A opinião do leitor

Cartas da edição 2412

Por: Veja São Paulo

Transporte

Excelente a reportagem sobre as ciclovias (“O valor das pedaladas”, 11 de fevereiro). Faz uma análise completa do assunto, demonstrando a má qualidade do serviço, seus preços incalculáveis e a inutilidade de alguns projetos. Problemas semelhantes são observados nos corredores de ônibus: os que estavam bons foram destruídos para, em seguida, as obras serem abandonadas. Quanto ao provável custo das ciclovias, isso poderia ser explicado da seguinte forma: 150 000 reais de custo real, mais 200 000 reais de incompetência e outros 300 000 reais pagos a terceiros. Sem falar que o custo real está muito alto para uma reprovável pintura do solo. Waldemar Fontes

Agora é que fui entender o motivo da avalanche de ciclofaixas na cidade. Moro nas redondezas da Avenida Doutor Assis Ribeiro, que dá acesso à Marginal Tietê e aos bairros de São Miguel e Ermelino Matarazzo, na Zona Leste. Lá estão construindo uma ciclovia sobre uma pavimentação danificada por vários anos de obras da Sabesp. O certo seria recapear a via. Essas malhas para bicicletas podem ser o caminho mais rápido para se movimentar pela capital, mas, sem fiscalização, vão se tornar o caminho mais rápido para dilapidar os impostos que pagamos. Genival Souza Aguiar

Em cinco anos, a Alameda Barros recebeu recapeamento asfáltico em duas ocasiões, sendo que o último foi realizado por causa da ciclofaixa. Há dois anos, após dois anos de obras e quase 1 milhão de reais de despesas, as calçadas (que estavam boas) da Rua Amaral Gurgel foram trocadas por um piso de concreto moldado. Agora, a calçada do canteiro central está novamente sendo quebrada para dar lugar à ciclofaixa. Quantas ruas não têm calçada? Será que essas são as prioridades para os cidadãos? Não me refiro às ciclofaixas, mas à falta de planejamento e à aplicação dos escassos recursos. Ou está sobrando dinheiro? Aguardemos as desculpas de sempre. Márcio de Moraes Leonel

Considerando que as ciclovias estão sendo instaladas de forma açodada, sem planejamento nem transparência, e o modus operandi petista, é muito provável que haja sobrepreço e alguém esteja ganhando algum dinheiro por fora. Que o Tribunal de Contas do Município e o Ministério Público atuem firmemente. José Renato Nascimento

Registro aqui minha indignação ao ler a reportagem sobre o custo das ciclovias. É um absurdo. Sugiro ao Fernando Haddad que caminhe na Avenida Sumaré para ver o serviço malfeito da prefeitura. Sem contar que a tinta, gasta, já está praticamente sumindo. Euclides Carlos Bonini

Foi duro ver a última capa da VEJA SÃO PAULO e ter mais uma prova de que o prefeito é nosso principal algoz. A cidade padece de falta de água, energia, segurança, transporte público e vias transitáveis. Agora, gastam milhões de reais dos cofres públicos para pintar as ruas de vermelho. Vergonha. Deborah Kitasato

Segundo a associação de ciclistas, 1 700 pessoas pedalam todo dia na Avenida Brigadeiro Faria Lima. Metade é provavelmente gente que não trabalha, indo para a academia. Quantos motoboys passam pela mesma via, correndo risco de vida? Estes, sim, merecem atenção especial, correspondente à importância que têm nos negócios da cidade mais importante do país. Oswaldo Mellone

Acho que faltou incluir no texto mais informações sobre o impacto que as tais metas do prefeito Fernando Haddad estão causando no trânsito. Moro próximo ao Jaguaré e constantemente passo pela Avenida Corifeu de Azevedo Marques, onde recentemente foi implantada uma ciclovia. Ela ocupou uma das faixas dos automóveis e o que já era ruim piorou. Outra via que julgo um desastre é a da Rua Doutor Sergio Ruiz de Albuquerque. Ela é muito estreita e, como há carros estacionados de um lado da calçada, os motoristas são forçados a passar sobre a ciclovia. Sou a favor dessa estrutura, desde que seja realizada com um mínimo de estudo de viabilidade e sem custos excessivos. Daniel Yamaguchi

A administração do prefeito Fernando Haddad tem sido marcada pelos corredores de ônibus, pelas ciclovias e pela insistência no aumento do IPTU, o que deixa a população com a sensação de abandono em relação a todos os outros enormes e prioritários problemas da cidade. Em quinze dias, caíram 1 000 árvores em São Paulo. Mais de um mês depois, não está sendo realizada nenhuma vistoria para evitar novos desastres. Caminhando pelo bairro de Perdizes, onde moro, vejo o inútil corredor de ônibus da Avenida Sumaré. Em 90% da extensão da via, passa um coletivo a cada hora. Além de haver pistas de bicicleta nas ladeiras do bairro, como a da Rua João Ramalho, que não leva a lugar nenhum e onde não passam ciclistas. Só aumentam o trânsito dos veículos. E somos obrigados a pagar por essas obras, sem pesquisa nem planejamento, um dos valores mais altos do mundo. Nadia Lopes

› Saúde

Excelente reportagem sobre o aproveitamento da internet pelos médicos (“Diagnóstico virtual”, 11 de fevereiro). Como profissional de saúde e, por também ter um site, entendo que temos muito a contribuir para o esclarecimento ao público leigo. Quanto mais surgirem na web páginas de médicos e instituições confiáveis, menos espaço haverá para os sites sem credibilidade. Silvio Gabor

› Crise hídrica

Comprar uma caixa-d’água ajuda a ter reserva, sem dúvida (“Refúgio contra a seca”, 11 de fevereiro). Mas não é justo que, em uma situação de racionamento na capital, aquele com mais capacidade de estoque seja beneficiado. Mônica Delfraro David

› Mistérios da Cidade

Ir a um restaurante e ainda desembolsar pelo estacionamento é o fim da picada (“O manobrista custa mais que o menu”, 11 de fevereiro). Aliás, a qualquer lugar que se vá hoje na cidade é preciso pagar. O pior é que, em todo mês de janeiro, os estabelecimentos aumentam seus preços. Alexandre Fontana

› Ivan Angelo

Já fiz muitas viagens de carona pelo Brasil (“Hotéis meio caídos”, 11 de fevereiro). E, caído financeiramente, só me restava fazer uso de hotéis com ou sem histórias. Augusto Moreira da Silva

Fonte: VEJA SÃO PAULO