A opinião do leitor

Cartas sobre a edição 2216

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Capa da edição 2216 e, ao lado, os assuntos mais comentados pelos leitores (Foto: Veja São Paulo)
Domésticas A reportagem “Elas estão com a bola toda” (11 de maio) só veio confirmar algo que eu já tinha percebido havia tempos. Desde 2009, venho enfrentando grande dificuldade para encontrar alguém com vontade de trabalhar. Só deparo com empregadas folgadas — é preciso medir as palavras para falar qualquer coisa com elas, que não admitem que chamemos sua atenção. Já entrevistei diarista que me perguntou se eu queria meia faxina ou completa. Se é que isso é possível! EMILIA DA SILVA ALEXANDRE Eu sempre tive empregada que dormia no serviço. Mas desde que dispensei a minha, há cinco meses, nunca mais consegui uma que dormisse. Resolvi desistir e contratei recentemente uma diarista. Ela deixa o jantar pronto, e à noite a gente só o esquenta. Posso falar? Estou adorando esse sistema. Janto na hora em que eu quero e não tenho mais de aturar cara feia. Dá uma sensação tão boa de liberdade! PÉROLA RAWET HEILBERG Coincidência ou simplesmente falta de sorte, vivenciei todas as situações tratadas por VEJA SÃO PAULO. A última: babá “roubada” pelo vizinho! Desde que meus trigêmeos nasceram, a situação só piorou. Buscar em agência me deu mais dor de cabeça ainda. LUCIANE ROSSI Se a ideia da reportagem era inflacionar o mercado e complicar ainda mais a relação entre patroas e domésticas, parabéns: a revista conseguiu! MARIA CLAUDIA BEYRUTI Gostaria de elogiar a reportagem, que, além de bem escrita, com entrevistas elaboradas, conseguiu mostrar o lado das trabalhadoras brasileiras. PAULA HONDA Hoje, as empregadas não se acham profissionais, perderam os valores. Ser empregada é bico, trabalho temporário; então, para que fazer benfeito? Mesmo com os patrões cumprindo toda a parte deles, elas não têm carinho nem profissionalismo, querem apenas seus direitos. Conversam com as outras trabalhadoras do ramo e dão início ao comércio de salários e ameaças. Acabam desempregadas, com o... Bolsa Família. CLAUDIA MANSOLDO Frota morta Acho um absurdo, nos dias de hoje, com todas as preocupações ambientais existentes e as tentativas para minimizá-las, ainda haver pessoas que se descuidam do meio ambiente dessa forma (“A assombração da frota morta”, 11 de maio). Os carros estacionados nesses terrenos poluem o solo e atraem mosquitos da dengue, pois acumulam água. Podemos ver isso como pouco caso tanto por parte da Secretaria de Segurança, que falta com agilidade na hora de resolver os assuntos propostos em relação aos carros que vão para os pátios, como por parte dos proprietários dos terrenos onde os carros são colocados. Estes vendem ilegalmente as peças dos automóveis. CAIO COSENZA CAGGIANO A sucata automotiva que se acumula em São Paulo e em outras grandes e médias cidades do país representa um grave problema ambiental de difícil solução. A chamada frota morta forma cemitérios a céu aberto que são verdadeiros criadouros de mosquitos da dengue e animais peçonhentos em geral. De todos os lixos que a nossa civilização produziu, esse é o mais paradoxal, porque, em vez de estar em movimento, a sua função original, se parece com monstros metálicos que ocupam terrenos e mais terrenos, tomando o espaço de casas, edifícios e outros locais em que a vida poderia florescer e se abrigar. JAIME LUIZ LEITÃO RODRIGUES Há um terreno como esses perto da casa da minha avó, o que causa grande preocupação aos moradores da região. Vemos o “infinito” de carros e nos perguntamos se algum dia enxergaremos ali um campo de futebol para as crianças do bairro ou algo do tipo. CAMILLA FENIAR Um leilão da frota morta? Esses automóveis serão reaproveitados e voltarão para as ruas? Nós já temos carros ultrapassados demais, que no mundo civilizado ninguém mais conhece. Por que não fazer como na Alemanha: prensá-los e acabar com eles? GERDA NAGELI Áreas verdes Ao ler a reportagem “A batalha verde” (11 de maio), fiquei indignada, porém feliz com o fim da história. Em um século de tantos desafios ecológicos, em que todos tentam preservar e procurar soluções ecológicas, não me conformo com o fato de uma área verde tão grande como a mencionada ficar largada, sem cuidados. Poderiam, por exemplo, abri-la como parque para visitação. Levanto ainda uma questão que gostaria que fosse abordada na revista: como a prefeitura de São Paulo aprova uma planta de construção sem analisar onde o edifício será construído e quantas árvores serão destruídas em razão da obra? Será que o dinheiro que seria recebido pela prefeitura pelo terreno vale mais que todas aquelas árvores? ANA LIGIA PEREIRA SANTOS Parabenizo e apoio a população que está lutando para preservar o verde na cidade. Que esses movimentos sirvam de exemplo e inspiração para todos nós. Esta selva de pedra chamada São Paulo precisa de verde. Quando é que essas construtoras que só pensam em dinheiro vão se conscientizar disso? Saúde e qualidade de vida da população devem vir em primeiro lugar. Precisamos urgentemente que a prefeitura se manifeste sobre isso. Educação e consciência ambiental urgente, antes que seja tarde demais. MARIA CLAUDIA OLIVEIRA DE PAIVA Ter a certeza de não estarmos sós ao reivindicar a preservação de áreas verdes nos encoraja. No Parque São Jorge, a atenção está concentrada na intenção de ver o Parque do Piqueri, com seus mais de 97.000 metros quadrados de área verde, revitalizado e ampliado. Antiga chácara pertencente ao conde Francisco Matarazzo, junto à foz do Ribeirão Tatuapé, criado em 16 de abril de 1978, é palco de atividades culturais, esportivas e de lazer. Elencamos uma série de sugestões e as enviamos ao prefeito Gilberto Kassab, ao secretário Eduardo Jorge e aos vereadores de São Paulo. Aguardamos, agora, as respostas. Cabe à comunidade cobrar dos governantes agilidade nas decisões. Viva o exercício da cidadania! FERNANDO PENTEADO VILLAR FÉLIX Não haverá progresso nem melhoras no clima e na qualidade de vida sem colaboração de todas as partes da sociedade. FABRIZIO MAZZOTINI LUCAS Ivan Angelo Há muito tempo não lia uma crônica tão gostosa. Ela me fez voltar ao tempo de colégio (“Viagem no tempo”, 11 de maio). Lembrei-me do tinteiro e da caneta com aquele êmbolo de puxar a tinta, que, em dia de prova, eram imprescindíveis. Havia até um espaço na carteira para encaixar o tinteiro. Isso sem falar do mata-borrão, claro. Não podíamos também nos esquecer de trazer uma folha de papel almaço e fazer a dobra certinha para deixar a margem! Ai, que saudade... PÉROLA RAWET HEILBERG Tenho 68 anos e uso caneta-tinteiro. Sou péssimo para manusear celulares. Há mais ou menos trinta anos, uma ligação interurbana demorava horas e era feita por meio de uma telefonista que, no interior, sabia o nome de todos os proprietários de linha telefônica! JOSÉ CARLOS POPOLIZIO Lembrei-me do tempo de faculdade de engenharia. Portávamos a famosa régua-tê, e engenheiro era definido como aquele que tomava da “régua de cálculo” para concluir que duas vezes dois eram “aproximadamente” quatro. ROMEU LANDI Litoral Norte Foi com certa dose de indignação que a Associação dos Amigos da Aldeia da Baleia recebeu a reportagem “Estão de olho neste paraíso” (4 de maio), em que constou que o Condomínio Aldeia da Baleia possui uma ação que questiona sua legalidade. O que é questionado nessa demanda se refere à reserva legal, que não foi averbada pelos empreendedores originais. Caso o Poder Judiciário entenda que é de responsabilidade da associação realizar a compensação ambiental, já existe área adquirida para cumprir essa determinação judicial. NORTON VILLAS BOAS Diretor-presidente da Associação dos Amigos da Aldeia da Baleia CÂNCERAinda não tenho condições de dizer exatamente o que se pode aprender com todos estes acontecimentos, mas é de fundamental importância, para que o sofrimento da pequena Giulia não seja em vão, refletir sobre as enormes contradições humanas, que afloram diante de nossos olhos: o amor, a serenidade, a inocência e a felicidade com que ela enfrenta o seu calvário contrastam com a insanidade de alguns homens diante de desafios tão pequenos, tão insignificantes, frutos de sua própria ganância e sede de poder. Homens capazes de matar, morrer, desesperar-se por motivos fúteis, sem nenhum abrigo na ética ou na dignidade humana. A luta desesperada dos pais para preservar a vida de sua filha amada contrasta com os milhares de pais que negam o direito à vida a seus filhos antes mesmo do nascimento, através da prática criminosa do aborto. A luta dos médicos e voluntários do hospital para, com parcos recursos, oferecer o que existe de melhor na medicina, na tecnologia e nas mais diversas áreas do conhecimento humano em favor da cura com qualidade de vida de seus pacientes contrasta com os milhares de recursos gastos com a produção de armas de destruição em massa que alimentam guerras estúpidas e ódio pelo mundo inteiro. A rede de solidariedade e orações que se formou em favor da recuperação plena da nossa pequena Giulia contrasta com o olhar indiferente de tantas crianças abandonadas, drogadas, marginalizadas, que já não despertam sentimento algum aos nossos olhos, nem mesmo de compaixão. Talvez a grande lição de tudo isso seja a certeza da presença de todos os sentimentos nobres que afloraram neste período: a solidariedade, a compaixão, a serenidade, o amor, a partilha, a valorização da vida dentro de cada um de nós. Sentimentos verdadeiramente capazes de construir um mundo melhor, mais humano e mais cristão. FLAVIO WALLACE, tio da Giulia ESCREVA PARA NÓS E-mail: vejasp@abril.com.brFax: (11) 3037-2022Cartas: Caixa Postal 14110, CEP 05425-902, São Paulo, SP As mensagens devem trazer a assinatura, o endereço, o número da cédula de identidade e o telefone do remetente. Envie para Diretor de Redação, VEJA SÃO PAULO. Por motivos de espaço ou clareza, as cartas poderão ser publicadas resumidamenteAtendimento ao leitor: (11) 3037-2541Sobre assinaturas: (11) 5087-2112Atenção: ninguém está autorizado a solicitar objetos em lojas nem a fazer refeições em nome da revista a pretexto de produzir reportagens para qualquer seção de VEJA SÃO PAULO

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