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Casa especializada em funerais promove velórios chiques

A primeira casa especializada em funerais de São Paulo tem bufê e manobrista

Por: Camila Antunes - Atualizado em

Toc-toc-toc. Bata na madeira três vezes e acompanhe o raciocínio da bela moça ao lado, executiva do setor de funerais. "Você trabalhou duro para dar o melhor a seus filhos. A vida inteira freqüentou bons restaurantes, viajou e fez questão de consultar médicos de renome. Na hora de morrer, o que acontece? Seu velório é feito em uma salinha apertada, muitas vezes sem janelas ou no subsolo de hospitais. Isso não faz sentido!" Com o objetivo de trazer um pouco de conforto – e, por que não, glamour- – nesse momento de dor, Milena Romano vai inaugurar na próxima quinta (4) a primeira casa especializada em velórios da cidade, batizada com o nome em inglês Funeral Home. O espaço escolhido para o negócio é um casarão em estilo neocolonial da Rua São Carlos do Pinhal, na Bela Vista.

Com arquitetura tombada pelo patrimônio histórico, vitrais nas janelas e muitos detalhes de pedra e madeira escura, o local prestou-se bem ao novo uso. Milena fez questão de forrar poltronas, chaises longues e sofás com camurça, couro ou tafetá. Nas ante-salas do velório, haverá TVs de plasma, em que a família poderá projetar filmes em homenagem ao morto ou tocar a trilha sonora que mais o comovia. A estrutura da casa de funerais tem várias semelhanças com um bufê de festas. Suas instalações incluem um escritório com quatro computadores, uma lanchonete e uma cozinha. Copeiras vão servir café, chá, sanduichinhos e petits-fours. Caso o cliente queira, lanches mais incrementados poderão ser encomendados ao Buffet França.

O pacote mais econômico para o velório na Funeral Home custa 4 000 reais e inclui manobrista para trinta carros, cafezinho e a designação de um assistente social. Seu papel é ajudar a família em trâmites burocráticos como encontrar um jazigo, encomendar a urna e providenciar transporte ao cemitério – gastos que podem chegar

a 10 000 reais e devem ser acertados direto com os fornecedores. Também se encarrega de funções difíceis como telefonar a amigos para espalhar a notícia do falecimento e preparar o anúncio fúnebre. "Acredito que ao menos dez das 250 pessoas que morrem por dia em São Paulo teriam condições de pagar um adicional por esse conforto", calcula Milena, que diz ter investido 3,5 milhões de reais no negócio. Seu otimismo se justifica pelo sucesso que obteve à frente da Plena Assistencial, a seguradora de despesas funerais de sua família, na qual trabalhou desde a fundação, em 2001. Hoje a companhia tem 10 000 associados. "Apaixonei-me pelo setor, pois enxergo nele uma função social", afirma Milena. "Só tenho receio de ganhar apelidos de mau gosto, como dona Morte."

O que não pode faltar em um velório chique

• Manobrista e motorista

• Apoio de assistente social

• Decoração

• Café e lanche

• Filme em homenagem ao falecido

• Livro de condolências

• Santinho e lembrancinha

Fonte: VEJA SÃO PAULO