Paulistanas nota dez

Casa abriga menores tirados de suas famílias por Justiça

As amigas Marina Kim e Karen Ichiba mantêm o lugar, que vive de doações

Por: Laura Ming - Atualizado em

Paulistanas nota 10 - ed 2374
'Não tem nada melhor do que ver que você pode fazer a diferença na vida de alguém.' - Marina Kim (à esq.) (Foto: Lucas Lima)

Em uma casa especial do Alto de Pinheiros vivem hoje cerca de vinte crianças. Na maioria, são menores tirados de sua família pela Justiça devido a problemas relacionados ao consumo e à venda de drogas, sem parentes próximos capazes de ficar com a sua guarda. Dois irmãos, um de 8 e o outro de 9 anos, chegaram ao endereço depois que os pais terminaram presos por tráfico.

Mais tocante ainda é o caso de um bebê mandado direto do hospital para o abrigo, com apenas 3 meses de idade (hoje, ele está com 1 ano). A mãe, uma prostituta usuária de cocaína, abandonou-o na maternidade, logo depois do parto. Foi necessário providenciar toda a documentação do recém nascido, incluindo RG e carteira de vacinação. “Não tem nada melhor do que ver que você pode fazer a diferença na vida de alguém”, diz a economista Karen Ichiba, uma das responsáveis pelo local.

Ao lado da empresária Marina Kim, amiga desde os tempos do Colégio Santa Cruz, onde descobriu o gosto pelo voluntariado, Karen criou o serviço, em 2007. Com o dinheiro arrecadado em uma feijoada, a dupla alugou a residência na Zona Oeste e começou a receber as crianças. Até hoje, a Associação Amigos da Inocência já cuidou de mais de 100 menores. O objetivo é funcionar como um lar transitório. Como a maior parte das famílias reluta em adotar maiores de 2 anos, as responsáveis pelo abrigo batalham para que os pais biológicos tenham condições de retomar a guarda. 

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A determinação de Karen e Marina chegou a reverter casos como o de uma mulher que dava choque nos filhos. Depois de três anos de insistência, elas conseguiram que a mãe fizesse um tratamento psiquiátrico a fim de poder voltar a cuidar das crianças. Para manter a casa, as amigas contam com uma série de doações. O dono do imóvel, por exemplo, cobra metade do valor do aluguel, e um comerciante do bairro oferece hortaliças para as refeições. Com a ajuda dessa rede solidária, a dupla consegue dar vida nova às crianças do abrigo.

Fonte: VEJA SÃO PAULO