Cultura

Cauby Peixoto morre aos 85 anos

Ele estava internado com um quadro de pneumonia; velório será na Alesp, em São Paulo

Por: Veja São Paulo - Atualizado em

Cauby Peixoto
Morre Cauby Peixoto (Foto: Mario Rorigues)

Antigo ídolo de multidões, o cantor Cauby Peixoto morreu neste domingo (15) em decorrência de uma pneumonia. O músico estava internado no hospital Sancta Maggiore, no Itaim. Ele tinha 85 anos e seu velório será realizado no salão nobre da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo a partir das 9h. O sepultamento está previsto para as 16h30 no Cemitério Congonhas.

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Na página do Facebook do mais ativo fã clube do músico, sua morte foi lamentada no início desta madrugada: "Com muita dor e pesar informamos aos amigos e fãs que nosso ídolo Cauby Peixoto acaba de falecer as 23:50 do dia 15 de maio . Foi em paz e nos deixa com eterna saudades. Pra sempre Cauby!".

O governador Geraldo Alckmin trambém divulgou nota de pesar: "O Brasil perde um de seus maiores cantores. Na voz irretocável e inesquecível de Cauby Peixoto foram imortalizados clássicos marcantes da música brasileira. Sua paixão ao público e à arte o acompanharam desde a década de 40 até os seus últimos dias. Nossos sentimentos a todos os seus amigos e fãs".

Carreira

Uma das mais belas vozes da música brasileira, Cauby teve uma longa carreira fazendo o que ele mais gostava: apresentando-se nos mais variados palcos. Em São Paulo, ficaram célebres seus shows no Bar Brahma.

Cauby pertencia ao grupo das grandes vozes da Era do Rádio. Na década de 50, sua fama era tão grande que as fãs iam à loucura de maneira espontânea ou artificialmente. Para torná-lo ainda mais popular, um grupo de team-leaders bem treinado o perseguia não apenas durante as apresentações, mas em lugares públicos como aeroportos e nas ruas. Alucinadas, gritavam o nome do artista, tinham faniquitos e até desmaiavam. Seu talento, porém, era inegável.

Embora estivesse radicado em São Paulo, Cauby nasceu em Niterói em 10 de fevereiro de 1931 ainda sem o ípsilon no nome. Vinha de uma família de músicos. Seu pai, o violonista Cadete, era sobrinho do pianista Nonô e primo do cantor e compositor Ciro Monteiro. Os irmãos de Cauby também chamaram a atenção pela veia artística. Moacyr Peixoto era pianista. Trompetista, Arakén Peixoto esteve nos anos de glória do Maksoud Plaza comandando um trio. Também seguiu carreira de cantora a irmã Andyara Peixoto.

Cauby se aventurou por vários gêneros. Se atribui a ele, por exemplo, a gravação do primeiro rock em português -- Rock’n’Roll em Copacabana, de 1957. No auge das boates paulistanas, o astro fazia sucesso em casas como a Oásis e a Arpège, ambas no centro da cidade.

O músico também se lançou em carreira internacional nos anos 50. Com um repertório de inspirado por Frank Sinatra e outros astros da canção americana, ele fez temporadas nos Estados Unidos, onde ganhou o apelido de Ron Coby. Chegou inclusive a gravar com o maestro Percy Faith e ter uma participação no longa Jamboree (1957), ao lado de artistas do quilate de Frankie Avalon e Jerry Lee Lewis. Contrariando todas suas expectativas, a carreira internacional nunca decolou.

Cauby Peixoto
Cauby: cantor morreu neste domingo, aos 85 anos (Foto: Divulgação)

Em solo nacional, tudo ia muito bem. Donos de uma trajetória musical de mais de seis décadas, foi se adaptando aos novos gêneros. Também colecionou parcerias músicas e fez duetos com artistas tão diferentes como Chico Buarque e Carlinhos Brown. Seus discos incluem um álbum gravado em 2009 apenas com música de Roberto Carlos.

Tema do documentário Cauby - Começaria Tudo Outra Vez, lançado pelo diretor Nelson Hoineff em 2014, o músico será lembrado sempre por três de seus maiores sucessos, obrigatórios no shows que realizava no Bar Brahma: Conceição, Bastidores e New York, New York.

Nos últimos vinte anos, Cauby vinha apresentando problemas de saúde. Tanto que em 2000 precisou receber pontes de safena, o que não o impediu de voltar aos palcos um mês depois. Por sua carreira singular, foi escolhido por VEJA SÃO PAULO um dos Paulistanos do Ano em 2007.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO