Administração

Carnaval de rua será regulamentado na cidade

Representantes de blocos reclamam que não houve grande debate com a sociedade

Por: Juliana Deodoro - Atualizado em

Bloco Urubó
Desfile do Bloco Urubó pelas ruas da cidade (Foto: Anna Carolina Oliveira)

O prefeito Fernando Haddad deve publicar até o fim de janeiro um decreto que regulamenta o carnaval de rua em São Paulo. O texto definirá qual será a política da administração em relação à festa e vai, essencialmente, organizar o que já acontece todos os anos nas vias de diversos bairros da cidade.

A medida é resultado de uma mudança de entendimento que começou no ano passado. Antes renegado e, em alguns casos, proibido pela gestão de Gilberto Kassab, o carnaval já foi tratado em 2013 como assunto da Secretaria de Cultura. Durante o ano, o secretário Juca Ferreira se encontrou com representantes de vários blocos e, em novembro, foi organizado um seminário para discutir o assunto.

Por três dias, profissionais que trabalham nos carnavais mais famosos do país, como Recife, Rio de Janeiro e Salvador, falaram sobre suas experiências. Representantes de blocos e pesquisadores também participaram dos encontros. De acordo com a Secretaria de Cultura, o documento elaborado pela administração será baseado no que foi discutido no seminário.

Apesar da regulamentação, organizadores de alguns blocos reclamam que a prefeitura não fez um grande debate com a sociedade antes de criar o documento. "A gente teve uma reunião no começo do ano e o seminário no fim. Não considero isso um amplo debate", diz José Vieira, do Bloco Bastardo. Ele é um dos representantes do Manifesto Carnavalista, que reúne mais de 35 blocos da cidade. 

Segundo Vieira, como não foram avisados oficialmente sobre o decreto, os blocos estão preparando um documento com datas, trajetos e horários que será entregue aos órgãos da prefeitura. "Não sabemos como isso vai se dar ainda e por isso não posso concluir se a ação é coerente com o que apontamos. Só vamos descobrir quando for publicado. Esperamos que a intervenção da prefeitura minimize o impacto do carnaval dos moradores e garanta mais segurança ao público."

Fonte: VEJA SÃO PAULO