em 1992, aos 17 anos, a estudante Cecilia Lotufo estampou capas de jornais com a palavra “fora” escrita no rosto com batom, tornando-se uma das musas dos caras-pintadas que pediram o impeachment do presidente Fernando Collor. Hoje, 21 anos depois, ela se decepciona ao vê-lo como senador, mas continua lutando pelo que acredita, em escala local.

A agora empresária criou o Movimento Boa Praça, que atua na conservação dos espaços públicos e promove piqueniques na Zona Oeste no último domingo de cada mês. Já foram realizados 44 encontros, o último na Pra-ça Amadeu Decome, no Alto da Lapa, em 28 de abril; o próximo será na Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, em 26 de maio.

São oficinas de artesanato, apresentações de música, teatro e cinema, com mutirões de plantio de árvores e limpeza. Não há orçamento próprio: as ações ocorrem por meio de parcerias e doações de 600 colaboradores. “A praça é um lugar de troca e a relação entre os vizinhos melhorou”, diz ela, dona de uma pizzaria no Alto de Pinheiros.

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Cecilia, em 1992, pedindo impeachment com a cara pintada (Foto: Eder Chiodetto/Folhapress)

Formada em administração pela PUCSP em 1998, Cecilia criou, antes disso, o Instituto Kairós, de consumo responsável, e trabalhou na ONG Criança Segura, na prevenção de acidentes infantis. Seu engajamento em questões sociais é herança do pai, o arquiteto Vitor Lotufo, que construiu moradias populares em favelas.

A ideia de criar a entidade surgiu em 2008, no aniversário de sua filha Alice, que está com 8 anos (é mãe também de Antônio, 5). A menina queria fazer a festa na Praça Fran-çois Belanger, no Alto de Pinheiros, na época em péssimo estado de conservação. “Combinei que todos os convidados levariam presentes para deixar lá. Doaram lixeiras, mudas de plantas, e a prefeitura colaborou com um playground”, lembra.

Com o sucesso da iniciativa, as reuniões se tornaram frequentes e o grupo passou a cobrar o poder público: a faixa de pedestres na esquina das ruas Sepetiba e Cerro Corá, na Lapa, foi pintada em janeiro, após dois anos de reclamações à CET. “Estamos elaborando um projeto de lei para a gestão de praças”, conta. “Elas precisam de orçamento fixo, como os parques.”

Nome: Cecilia Lotufo

Profissão: empresária

Realidade que transformou: organizou um movimento que promove eventos e atua na conservação de praças na Zona Oeste

Fonte: VEJA SÃO PAULO