Meu estilo

Carol Castro vive seu maior desafio como atriz

Atriz de 25 anos é protagonista da peça Dona Flor e Seus Dois Maridos, ao lado de Marcelo Faria e Duda Ribeiro

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

Criada por Jorge Amado, Dona Flor ganhou a cara e o corpo de Sonia Braga nos cinemas. Agora, transformou-se no maior desafio da atriz Carol Castro. Como protagonista da peça Dona Flor e Seus Dois Maridos, ao lado de Marcelo Faria e Duda Ribeiro, em cartaz no Teatro Faap, ela tenta se livrar da imagem de "carioca sensual" tão reforçada em cinco novelas. Nos bastidores, Carol ainda redescobriu o amor. Há três meses namora o ator Marco Bravo, que vive o músico Dorival Caymmi nessa mesma montagem.

Pensava em interpretar Dona Flor?

Nunca. Marcelo Faria me ligou e disse: "Quer fazer o maior papel de sua vida?". Tremi dos pés à cabeça. Eu precisava de um desafio, daqueles de que eu duvidasse ser capaz.

Tinha lido o livro e visto o filme?

Assisti ao filme quando criança. O livro eu li e reli desde que começaram os ensaios. Ainda hoje releio passagens. Está tudo marcado, sublinhado a lápis. Até então, de Jorge Amado, eu só conhecia Capitães da Areia.

Como foram os preparativos?

Fizemos dança de salão, aula de prosódia e culinária. Aprendi a preparar vatapá e a arrancar rabo de camarão. Adoro cozinhar. Também trabalhei a voz. Não só por causa do meu sotaque. Tenho a voz acostumada à TV. Numa folga dos ensaios, quebrei o pé direito e pensei em desistir. Tirei o gesso duas semanas antes da estreia. Foi muito simbólico.

A Dona Flor de Sonia Braga era mais sensual e a sua é mais recatada. Foi intencional?

Fico feliz ao perceber que fiz minha leitura. Busquei um lado menina na Flor. A sexualidade mais marcante é a do Vadinho.

Sua imagem na TV sempre foi associada à sensualidade. Você quer mudá-la?

Fiz papéis sensuais mesmo. Sou morena, posei para a Playboy, é normal a associação. A gente muda com o tempo. Sou diferente do que era há três anos. Talvez hoje eu fizesse outras escolhas, mas não me arrependo de nada.

Nem das tatuagens?

Jamais! Fiz uma tribal na barriga aos 14 anos. Na novela Beleza Pura, gravei cenas de biquíni e disfarcei com maquiagem. A da perna direita é discreta. Fiz aos 10 anos, em Natal.

Nascida no Rio de Janeiro, você morou em Natal, no Rio Grande do Norte, e em Bauru, no interior paulista. Vida de cigana?

Quando eu tinha 6 anos, meus pais se separaram e mudei para Natal. Minha mãe nunca teve renda fixa. É terapeuta corporal, astróloga, guia turística, corretora de imóveis... Passamos muitos apertos e voltamos para o Rio, dividindo apartamento com quatro pessoas. Troquei de escola treze vezes. Em Bauru, nos meus 13 anos, vivia numa república e teve início minha fase rock?n?roll, ouvindo Nirvana e assistindo à MTV.

Gosta de rock até hoje?

Minha essência é roqueira. Em São Paulo, quero conhecer a Galeria do Rock. Na adolescência, fui grunge. Pintava camisetas. Usava tênis, meião, saia ou bermudão com cinto de skatista, dois piercings. Tive cabelo rosa e azul. Ao mesmo tempo, trabalhava e era responsável.

Trabalhava aos 13 anos?

Por quatro anos, fui vendedora do Mercado Mundo Mix e da Babilônia Feira Hype. Morava em Bauru e passava a madrugada no ônibus para trabalhar no Rio. Estava na 7ª série e me sentia muito bem por ajudar minha mãe. Sempre colaborei em casa.

E hoje qual é seu estilo?

Completamente básico. Gosto de jeans, camiseta branca, um vestido leve, sapatos baixos sempre. Evito salto ao máximo. Raramente me maquio, não tenho saco.

O que costuma ler e ouvir?

Compro livros de teatro, obras de autores como Anton Tchecov e Henrik Ibsen. Na música, estou eclética e voltando a tocar instrumentos. Toco um pouco de violão e bateria. Namorando o Marco, eu entrei em contato com a música de novo. Ele é baterista e está me ajudando a desenferrujar.

Começaram a namorar na turnê da peça?

Faz três meses. Cada um tinha outro relacionamento. É engraçado como a pessoa pode estar ao seu lado e você nem perceber. O namoro me fez recuperar a vivência com o teatro, que tinha por causa de meu pai (o ator Luca de Castro). Desmonto cenários, embrulho figurinos. Em Volta Redonda, um funcionário do teatro disse que era a primeira vez que via uma atriz pegando pesado.

Esperava a polêmica com a Igreja Católica ao posar para a Playboy com um crucifixo?

A repercussão me assustou. Achei ótima a ideia de fazer fotos inspiradas em personagens de Jorge Amado. Foi mais fácil ficar nua. Com o dinheiro, quitei minha casa, dei entrada em um terreno e ajudei minha mãe.

Fonte: VEJA SÃO PAULO