A opinião do leitor

Cartas sobre a edição 2161

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Assuntos mais comentados:

Walcyr Carrasco               55%

Buracos                             20%

Chega de baderna            5%

Roteiro da Semana           3%

Outros                                17%

Buracos

Parabenizo a revista pela maneira como abordou o assunto sobre o pavimento da cidade (“1 buraco por minuto”, 21 de abril), com retaguarda técnica e orientada por especialistas renomados da área. Vocês expuseram uma excelente radiografia das condições das nossas ruas. Em São Paulo, temos vias pavimentadas há mais de 35 anos que nunca receberam nenhum tipo de manutenção preventiva.

JOSÉ LUIZ GIOVANETTI PINTO

1 buraco = 510 reais. Foi esse valor, equivalente ao do salário mínimo, que desembolsei por cair em um buraco em plena Marginal Pinheiros no dia 14. Perdi o pneu com um corte de 10 centímetros e todo o sistema de alinhamento e balanceamento foi danificado. Sem falar no susto, já que em segundos o pneu ficou no chão. Não tive tempo de fotografar a cratera para entrar com uma ação contra a prefeitura, mas deixo aqui minha indignação pelo dinheiro que tive de gastar, além de uma pergunta: até quando pagaremos nossos impostos e teremos de arcar com prejuízos de buracos com nome e sobrenome: “Prefeitura do Município de São Paulo”?

ILSE MARISOL MARTINS

Sugiro duas medidas que poderiam ser adotadas para agilizar o recapeamento e minimizar os problemas das nossas vias: 1) todo funcionário da prefeitura e de empresas prestadoras de serviços ficaria obrigado a informar diariamente os buracos encontrados em seu percurso. Isso, por si só, criaria um número grande de fiscais. As informações seriam centralizadas nas subprefeituras e teriam encaminhamento imediato à Operação Tapa- Buraco; 2) transformar os meios-fios, entre as calçadas e as ruas, em espaços gramados, o que aumentaria a drenagem e diminuiria o aparecimento de novos buracos.

JOSÉ RENATO NASCIMENTO

Importante a reportagem sobre o nosso asfalto nesta ótima revista. Demonstra, claramente, a omissão da prefeitura em fiscalizar a atuação dos engenheiros das concessionárias públicas, em especial a Sabesp, que desrespeita milhares de vezes mensalmente a nós, cidadãos, repondo as valas de forma totalmente em desacordo com as da prefeitura, e esta, repito, não os fiscaliza. Faltou comentar que o serviço de tapa-buraco municipal é muito ruim, pois “inverte” o buraco quando o tapa, já que põe muito mais “massa asfáltica” do que é necessário e cria uma lombada no pavimento. Ou seja, o que antes era uma depressão depois do conserto vira uma ondulação.

CARLOS HENRIQUE CABRAL - Engenheiro

A prova de que nossos administradores e as empresas que eles contratam pouco se importam com nossos direitos aconteceu no último dia 19, às 22 horas, quando se iniciou a abertura de mais um buraco com uma poderosa britadeira em alguma via perto da Rua Clodomiro Amazonas, no Itaim Bibi. O barulho era insuportável e terminou após as 23 horas. Nossos administradores se esquecem dos eleitores. Mas nós certamente não os esqueceremos nas eleições.

SONIA SCHANZER

Gostaria de acrescentar que o problema dos buracos não afeta apenas os motoristas, que podem colidir com outros veículos para desviar dessas crateras. Traz risco também aos pedestres, muitas vezes atingidos por carros desgovernados. Para que serve a indústria de multas, senão para retribuir à sociedade o exemplo de civilidade?

ROBERTO CAVALLANTE

Como fabricantes de equipamentos e especialistas em compactação e pavimentação, nós, da Dynapac Brasil, participante do Grupo Atlas Copco, podemos dizer que faz muito tempo que não deparamos com tanta seriedade em uma reportagem sobre o tema. Completa e tecnicamente perfeita, ela traz várias sugestões aplicáveis para acabar de uma vez por todas com os buracos da cidade.

LUIZ ALBERTO C. PRETA

Nestes últimos dois anos, vi muitas máquinas recapear ruas, tapar buracos, e também ônibus lotados e caminhões cada vez mais carregados trafegando por aí. Recentemente, as avenidas Aricanduva e Ragueb Chohfi foram recapeadas, mas em pouco menos de seis meses os buracos já voltaram a aparecer. Outro exemplo é a Avenida Mateo Bei, também na Zona Leste. Gastaram dinheiro com recapeamento e reforma das calçadas e hoje há várias “costelas de vaca” no asfalto, que dificultam o tráfego de automóveis. Será que não está na hora de o poder público adotar esta equação: menos carros - menos caminhões + transporte público = asfalto mais durável? Por que o governo municipal não instala balanças nas avenidas com tráfego intenso de caminhões? Medo de brigar com as grandes transportadoras?

LUÍS DELCIDES

As motocicletas não foram citadas na reportagem. Além de comporem a segunda maior frota do país, elas são os veículos que mais sofrem com as más condições de nossas vias. Um buraco na rua ou uma placa metálica usada normalmente por concessionárias de água e gás para cobrir reparos provisórios pode custar a vida de um motociclista, pois geralmente não está devidamente sinalizado nem aplicado adequadamente.

SERGIO MARTINS DE OLIVEIRA

Conheço obras de construção de ruas e estradas em diversos países, inclusive nossos vizinhos sul-americanos. São Paulo adotou um modo de construí- las que privilegia o baixo custo de implantação do asfalto, encarecendo notavelmente o de manutenção. Na maioria dos países, o asfalto é aplicado somente sobre uma laje de concreto de 10 a 15 centímetros de espessura, conforme a necessidade, reforçada com malha de ferro. Essa laje é fundida sobre a base de pedra britada, que por sua vez está sobre o solo compactado, e este sobre o solo natural. O que falta é o fundamental para garantir a planeza, a durabilidade e a isenção de manutenção: a base de concreto armado. Sem ela, a água da chuva impregna o substrato, “lava” a terra compactada, o asfalto cede e forma as famosas “panelas” de buracos. Em Buenos Aires, todas as avenidas são construídas dessa maneira, e nos pontos de parada dos ônibus ainda existe um reforço da camada de concreto para garantir a resistência às freadas desses veículos. Durabilidade quase ilimitada!

GERALDO MANFREDO LOMMER

As dez sugestões da revista são ótimas, e eu concordo com todas elas. A prefeitura acha que o contrato de manutenção iria encarecer o processo. Pelo contrário. Com o tempo, o custo ficará menor, uma vez que os responsáveis pela execução do serviço terão de melhorar a qualidade para reduzir os estragos na pista.

WALDEMAR FONTES

Percorro em média 500 quilômetros por semana na cidade. Desde 2003, encaminho uma média de cinco solicitações de serviço de tapa-buraco pelo SAC da prefeitura, via internet. Modéstia à parte, sou um conhecedor do assunto. Pelo modelo atual, as subprefeituras são responsáveis por esse serviço. Acontece que algumas só resolvem o problema após reclamação à ouvidoria. O certo seria centralizar em um órgão, como o atual modelo de solicitação de iluminação pública. A prefeitura poderia também realizar o levantamento dos principais munícipes que fazem reclamação e firmar uma parceria com essas pessoas.

GERSON MARQUES GROGER

Manifestações

Parabenizo VEJA SÃO PAULO pela reportagem “Chega de baderna”, (21 de abril). Pena que serão palavras ao vento, pois esse assunto é antigo e nossas autoridades, independentemente do partido a qual pertençam, o encaram com total descaso, com receios eleitoreiros de uma proibição para valer! Na qualidade de obstetra que realiza partos na Pro Matre e na Santa Catarina há mais de trinta anos, vocês podem imaginar os sofrimentos que já passei para eventualmente chegar às maternidades.

DOUTOR PAULO BASTO DE ALBUQUERQUE

Os transtornos causados pelos protestos na Avenida Paulista superam os destaques da ótima reportagem. Trabalho na Paulista próximo ao Masp e não consigo acreditar na ausência de alguma providência que impeça o uso dessa avenida como palco de ma nifestações. Desnecessário mencionar os quinze hospitais, a importante ligação viária e tantos argumentos que não sensibilizam as irresponsáveis iniciativas dos manifestantes, que são toleradas pelas autoridades. Não se podem ignorar os milhares de pessoas que lá residem e trabalham — e que se tornam reféns dos bloqueios, da paralisação do trânsito e do barulho infernal dos carros de som, o que as impede de exercer seu direito constitucional de ir e vir.

LUIZ WERNER

Walcyr Carrasco

Minha impressão é que alguns pais da nossa época foram exageradamente duros na criação dos seus filhos. Com isso, essas crianças se tornaram pais “moles”, que receiam repetir as atitudes de seus progenitores (“O silêncio dos pais”, 21 de abril).

ANDRE SEGATIN

Certos pais, com a desculpa de uma educação liberal, criam verdadeiros monstrinhos. Vivo essa situação na minha família e entendi a crônica profundamente. Parabéns.

TUCA ANDRADA

Vou a restaurantes com meus filhos e nunca permiti que corressem entre as mesas ou atrapalhassem os outros. Claro que evito passar a tarde no restaurante, pois sei que há um limite de tolerância para a criança. Estou criando pessoas que sabem respeitar o próximo.

LUIZ CASTRO

Há crianças que chegam à minha loja e fazem dela um playground. E, como os pais acham tudo maravilhoso, eu é que chamo a atenção dos pequenos. Ainda por cima, ouço as mães sair dizendo que não voltam mais.

ELIANA PERISSINI BRUZZESE

Já me aconteceu de dizer que não vou a um casamento, por exemplo, porque não tenho com quem deixar a minha filha e ouvir de volta: “Deixe de ser boba, traga-a”. É difícil achar o limite entre ser inconveniente e sem noção e ser introvertida e chata.

ANA COUTINHO

Leio reportagens que questionam que planeta vamos deixar para nossos filhos. Deveríamos perguntar que filhos vamos deixar para nosso planeta.

MIYUKI KAW AMATA

Criança não nasce com manual e muito menos com botão on and off. Até os 2 anos, elas estão se descobrindo e também aprendendo seus limites. Deixemos que conheçam o mundo a seu tempo. Apenas após os 5 anos é que podemos criticar sua educação.

ELAINE YOGUI

Terraço Paulistano

Permito-me cumprimentar a jornalista Giuliana Bergamo, a única, de toda a mídia escrita brasileira, a noticiar a posse de Tatiana Belinky na cadeira 25 da Academia Paulista de Letras (“Mais uma aventura da garotinha russa”, Terraço Paulistano, 21 de abril). Quem teve o privilégio de participar da solenidade de posse, realizada no Colégio Dante Alighieri, assistiu a uma cerimônia tocante e verdadeiramente indelével. Até mesmo os primeiros intérpretes do Sítio do Picapau Amarelo lá estiveram para homenagear a notável escritora, tradutora e amiga das crianças, que chama a palavra de “Sua Majestade”. VEJA SÃO PAULO confirmou a sua vocação de registrar acontecimentos de real interesse para a paulistanidade ao contemplar o acesso de uma pioneira que, aos 91 anos, considerou um dos fatos mais importantes de sua vida o reconhecimento dos imortais bandeirantes.

JOSÉ RENATO NALINI - Presidente da Academia Paulista de Letras

Caipirinha

Parabéns pela edição desta semana: como sempre eclética e surpreendente! Nela tive uma alegria e uma tristeza: 1) Alegria com a nota “Salve a caipirinha!”, na página 12 (21 de abril). Excelente a iniciativa da Leblon, que quer resgatar a ideia do nosso drinque original — a caipirinha. Estive na segunda quinzena de fevereiro no México, em visita oficial à região de Tequila. A qualquer bar ou restaurante que eu chegava, simples ou sofisticado, as primeiras perguntas do garçom ou sommelier sempre eram: “Que les puedo ofrecer? Una margarita o un tequila derecho?”. Ou seja, todos estão treinados para oferecer, em primeiro lugar, a sua bebida nacional e seus drinques derivados. De volta ao Brasil, com a intenção mesmo de testar, fui a vários restaurantes e bares e quando me perguntavam “O que deseja para beber?”, fazia o meu pedido: “Uma caipirinha, por favor!”. Para minha surpresa, quase invariavelmente, recebia de volta a pergunta: “De vodca?”. Ou seja, embora a oferta de cachaças de qualidade seja superior à de tequilas e vodcas, o nosso pessoal de serviço não está preparado para vender a nossa “tradicional e histórica cachaça” — que pena! 2) Tristeza com a reportagem “Só dá ele!”, na página 57. Embora seja sobre drinques, um dos quais Los Baianos tem a cachaça como ingrediente, fiquei muito triste com a última frase, dita pela respeitada e competente bartender Talita Simões: “ No início, era difícil fazer o paulistano deixar de lado a caipirinha, a cerveja e o vinho”. Meu Deus, o que é isto? Tentar fazer com que o brasileiro deixe de lado a nossa genuína caipirinha! Por que discriminamos tanto a nossa brasileiríssima cachaça, que, além de ter nascido nesta terra, ostenta o título de “O primeiro destilado da América Latina”, antes do pisco, da tequila e do rum?

JAIRO MARTINS DA SILVA - Professor, autor e consultor de cachaças

Fonte: VEJA SÃO PAULO