A opinião do leitor

Cartas sobre a edição 2231

Por:

Cartas - edição 2232
(Foto: Veja São Paulo)

Capa

Apesar dos esforços da prefeitura no combate à pirataria (“Artilharia pesada contra os piratas”, 24 de agosto), basta um simples passeio na região da Rua 25 de Março para ver ambulantes, pequenas lojas e grandes shoppings repletos de produtos de marca a preço de banana. Pior ainda é a quantidade de policiais passeando de olhos fechados para a ilegalidade.

ISAAC AZRAK

O termo “pirataria” abrange o conceito de diversos crimes, tais como o contrabando, o descaminho, os contra a propriedade intelectual e industrial, a sonegação fiscal, os contra a saúde pública, os de relação de consumo, corrupção, roubo de carga... Como se vê, não se trata de uma conduta de menor importância, como equivocadamente parte da sociedade brasileira a enxerga. Muitos, inclusive, encaram a informalidade como solução para um país que cria poucos empregos. Todavia, essa é uma visão deturpada, porque atualmente a informalidade no país não se resume a poucas bancas de camelôs nas grandes cidades, mas envolve a atuação de verdadeiras organizações criminosas voltadas para a prática dos delitos mencionados.

ANDRÉ COSTA DE MELO

A impressão que tenho é que o ataque contra a pirataria por parte da prefeitura de São Paulo é bem parcial, afinal ataca poucos locais e libera outros. Quem passa pela Rua Tuiuti no trecho entre a Avenida Celso Garcia e a Praça Silvio Romero vê nitidamente o crescimento do comércio ilegal. Ali, o pedestre não consegue nem caminhar pelas ruas. Até quando veremos tamanha parcialidade no cumprimento das leis?

LUIZ CLAUDIO ZABATIERO

A Feira da Madrugada e a Rua 25 de Março são apenas a ponta visível de um iceberg cujas causas são extremamente sérias. A venda de quinquilharias contrabandeadas tem uma fonte inesgotável, como demonstra a inocuidade de fiscalizações efetuadas na ponta final do comércio ilegal. O combate há de ser feito na origem e no transporte pelas estradas e pelo espaço aéreo brasileiro, assim como devem ser combatidos o narcotráfico e a circulação de armas ilegais, o que só pode ser feito por uma força nacional organizada pela União. A não ser assim, a briga de gato e rato não terá fim.

AMADEU R. GARRIDO DE PAULA

Desde maio e, portanto, antes das denúncias envolvendo o PR e da própria ação do Executivo, funciona na Câmara Municipal uma subcomissão da Comissão de Constituição e Justiça que aborda os problemas do Pátio do Pari, onde se encontra a Feira da Madrugada. Desde então, apuramos uma série de irregularidades de ordem legal e administrativa. Por tudo isso, mais do que “inéditas”, considero as medidas agora tomadas “tardias”. O empreendimento só cresceu, ganhou fama e se transformou numa terra de ninguém graças à omissão do poder público.

ADILSON AMADEU - Vereador, PTB

A constatação de que aumenta a cada dia a pirataria em vários ramos de atividade, tanto da indústria como da cultura, é um fato lamentável. O consumidor também é culpado. Ele deveria ajudar na fiscalização, mas também age como oportunista, levando vantagem.

URIEL VILLAS BOAS

Couvert

Não acho que seja necessária uma legislação para o couvert em restaurante (“Uma lei muito indigesta”, 24 de agosto). Meu irmão e eu almoçamos fora todo sábado e sempre recusamos couvert. Preferimos uma entrada. E nunca tivemos problema.

LELA GARBARINO

Existem restaurantes que oferecem um pãozinho com manteiga e cobram 15 reais por pessoa. Outros oferecem couverts fartos a preços justos. O consumidor tem o direito de aceitar ou recusar. Assim procedo. Se alguma vez eu for coagido a aceitar o couvert, levanto e vou a outro restaurante. Simples assim.

ANTONIO CARLOS TEIXEIRA DA SILVA

Se há duas ou mais pessoas na mesa, os couverts não são servidos suficientemente a todos, em partes iguais. Os clientes podem pedir que eles sejam completados. Mas, se não for solicitado um acréscimo, da conta não escapa: serão cobrados os couverts inteiros pelo número de clientes na mesa.

ARCANGELO SFORCIN FILHO

Carreira

Refuto que “ganhar até 3.000 reais por mês para ficar bebendo” seja uma vantagem (“Eles bebem em serviço”, 24 de agosto). Como docente do curso de formação de sommelier de cerveja do Senac-SP, incutimos nos nossos alunos o apreço pela filosofia “beba menos e melhor”. Mostramos, com ela, que a cerveja, embora há séculos marginalizada no Brasil, tem a mesma nobreza do vinho. Não é necessário bebê-la em grande quantidade para apreciá-la como se deve.

MAURICIO BELTRAMELLI

A cerveja não precisa de sommeliers. Precisa apenas de amigos e amendoins.

FAUSTO FERRAZ FILHO

Terraço Paulistano

Congratulo o reitor da USP, João Grandino Rodas, que no último dia 15 de agosto enviou uma carta ao governo do estado dizendo que estuda não assinar a mudança do Museu de Arte Contemporânea (“Tensão no Ibirapuera”, 24 de agosto). Atitudes como essa mostram que ainda há ética por esse Brasil afora.

ROSELY EPSZTEIN

Pais especiais

Quando eu li sobre os pais cuidadores de crianças portadoras de necessidades especiais (“Meu filho, meu herói”, 17 de agosto), a primeira ideia que me veio à cabeça foi: você não nasce super-homem, mas se torna um. Foram pais que venceram não os desafios da vida, mas o milagre dela, que é tão infinita de possibilidades quanto de amor. Parabéns a todos eles e à revista pela reportagem.

JANETE CHAVES

Minha mais profunda gratidão pela maravilhosa reportagem, talvez a mais linda que a revista já publicou. Foi um grande presente para mim, que sou pai de filhos sem deficiência e me senti tão pequeno quanto um grão de areia diante do gigantesco papel que esses pais heróis expuseram na publicação — começando pela capa, que foi um retrato completo e visível de amor mútuo entre pai e filho, estampando uma sublime ligação entre ambos. A repercussão da reportagem foi tão grande que se tornou objeto de estudo na minha igreja e nos serviu de valioso material para aprimorarmos nossa vida.

ARGELINO DE MORAIS BATISTA

Sou mãe de um lindo garoto de 18 anos que nasceu com uma síndrome parecida com o autismo. Quem a desenvolve é inteligente, e com muita frequência fala sobre um único assunto (interesse obsessivo). No caso do meu filho, são carros. Ele sabe marcas, placas dos carros de toda a família, valores de mercado. Foca somente nisso. Os portadores dessa síndrome têm uma dificuldade enorme em se relacionar com outras pessoas, fazer amizade e mantê-la, mas desejam ter amigos e se sentem frustrados pelas suas dificuldades sociais. Vivo o hoje e sei que vou fazer o melhor que eu puder. Quando, no condomínio onde moro, ele foi jogar bola pela primeira vez com os meninos, eu quase não dormi direito de tanta felicidade.

OFÉLIA MOREIRA VIAN

Walcyr Carrasco

Walcyr Carrasco colocou em palavras meus pensamentos (“Outdoor de grife”, 24 de agosto). Estou sempre comentando que acho um absurdo essas grifes colocarem as marcas nos seus produtos de forma que, quando as usamos, nos tornamos um outdoor ambulante. Sempre falo para minhas amigas que essas marcas é que deveriam nos pagar para usá-las. Quando meus filhos eram menores, rebelei-me contra uma grife de roupa nacional infantil que era cara e trazia o nome estampado em letras garrafais em todas as peças. Agora, minha filha pré-adolescente não caiu nessa ilusão. Ela, como eu, vê as pessoas pelo que elas são, e não pelo que possuem.

SAMANTA GULINELLI

Adoro suas crônicas e sempre começo a ver a revista de trás para a frente. Lendo seu último texto, lembrei-me de quando minha filha Sophia era pequena e dizia: “Mãe, se a roupa é minha, por que tem Barbie escrito tão grande?”. Outro dia estávamos em frente a uma loja e ela, agora com 10 anos: “Que bota linda! Mas eu é que não uso, olha o tamanho do nome da marca! Que desperdício...”.

IVETE LEITE

Tenho mania de cortar as etiquetas ou arrancá-las, o que já causou acidentes que inutilizaram minhas roupas. Sempre usei a expressão “não sou outdoor” e me recuso a comprar qualquer roupa que tenha o nome da grife estampada visivelmente, mas confesso que às vezes escorrego e acabo dizendo de quem é a peça que uso. Sua crônica, Walcyr, serviu para ver que estou no caminho certo.

ASTRID SEKKEL

ESCREVA PARA NÓS

E-mail: vejasp@abril.com.br

Fax: (11) 3037-2022

Cartas: Caixa Postal 14110,

CEP 05425-902, São Paulo, SP

As mensagens devem trazer a assinatura, o endereço, o número da cédula de identidade e o telefone do remetente. Envie para Diretor de Redação, VEJA SÃO PAULO. Por motivos de espaço ou clareza, as cartas poderão ser publicadas resumidamente

Atendimento ao leitor: (11) 3037-2541

Sobre assinaturas: (11) 5087-2112

Atenção: ninguém está autorizado a solicitar objetos em lojas nem a fazer refeições em nome da revista a pretexto de produzir reportagens para qualquer seção de VEJA SÃO PAULO

Fonte: VEJA SÃO PAULO