A opinião do leitor

Cartas sobre a edição 2243

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Cartas sobre a edição 2243
Edição 2243: capa e os assuntos mais comentados pelos leitores (Foto: Veja São Paulo)

Imóveis

Gosto de mudanças, mas me assusta ver a cidade crescendo sem planejamento e esquecendo o seu passado histórico (“Os sherlocks dos terrenos”, 16 de novembro). Casas tombadas abandonadas e ruas pequenas de casas de vila tomadas por prédios. É chocante saber que o futuro de uma cidade está nos sonhos de grandeza de poucas pessoas poderosas. Esquecem-se de prover infraestrutura, mudanças necessárias no entorno e de avaliar impactos no trânsito, no esgoto, no recolhimento do lixo e na falta de áreas verdes. Planejam ganhar dinheiro, mas a que preço? Espero que São Paulo mantenha o Jockey Club, que o colégio Dante Alighieri fique por mais 100 anos no mesmo lugar, que o Clube Pinheiros conserve sua área e que antigas fábricas tenham seu destino traçado visando a ganhos para a cidade. Se planejássemos nossa cidade, teríamos menos problemas no futuro.

MAÍRA SERRA TEIXEIRA

Sou profissional do mercado imobiliário e já trabalhei tanto em imobiliária quanto em incorporadora. Hoje tenho minha própria empresa. Nosso trabalho exige um nível técnico apurado: temos de conhecer o zoneamento, entender de potencial construtivo, da vocação das áreas, legislação, mercado imobiliário, captação de investidores etc. A profissão está longe de ser glamourosa e tão bem remunerada como se supõe.

ELAINE CRISTINA FERREIRA DOS SANTOS

Tive um restaurante na Rua Apeninos, na Aclimação, por oito anos, em um espaço alugado. Corretores gostaram do terreno e não mediram esforços para comprá-lo. Foi a destruição de um sonho. Os profissionais deveriam pensar em nós, pequenos empresários, que tentamos sobreviver, mas sem contar com um monte de advogados nos dizendo como fazer contratos para não precisarmos sair de onde estamos.

ROSANGELA CAPPAI

A quem interessa a construção de torres comerciais e condomínios em áreas saturadas e sem proteção urbanística? Às incorporadoras. E o que a cidade, ou melhor, seus moradores ganham com isso? Ruídos de obra e congestionamento. Perdem a vista do horizonte, a iluminação natural e a história de seu bairro. Os caçadores de terrenos abrem frente para muitos negócios, mas também são os arautos da destruição da paisagem e de referências arquitetônicas e urbanísticas.

DÉCIO HERNANDEZ DI GIORGI

Gostaria de parabenizar a repórter Mariana Barros pela excelente reportagem. Os corretores são verdadeiros guerreiros. Meu marido, corretor de imóveis, trabalha de domingo a domingo em busca de vendas, que levam semanas e até meses para ser concretizadas. Há inúmeros “pseudocorretores”, pouco qualificados. É uma das profissões mais ingratas que existem, pois não é valorizada por compradores, proprietários nem pelos corretores, que muitas vezes disputam as vendas entre si.

ISABELA SANTOS

Por meio da ação desses sherlocks estamos perdendo construções históricas e belas. Pelo jeito, teremos de viajar para fora do país se quisermos admirar construções antigas. Entendo ser impossível conter o crescimento das grandes cidades, mas é possível conciliar desenvolvimento e preservação. Um exemplo é a Casa das Rosas, na Avenida Paulista, conservada e dividindo o mesmo terreno com um edifício de alto padrão.

EVANDRO JORGE ELIAS

Educação

Que valores o Colégio Visconde de Porto Seguro pretende passar aos seus alunos (“Amargo novembro”, 16 de novembro)? O da arbitrariedade? Onde está o comprometimento com a verdadeira educação? A instituição deveria buscar em outros setores as soluções para obter a almejada excelência, sem aplicar um aumento tão abusivo.

ROSELI F. MARQUES

Parabéns ao Colégio Visconde de Porto Seguro, que voltou aos primeiros lugares. Lamentamos apenas não ser o ranking referente à qualidade de ensino, mas, sim, o de maiores reajustes de mensalidade para 2012.

ANDRÉ MARQUES

Música

Cumprimento VEJA SÃO PAULO pela dica sobre o lançamento do DVD e do lindo show desta referência e irreverência da música, Arrigo Barnabé (“O crocodilo dá outro bote”, 16 de novembro). Após ser levado por um amigo à pequena e aconchegante Casa de Francisca, maravilhei-me com a interpretação teatral de Barnabé cantando Lupicínio Rodrigues. Fiquei tão impressionado que, semanas depois, lotei a casa com meus amigos. Todos se surpreenderam e se sentiram presenteados.

FRANCISCO LIRA

Coquetéis

Há mais de cinquenta anos eu já tomava na boate (pois na época ainda não se dizia discoteca) Peppermint Lounge, na Rua 45, em Nova York, o drinque uísque sour (“Alquimia sem limite”, 16 de novembro). É feito com uísque, limão, açúcar, uma cereja, gelo e clara de ovo. Clara de ovo em coquetel não é nem original nem novidade.

SERGIO RODRIGUES

Mistérios da Cidade

O título da série B do Brasileirão da minha Portuguesa me fez querer escrever a vocês (“Sabe a última da Por tuguesa?”, 16 de novembro). Fazia cinco anos que eu não ia ao estádio. A última vez fora a vitória de 3 a 1 sobre o Criciúma, em 2006, quando a Lusa subiu para a série A. Ela acabou rebaixada no ano seguinte, para voltar a ser campeã agora. O que encanta no Canindé é ver o estádio cheio de famílias de torcedores incentivando o time: avôs, filhos e netos rindo e chorando sob o mesmo manto rubro-verde. Os torcedores de outros clubes paulistas têm na Portuguesa seu segundo time. Isso porque a Lusa não faz sombra aos outros, que sentem piedade de nós. A torcida é exclusivamente da colônia, não conseguiu sair dos próprios muros, como o Palmeiras e o Vasco da Gama conseguiram. Junte-se a isso uma miríade de dirigentes incompetentes para traçar o quadro de um clube que não consegue crescer. O título abre portas, mas não basta. A profissionalização da estrutura, hoje coalhada de amadores, seria um primeiro passo, seguida do incremento das categorias de base. Sou brasileiro, filho de pai e mãe portugueses e tenho orgulho de minhas raízes lusitanas. Viva a Lusa!

HELDER RODRIGUES BORGES

Ivan Angelo

Comecei a leitura da crônica “Livros à deriva” (16 de novembro) com curiosidade, mas virou lamento. Como alguém consegue perder tantos livros tão importantes? Perder livro autografado deveria ser considerado crime inafiançável. Se o autor tiver morrido, então, pena de prisão perpétua. Eu odeio perder coisas: se some algo fico desesperada. É claro que há muito de neurótico nesse meu comportamento. Vou ficar com os livros autografados de Clarice Lispector e Guimarães Rosa martelando na minha cabeça. E olha que eles nem foram meus! Ivan, sugiro, com a devida licença, não emprestar livro nem ao papa e procurar um bom psicanalista. Se o tratamento surtir efeito, passe-me o nome dele.

DENISE DRUMMOND DE CAUX

Também sou amante de livros. Meu primeiro eu ganhei por ser ótima aluna — foi minha professora quem deu. Sumiu. Após minha separação, deixei meus livros na casa onde mora meu ex-marido. Inclusive um autografado por Fernando Sabino, “A Falta que Ela Me Faz”. Quantas histórias deixei impressas nas capas, nas páginas daqueles livros? Uma edição especial dos contos de Machado de Assis, da Companhia das Letras, com gravuras do Rio do início do século passado. É bom ter lembranças, livros, histórias e emoções. Fazem-me lembrar quem sou.

NOEMI SOUZA

Adoraria dizer ao Ivan que me lembro do nome do livro que procura, sobre o Paschoalzinho. Mas, infelizmente, eu também sonho em encontrá- lo. A história de Paschoalzinho e seus primos era o livro escolar da nossa babá, na década de 50. Há anos tenho procurado me lembrar ao menos do nome do livro! Também amo abraçar meus velhos livros e procuro reaver os títulos perdidos. Encontrei “Juvenília Salesiana” e “Brasil, Minha Terra” depois de uns dez anos de busca. O Paschoalzinho é questão de tempo, espero. Só que sem saber o nome do livro fica difícil. Certamente, algum outro leitor já deverá tê-lo encontrado. Seria demais pedir que me deem essa informação, caso a recebam dos leitores?

ALDA BRUNO

Ivan, sua última crônica mexeu no âmago de minhas lembranças. Meu marido partiu há quase dez anos e não consigo esquecer seu carinho pelo livro “O Filho do Gaúcho”, de Franz Treller. Nele ainda se escrevia “edictor”, em vez de editor. A crônica me lembrou de um relacionamento que terminou em 2005. Emprestei-lhe livros e, no fim do famigerado e caro namoro, ficou com ele meu inesquecível “O Pequeno Príncipe”. Desde então, já ganhei outros, comprei outros... mas o cheiro daquele era o aroma da minha adolescência.

LOURDES MOREIRA

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Fonte: VEJA SÃO PAULO