violência

Casal gay diz ter sido espancado por quinze homens no Metrô

Jovens afirmam que sofreram agressões após grupo exigir que parassem de se beijar

Por: Veja São Paulo

Agressão casal gay
Raphael Martins de Oliveira: agressão por ser homossexual (Foto: Reprodução/Facebook)

Um casal gay afirma ter sido espancado por um grupo de cerca de quinze homens dentro de um trem da Linha 1-Azul do Metrô de São Paulo, na tarde do domingo (9). O metroviário Danilo Ferreira Putinato, de 21 anos, e o bancário Raphael Almeida Martins de Oliveira, de 20, dizem que foram agredidos com socos e chutes no percurso entre as estações Tiradentes e Luz, no sentido Jabaquara, e expulsos a pontapés da composição pelo grupo, após se negarem a sair espontaneamente.

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De acordo com Putinato, as agressões começaram após o grupo exigir que o casal parasse de se beijar dentro do trem. Na ocasião, o metroviário seguia para o trabalho na companhia do namorado. "Eles se mostraram indignados com o fato de nós estarmos juntos, mandaram parar de nos beijar, mandaram sair do trem, mas não respondemos nada, deixamos eles falando sozinhos e aí começaram a nos bater", comenta Putinato.

Segundo a vítima, o grupo, que havia embarcado na estação Armênia da Linha 1-Azul, xingava o casal gay de "viadinhos" e "bichinhas" e dizia que eles "deveriam ter respeito" e parar de trocar carinhos em público.

Após a expulsão do trem, as vítimas procuraram agentes de segurança do Metrô, que cuidaram dos primeiros socorros e levaram os jovens para a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, na região central.

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O bancário teve o nariz quebrado e terá de passar por uma cirurgia para reparar a fratura. O metroviário não sofreu ferimentos graves. "Acho apanhamos por uns três minutos. Se não tivessem nos colocado para fora, não sei o que teria acontecido", diz o jovem, que afirmou ter ficado desapontado com o fato de nenhum dos passageiros da composição ter agido para socorrê-los.

"O trem estava mais ou menos cheio, mas ninguém fez nada. Tenho absoluta certeza de que eles tiveram medo dos caras. Mas também acho que pelo fato de sermos gays isso não incentivou muito [a ajudarem]. Lá fora um homem se voluntariou para ser testemunha, só isso", relata.

Investigação

Após passarem por atendimento médico, os dois registraram a ocorrência na Delegacia do Metropolitano (Delpom). "A polícia tem tudo para identificar os homens. Aquela frota infelizmente não tem câmeras, mas como indiquei aos policiais qual era o trem e o horário, eles podem pegar as gravações das estações", conta Putinato. A investigação deverá ser conduzida pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

(Com Estadão Conteúdo)

Fonte: VEJA SÃO PAULO