A Opinião do Leitor

Cartas da edição 2352

Por: REDAÇÃO VEJA SÃO PAULO

capa da VEJASP-2352-1-ED
Capa: os médicos que receitam bombas (Foto: Veja São Paulo)

› Saúde

A reportagem “Os doutores das bombas”(18 de dezembro) foi uma das mais comentadas do ano. Abaixo, algumas mensagens enviadas para a revista e deixadas no nosso site.

O Departamento de Ergometria, Exercício, Esporte e Reabilitação da Sociedade Brasileira de Cardiologia felicita a coragem de VEJA SÃO PAULO em abrir a caixa de Pandora das obscuras e deturpadas orientações médicas. Esses profissionais enganam o cliente quanto aos riscos à sua saúde quando receitam substâncias farmacêuticas, de uso não autorizado pelo Conselho Federal de Medicina e Anvisa,para finalidades fora das suas indicações médicas. O mercado irregular via médicos e via internet deve ser denunciado e combatido para preservar a dignidade e a vida das pessoas, famosas ou não, que infelizmente acreditaram nessas falsas promessas. Não há milagres para ter um corpo bonito e saudável. A fórmula é a prática regular de atividades físicas e alimentaçãosaudável balanceada. Só.

Nabil Ghorayeb, Presidente do Derc-SBC

Gostaria de parabenizar o jornalista Sérgio Ruiz Luz pela excelente reportagem.Sou formado em educação física e doutor em cardiologia pela Faculdade deMedicina da USP e tenho estudado os efeitos deletérios do uso indiscriminado dos esteroides anabolizantes. Temos publicado trabalhos científicos sobre os efeitos dessas drogas no sistema cardiovascular,além de um capítulo de livro sobre o assunto. Temos uma vasta linha de pesquisa, que vai desde a compreensão do aumento da pressão arterial até o perigo de hipertrofia cardíaca gerada por essas drogas.

Marcelo Rodrigues dos Santos, Doutor em ciências pela FMUSP

Infelizmente, muitos profissionais se deixam seduzir pela ganância e passama atuar de forma incorreta. Quando o culto ao corpo ultrapassa o culto à saúde, a pessoa de certa forma já está adoentada emocionalmente, merecendo maior atenção dos mais próximos. Uma pena que muitos se tocam disso só depois que o estrago já foi feito. Esquecem que um corpo belo, porém não saudável, não consegue manter a beleza por muito tempo.

Mônica Delfraro David

A Santa Casa de São Paulo solicita gentilmente que seja complementado na reportagem que o médico Wilson J.S.Fezzuto, nome que aparece na receita fria comprada pelo repórter no centro dacidade, não pertence e nunca pertenceu ao quadro da Irmandade da Santa Casade Misericórdia de São Paulo.

Dr. Raimundo Raffaelli Filho

Parabenizo a revista pela brilhante e corajosa publicação. VEJA SÃO PAULO “bombou” jornalisticamente mais uma vez nesta reportagem. Gostaria de agregar alguns dados: estima-se que cerca de 500 000 jovens americanos façam uso de anabolizantes, prática também registrada em meninos e meninas na faixa de 9 a 13 anos. No Brasil, não há dados oficiais. Prevalece entre seus usuários o “códigodo silêncio”. Já temos trabalhos publicados por médicos sérios que mostram casos de jovens usuários dessas substâncias que desenvolveram infarto agudo do miocárdio por causa dos graves efeitos colaterais gerados: entre eles, a queda importante nas taxas de HDL (colesterolbom) e os níveis mais elevados de pressão arterial. Lembramos também dos efeitos comportamentais, principalmente relacionados à agressividade.Temos inserido frequentemente esse tema em nossos congressos.Profissionais habilitados e experientes mostram-se bem preocupados.Três pedidos a fazer: 1) aos médicos: seria fundamental quere vissem as prescrições desnecessárias e maléficas aos indivíduos saudáveis; 2) aos artistas profissionais, símbolos de beleza física: não se tornem garotos-propaganda dessa prática; 3) às academias que proliferam no país: sejam conselheiras de uma prática saudável do exercício físico e orientem seus alunos.

Claudio Baptista, Cardiologista e ex-presidente da SociedadePaulista de Medicinado Esporte (APM)

Cumprimento VEJA SÃO PAULO po rabordar um assunto tão corriqueiro nos dias de hoje e, principalmente, por desmascarar profissionais que não atuam de forma ética. Nós, médicos, somos formados para promover a saúde dos pacientes.E fazer isso significa orientá-los a incorporar a atividade física em sua vida e saber se alimentar corretamente, de modo que uma estética corporal agradável seja apenas uma consequência desses bons hábitos. A prescrição de hormônios anabolizantes só deve ser realizada na carência destes, ou seja, em patologias que requerem tal tipo de conduta. Fora desse contexto, o uso indiscriminado de anabolizantes ocasiona sérios efeitos colaterais, pondo muitas vezes a vida ou qualidade de vida do paciente em risco.

Sílvia Santamaria Corrêa da Fonseca, Médica e educadora física

O problema é de saúde, não de estética. Querer ficar bem fisicamente é normal, mas se drogar para isso eu acho estranho. Acredito que também esses médicos deveriam receitar primeiro um psicólogo a quem procura tal perfeição. O que tenho principalmente visto por aí são mulheres querendo barriga estilo tanquinho, igual à de homem bombado. Credo,que coisa horrível!

Gustavo Castro

Esses profissionais esqueceram o juramentoe a ética. Pacientes, atenção! Quando vocês ficarem doentes, eles vão dar uma de Lula (“eu não sei de nada”,“não fui eu que receitei”). Vergonha na cara, doutores.

Renato Ambrosino

Sou empresário e esportista e me consulto com o doutor Barakat há dez anos. Por isso, li atentamente a reportagem desta conceituada revista. Posso dizer que, mais do que prescrever medicação, esse profissional sempre esteve preocupado com aspectos de minha saúde, tais como qualidade do sono, alimentação, atividade sexual, fisiológica, nível de stress, e sempre manteve um rigoroso controle de meu corpo, solicitando dezenas de exames.Talvez por isso eu tenha melhorado muito minha qualidade de vida em todosos aspectos. Sou grato a ele por me conhecer bem e me fazer melhor sempre,clinica e esteticamente.

Fernando De Nadai

Cidade

A favela representa o abandono do ser humano e a total falência do Estado (“Agora também temos favela tour”, 18 dedezembro). Mas, como sempre encontramos bons empreendedores por aqui, surge alguém lucrando com a degradação do alheio. Tudo lindo, cultural e romântico,mas que esconde a proteção ao crime organizado, que se impõe na base do medo. Moradia digna é um dos pilares contra a violência paulistana. Ninguém,entretanto, encara o problema dessa forma.

Ubiratã Caldeira

O Circuito Paraisópolis das Artes nasceu de um sonho da União dos Moradorese do Comércio de Paraisópolis(UMCP) com o apoio da Alfaiataria de Negócios, que, com sua experiência na área de planejamento, auxiliou na estruturação do programa de maneira a transformá-lo num projeto autossustentável.Os recursos arrecadados remuneram os artistas, o guia que acompanha o grupo, a União dos Moradores e financia as despesas do projeto. Tendo em vista queum instituto está sendo criado para gerenciar diretamente o programa cultural, a Alfaiataria tomará como encerrada sua participação, ficando a cargo dosresponsáveis da futura entidade dar continuidadeàs atividades.

Sylvia Facciola, Diretora da Alfaiataria de Negócios

Diversão

A padronização das mesas de bilhar em estabelecimentos comerciais na cidade de São Paulo é válida, assim como deve ser feita para todas as outras modalida desesportivas (“Pela bola sete”, 18 dedezembro). Contudo, não há outras prioridades para a cidade? Máfia dos fiscais, trânsito caótico, alagamentos, moradoresde rua, falta de escolas e creches, sistema de saúde, mobilidade urbana... Poisé, se pensarmos um pouco, a capital está cheia de temas muito mais urgentes que afetam a sociedade diariamente e que precisam ser tratadoscom seriedade e de forma eficaz pela Câmara Municipal.

Wagner Fernandes Gaurdia

crônica da edicao 2351
Matthew Shirts: o pinguim natalino (Foto: reprodução)

Matthew Shirts

Acompanho as crônicas do Matthew semanalmente e me divirtomuito com elas. Acabei de ler “Opinguim natalino” (18 de dezembro) e fiquei interessada no peru com farofa dos americanos. Seria possível você compartilhar a receita de sua avó?

Debora Calvano

Cracolândia

Os barracos na região da Cracolândia são a materialização da incompetência de nossos governantes (“Monumentodo fracasso”, 11 de dezembro). Isso vale para o prefeito e para o governador. Politicagem barata e deturpação do conceito de direitos humanos resultaram em ações mal conduzidas e vista grossa para o consumo e o tráfico de drogas a céu aberto. Estão conseguindo piorar o que já era ruim. Pobre São Paulo.

Jorge Ribeiro Neto

Fonte: VEJA SÃO PAULO