Paulistano Nota 10

Empresário promove caminhadas noturnas gratuitas pelo centro

A ideia de Carlos Beutel é fazer com que as pessoas percam o medo de andar pela região durante a noite 

Por: Larissa Faria

Carlos Beutel
"Meu maior presente é ver as pessoas se encantar com essa cidade tão bonita", diz o empresário (Foto: Leo Martins)

Desde 2005, Carlos Beutel, de 61 anos, tem destino certo nas noites de quinta. Sai de seu apartamento no icônico Edifício Copan em direção à escadaria do Teatro Municipal. Ali é o ponto de encontro da Caminhada Noturna. Trata-se de um passeio pelo centro criado pelo empresário, que reúne cerca de 200 turistas e paulistanos por semana.“Eu via as pessoas com medo de andar pelo pedaço”, afirma. “Queria que percebessem como essa parte da cidade também pode ser bacana em um horário diferente.”

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Ele faz tudo voluntariamente, sem ganhar um tostão pelo projeto. Segue acompanhado pelo guia Laércio de Carvalho, cujo salário vem do bolso do próprio Beutel. Outros interessados, como fotógrafos, professores e arquitetos, registram imagens ou dão uma força nas explicações sobre os edifícios. Com início às 20 horas e duas horas de duração, o tour acumula mais de 500 edições — e onze pedidos de casamento ao longo do trajeto.

Até hoje, cerca de 45 000 participantes já aproveitaram as “aulas”. Cada caminhada traz um percurso e um tema diferentes. Na próxima quinta (21), por exemplo, o autor Moacir Assunção comanda um passeio a respeito da Revolução de 1924. Nos aniversários da capital, em janeiro, rola um evento especial de tons sombrios chamado Caça aos Fantasmas. Ele chega a reunir 4 000 destemidos, dispostos a ouvir casos mal-assombrados durante a madrugada.

Formado em direito e pai de três filhos, Beutel fundou o restaurante vegetariano Apfel, com uma unidade nos Jardins e a outra... no centro, é claro. Além de dar atenção ao negócio, o dono dedica boa parte de seu tempo a questões relacionadas à metrópole. Envolve-se em debates na Câmara e luta pela preservação da área. Atualmente, briga pela volta do funcionamento do chafariz do Teatro Municipal. “Posso dizer que conheço cada pedra das calçadas dessa região”, orgulha-se. “Meu maior presente é ver as pessoas se encantar com essa cidade tão bonita.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO