Para mexer as cadeiras

Mara Gabrilli avaliou a acessibilidade das maiores casas de show

Deputada federal, que é tetraplégica, avaliou HSBC Brasil, Credicard Hall, Via Funchal e Citibank Hall

Por: Carolina Giovanelli e Pedro Ivo Dubra

Mara Gabrilli - 2210
Nota média 3,5: deputada federal Mara Gabrilli avaliou casas (Foto: Mario Rodrigues)

HSBC Brasil: nota 5. A tetraplegia nunca foi obstáculo para praticar um dos meus maiores hobbies: ir a shows. Em 2005, quando fui a uma apresentação da cantora Zélia Duncan, passei por um contratempo com uma funcionária do Tom Brasil (atual HSBC Brasil) que não me deixava assistir ao espetáculo no lugar comprado. Segundo ela, eu deveria ficar no espaço reservado para “pessoas como eu”, atrás de uma coluna que me impedia de ver o palco. Hoje sou frequentadora da casa, que foi transformada em termos de acesso físico e de serviço. Os funcionários estão preparados para atender o público com deficiência desde a entrada até o fim das performances. Além disso, a visibilidade é sempre ótima.

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Credicard Hall: nota 4. No último dia 17, fui a uma apresentação do Seal. Não tive problemas com relação à acessibilidade, desde a chegada ao Credicard Hall até o fim do espetáculo. Assisti ao show em pé (minha cadeira é flexionável) e fiquei bem próximo ao palco. O local é acessível: tem elevadores para todos os setores do local, estacionamento amplo e com várias vagas reservadas. Só deixa a desejar em relação ao treinamento dos funcionários, que ainda não estão preparados plenamente para lidar com esse público.

Via Funchal: nota 3. Assisti à inglesa Corinne Bailey Rae, no Via Funchal, no fim do ano passado. O lugar atende às expectativas do público com deficiência, não fosse a maneira como foi estruturada a plateia. É dividida em partes com acesso pleno, por meio de rampas, e em outras, por degraus. Neste caso, o erro do estabelecimento já ocorreu no momento da venda do ingresso. Mesmo sabendo que se tratava de uma cadeirante, venderam-me um lugar justamente no espaço em que o acesso à mesa tinha degraus.

Citibank Hall: nota 2. Em 2010, fui a um show do Ney Matogrosso com a minha amiga Leide Moreira, que tem esclerose lateral amiotrófica, uma doença progressiva que paralisa toda a musculatura. O Citibank Hall cobrou quatro ingressos da Leide por causa da maca que a transporta, alegando que ela ocuparia toda uma mesa. Eles ainda argumentaram estar dando um desconto de 50%, já que uma mesa costuma ser ocupada por oito pessoas. Toda a equipe de quinze pessoas que a acompanhou pagou ingressos. Fiquei mal acomodada no ambiente de cima da casa, e a Leide ficou embaixo. Ou seja, ainda tivemos de assistir ao show distantes uma da outra.

Fonte: VEJA SÃO PAULO